A música que nasceu clássica e Ronnie James Dio teve que engolir, embora a odiasse
Por Bruce William
Postado em 20 de abril de 2026
Tem música que nasce clássica. Tem música que cresce com o tempo. E tem música que quase não nasce porque o próprio autor implicou com ela desde o começo. Foi o caso de "Rainbow in the Dark", uma das faixas mais conhecidas da carreira solo de Ronnie James Dio e, ao mesmo tempo, uma canção que ele próprio disse ter odiado quando estava montando "Holy Diver", em 1983.
Dio - Mais Novidades
A bronca dele não era exatamente com a composição em si, mas com o contexto. Dio achava que a música soava pop demais perto do resto do álbum. E dá para entender o que o incomodava. "Holy Diver" vinha carregado de peso, teatralidade, imagens bíblicas, sombras e aquela atmosfera épica que ele dominava como poucos. No meio disso, "Rainbow in the Dark" aparecia com teclados mais evidentes, uma entrada mais luminosa e um refrão que grudava fácil. Para alguém tão zeloso com a própria imagem musical, aquilo podia soar quase como uma infiltração.
O próprio cantor resumiu isso em uma fala resgatada pela Far Out: "Eu odiava completamente aquela música. Eu odiava aquela música no contexto do que eu estava tentando fazer com o álbum." O que acontecia é que a faixa parecia apontar para um lugar menos sombrio e menos rígido do que o resto do disco. E Ronnie James Dio tinha um medo antigo de parecer comercial demais, algo que já vinha de experiências anteriores e de sua passagem por bandas onde esse tipo de tensão também existiu.
O mais curioso é que justamente essa abertura maior acabou ajudando a música a durar tanto. Porque "Rainbow in the Dark" tem peso, tem riff, tem pegada, mas também tem um brilho diferente, um refrão grande e uma energia menos fechada do que muita gente associa ao nome Dio. Em vez de enfraquecer o disco, a faixa abriu uma outra janela dentro dele. Mostrou que dava para manter identidade sem soar sempre do mesmo jeito.
A história da composição também ajuda a explicar por que a faixa tem esse ar meio espontâneo. Parte do riff vinha de uma ideia anterior ligada à banda Sweet Savage, de onde saiu o guitarrista Vivian Campbell. Em estúdio, a coisa ganhou forma rápido. Vinny Appice entrou com o motivo de teclado, Dio começou a cantar por cima e a música praticamente se resolveu em poucos minutos. Ou seja: aquilo que o cantor quase rejeitou nasceu de forma muito natural, quase como se a música tivesse se imposto sozinha antes de qualquer filtro racional.
Talvez por isso a ironia seja tão boa. O sujeito que quase destruiu a canção acabou preso para sempre a ela. Porque, gostasse ou não, "Rainbow in the Dark" virou uma das assinaturas mais fortes de sua carreira. Não foi um desvio menor dentro do catálogo. Virou clássico. Dessas músicas que muita gente talvez ouça até antes de conhecer o resto de "Holy Diver".
E há ainda um detalhe que deixa tudo mais interessante. Ronnie James Dio tinha currículo de sobra para não depender de um único momento. Já havia ajudado a gravar discos fundamentais com Rainbow e Black Sabbath, e depois construiu uma carreira solo respeitadíssima. Mesmo assim, uma das músicas que mais grudaram em sua trajetória foi justamente aquela que lhe parecia deslocada, acessível demais ou "errada" para o disco que imaginava.
O episódio serve também para lembrar uma coisa simples: artista nem sempre é o melhor juiz do próprio instinto. Às vezes ele briga justamente com a faixa que mais tarde vai falar com mais gente. No caso de Dio, a música que quase foi rifada acabou se tornando uma das portas de entrada mais fortes para sua obra. E isso, para uma canção que ele disse odiar, não deixa de ser uma bela vingança.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Shows que vão agitar São Paulo no segundo semestre de 2026.
A reação de Dirk Verbeuren ao anúncio do fim do Megadeth
James Hetfield revela sua maior influência como guitarrista de metal: "É o mestre dos riffs"
Pearl Jam sobe ao palco pela primeira vez com Abe Laboriel Jr. na bateria
Kiko Loureiro respeita muito Tony Iommi, mas acha que guitarrista do Black Sabbath é "quadrado"
Como John Petrucci tenta manter a rotina de treinos durante as turnês do Dream Theater
A canção polêmica que o Guns N' Roses tocou só duas vezes e abandonou; "Ninguém entendeu"
A única banda de metal que nem o Metallica conseguiu superar, conforme Regis Tadeu
De Black Sabbath a Elis Regina, os 10 discos que mudaram a vida de Kiko Loureiro
A superbanda com integrante dos Rolling Stones que Jimmy Page nunca esqueceu
Como "Leave Home", dos Ramones, mudou a vida do guitarrista Marty Friedman
O grande clássico do Metallica em que Kirk Hammett não tocou uma única nota
A maior e melhor banda de metal de todos os tempos, segundo Jerry Cantrell
Gar Samuelson é o ex-baterista do Megadeth mais difícil de "imitar", de acordo dom Dirk Verbeuren
Com ex-membros do Primal Fear e Gamma Ray, Fearless V anuncia primeiro álbum

O "acordo de cavalheiros" que selou a entrada de Vivian Campbell na banda de Dio
Vivian Campbell relembra teste para entrar na banda de Dio; "Eles estavam chapados"
O lendário vocalista que teve o dedão amputado por um anão de jardim no quintal
As 7 maravilhas do mundo do heavy metal e como conhecê-las
Bruce Dickinson lista os vocalistas que fazem ele pensar "Jamais serei tão bom quanto eles!"
O segredo revelado por Ronnie James Dio que deixou James Hetfield irritado
O maior cantor de rock de todos os tempos, segundo James Hetfield do Metallica
Os 5 músicos com quem Gene Simmons comprou algumas das maiores brigas de sua carreira
Ronnie James Dio: a real opinião dele sobre Ozzy Osbourne, resumida em entrevistas


