O que fez o Rage cancelar a turnê no Brasil? Banda enfim explica todos os detalhes
Por Gustavo Maiato
Postado em 20 de abril de 2026
O Rage detalhou o motivo do cancelamento da turnê pela América do Sul e atribuiu a decisão ao descumprimento de condições contratuais que, segundo Peter "Peavy" Wagner, eram indispensáveis por causa de seus problemas de saúde. O vocalista e baixista publicou um longo comunicado aos fãs após o anúncio da suspensão dos shows, que incluíam três datas no Brasil.
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Na mensagem, Peavy disse entender a frustração do público e afirmou que cancelar a excursão "tão perto do início" era algo que nem ele, nem seus colegas, nem a equipe queriam fazer. Também reconheceu o esforço de fãs que já haviam comprado passagens, reservado hotéis e tirado folga do trabalho.
O ponto central do texto está na explicação médica. Peavy afirmou conviver há anos com limitações severas. "Há muitos anos eu tenho problemas de saúde sérios, significativos e limitantes", escreveu. Em seguida, detalhou: "Eu consigo fazer shows, cantar, tocar baixo e ser criativo sem problema, mas fisicamente sou limitado. Tenho dor 24 horas por dia nas costas e nos ossos e dependo de medicação de forma permanente".
Segundo o músico, essas restrições exigiam cuidados específicos de viagem, hospedagem e frequência de shows. "Por causa dessas limitações, instruí minha agência a garantir deslocamentos, acomodação e frequência de apresentações apropriados", afirmou, dizendo que isso era necessário para que pudesse cumprir a agenda com segurança.
Peavy ainda declarou que essas condições estavam previstas em contrato. "Minha agência colocou essas exigências em nossos contratos com os promotores", escreveu. Depois, foi mais direto: "Esse acordo contratual existia e foi assinado com o promotor desta turnê também, mas não foi respeitado".
No relato, o vocalista diz que a banda acabou diante de um cenário distante do que havia sido combinado. "Apesar de instruções claras sobre horários de voo, espaço, acomodação, horários e todas as necessidades, nós estávamos enfrentando uma situação que não chegava nem perto do que havia sido acertado", afirmou.
Ele também disse que houve meses de tentativas para corrigir o problema. "Meses de tentativas sem fim, centenas de e-mails para colocar as coisas na direção certa, não surtiram efeito", escreveu, acrescentando que o cumprimento dessas exigências era "obrigatório por razões de saúde".
No mesmo comunicado, Peavy fez questão de separar os produtores locais da origem do impasse. "Isso não era algo que os promotores locais poderiam resolver. Eles fizeram tudo certo, já que a responsabilidade deles era montar e promover o show local", afirmou.
Essa parte da nota chama atenção porque, até aqui, havia versões diferentes circulando. No anúncio inicial do cancelamento, a banda havia falado apenas em "circunstâncias nos bastidores". Depois, a Venus Concerts, responsável pela apresentação em São Paulo, declarou que o fim da turnê ocorreu por "decisão unilateral do artista" e sustentou que "os compromissos contratuais e financeiros sob responsabilidade dos produtores locais foram integralmente cumpridos".
Agora, o novo texto de Peavy desloca o foco para a estrutura geral da turnê e para as condições pactuadas com o promotor do giro sul-americano, indicando que o problema, na visão do grupo, não esteve na ponta local, mas no cumprimento global do acordo.
O músico também disse que a banda evitou se manifestar antes para não "apontar dedos" ou criticar publicamente outras partes. Ainda assim, deixou claro que, para ele, a questão principal era o respeito às necessidades humanas e médicas do artista. "O essencial é respeitar as pessoas primeiro, entender as necessidades delas, especialmente quando isso está ligado a problemas de saúde", escreveu.
Peavy ainda rebateu a possível leitura de que o Rage teria desistido por desinteresse no continente. "Por favor, saibam que isso nunca teve a ver com falta de comprometimento com a América do Sul", afirmou. "Eu e meus caras estávamos genuinamente empolgados para voltar, tocar para vocês e encontrar todos vocês".
Segundo ele, o grupo já vinha trabalhando nessa excursão havia anos. Por isso, o cancelamento teria sido particularmente duro também para a própria banda. O vocalista afirmou ainda que, com o tempo curto e a complexidade logística, não foi possível transformar a agenda em adiamento de forma segura. Mesmo assim, sinalizou que a equipe tenta viabilizar nova data. "Eu garanto, com meu nome, que toda a minha equipe está trabalhando duro para conseguir um possível adiamento", escreveu.
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