Jay Weinberg diz que virou bode expiatório no Slipknot e foi demitido sem explicação
Por Gustavo Maiato
Postado em 13 de abril de 2026
Jay Weinberg afirmou que sua saída do Slipknot aconteceu de forma brusca, confusa e sem justificativa real. Em relato reproduzido pela Ultimate Guitar, o baterista disse que acabou servindo como "bode expiatório" para tensões internas que já existiam antes de sua entrada no grupo.
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Segundo Weinberg, a demissão veio por telefone, logo depois da viagem de volta do último show que fez com a banda. Ele contou que havia acabado de receber autorização para marcar uma cirurgia no quadril e no fêmur quando recebeu a ligação do empresário do Slipknot. "Acordei na manhã seguinte à viagem de volta do nosso último show juntos e recebi um telefonema do empresário da banda", disse. Foi nesse contato que ouviu que o grupo havia decidido não renovar seu contrato no fim do ano.
A reação foi imediata. "Fiquei chocado e cheio de perguntas. Eu fiquei tipo: 'Por quê? O que aconteceu?'", afirmou. De acordo com o músico, a única resposta que recebeu foi vaga. "É uma decisão criativa e você não é mais o baterista do Slipknot", relatou.
A saída de Jay Weinberg do Slipknot
Weinberg ligou a demissão ao ambiente interno da banda naquele período. Segundo ele, tudo aconteceu no fim de "um ano muito difícil dentro da banda". Na leitura do ex-baterista, isso pode ter relação com "tensões preexistentes de antes de eu chegar na banda", que teriam voltado à tona. Ainda assim, ele insiste que ficou "sem nenhuma explicação".
O relato mostra que a comunicação não parou ali. Segundo Jay, o empresário ainda propôs que ele e a banda divulgassem uma nota conjunta no dia seguinte. "Use o resto do dia para pensar sobre isso", teria dito. Mas, segundo o músico, isso nem chegou a se concretizar como imaginado. Pouco depois, enquanto caminhava com a esposa para tentar processar o que havia ocorrido, o Slipknot publicou sua própria declaração.
Weinberg descreveu o impacto da notícia em termos pesados. "Meu mundo meio que desabou debaixo de mim", disse. Ele afirmou que havia dedicado à banda "foco, determinação, atenção e amor totais" durante uma década, mesmo enfrentando o que chamou de ambiente "volátil" e "sombrio".
É nesse ponto que aparece a frase mais forte da entrevista. Ao tentar explicar como se sentiu, o baterista disse que talvez tenha sido usado para absorver conflitos que não nasceram com ele. "Talvez eu tenha me tornado um bode expiatório para certas coisas", afirmou.
A justificativa passa pelo lugar que ele ocupava no grupo. Mesmo depois de dez anos, Weinberg ainda se enxergava, em certa medida, como alguém que entrou depois em relações já marcadas por décadas de história. "Como um novato, acho que ao ser pego entre essas tensões preexistentes, você se vê tentando navegar nisso da melhor maneira possível", disse. Na sequência, resumiu a dificuldade: um queria as coisas de um jeito, outro queria de outro, e ele precisava tentar equilibrar tudo isso.
O baterista também sugeriu que, apesar do tempo de casa, nunca ficou totalmente claro qual era seu lugar dentro do Slipknot. "Você está na banda? Ou não está na banda? Como definir isso depois de 10 anos?", questionou.
Depois da saída, Weinberg procurou transformar a experiência em outra coisa. Passou pelo Infectious Grooves e pelo Suicidal Tendencies, antes de deixar este último em janeiro de 2026 para focar na paternidade e em outros projetos. Mais do que os trabalhos em si, ele destacou a mudança no ambiente humano ao redor.
Nesse processo, disse ter encontrado uma referência inesperada no King Gizzard & the Lizard Wizard. Segundo Jay, a convivência com integrantes da banda australiana ajudou a mostrar como pode funcionar um espaço criativo baseado em respeito mútuo. "Esses caras abriram meus olhos para como um ambiente criativo positivo, com respeito mútuo, poderia ser", afirmou. A imagem que usou para definir isso foi clara: "É como encontrar água no deserto".
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