O rockstar que chocou Jack Black ao dançar como se fosse uma criatura da floresta
Por Bruce William
Postado em 31 de maio de 2026
Jack Black pode amar AC/DC, Led Zeppelin, Motörhead, Dio e todo aquele pacote de rock pesado que ele transformou em combustível para o Tenacious D, mas sua devoção musical não para no metal e no hard rock. Quando o assunto é Radiohead, ele fala com a empolgação de fã que descobriu algo meio tarde, apanhou um pouco para entender, e depois virou refém do negócio.
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A porta de entrada, para ele, passa por dois discos bem diferentes. OK Computer, lançado em 1997, seria o caminho para quem quer conceito; The Bends, de 1995, seria o disco para quem quer "músicas", no sentido mais direto da palavra. Black resumiu essa virada ao American Songwriter dizendo que, nas primeiras audições, não entendia direito o que estava ouvindo, até que a chave virou e ele concluiu que estava diante da "melhor banda da história do rock".
O elogio chama atenção porque vem de alguém acostumado ao exagero físico do rock. Jack Black entende palco como explosão, careta, salto, suor e teatralidade quase de desenho animado. Thom Yorke, à primeira vista, parece o oposto disso: frágil, torto, introspectivo, com aquele ar de sujeito que está sempre recebendo uma transmissão ruim diretamente do fim do mundo.
Foi justamente aí que Black se surpreendeu. Em conversa com Kyle Gass, ele lembrou de ter visto o Radiohead no Roseland Ballroom, em Nova York, e saiu falando menos da precisão da banda e mais do jeito como Yorke se movia. "Eu acabei de ver o Radiohead anteontem à noite em Nova York, no Roseland Ballroom. Sabe o que eu percebi? Ele se mexe de verdade, ele adora dançar."
A descrição fica ainda melhor quando Black tenta encontrar a imagem certa para o vocalista. "Ele é meio que um senhor da dança. Porque você pensa nele como esse cara sombrio, tipo 'hmm, a vida é uma merda', mas aí, quando você o vê, ele é uma ninfa, ele é como uma ninfa da floresta. Uma ninfa? Um duende! Ele é um duende, porque pesa uns 40 quilos e realmente deixa a música mover o corpo dele."
Essa é uma boa forma de entender Thom Yorke como um rockstar, um frontman. Ele não domina o palco no modelo clássico de Freddie Mercury, Robert Plant ou Mick Jagger, chamando a plateia para a palma da mão. Também não parece interessado em parecer "legal" no sentido tradicional. Yorke dança como se estivesse sendo atravessado pelas músicas, muitas vezes em movimentos quebrados, nervosos, quase desconfortáveis, mas que combinam com o Radiohead porque a banda também nunca soou exatamente confortável dentro de um molde.
O Roseland Ballroom, aliás, combina com essa lembrança. O Radiohead fez apresentações íntimas no local em 2011, já em uma fase em que o grupo estava longe de depender de velhos hits para sustentar o repertório. Uma crítica do Hollywood Reporter sobre uma dessas noites destacou justamente a força de Yorke diante do público, em um show mais fechado do que os grandes palcos que a banda já podia ocupar.
O elogio de Jack Black é curioso porque não trata Thom Yorke como um frontman "impressionante" pelo caminho óbvio. Conforme conclui a Far Out, ele não fala de potência vocal, carisma solar ou comando de massa. Fala de alguém que parece pequeno, estranho e deslocado, mas que deixa a música tomar conta do corpo até virar parte da apresentação. Para Black, que vive o rock como teatro, isso talvez seja o maior elogio possível: Thom Yorke não interpreta um astro no palco. Ele vira uma criatura esquisita movida pelo próprio som.
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