O músico que deixou Jack Black apavorado na hora de gravar; "Ele é uma lenda, é meu ídolo"
Por Bruce William
Postado em 28 de junho de 2026
Jack Black ficou famoso como comediante, ator e figura naturalmente exagerada, dessas que parecem entrar em cena já no volume máximo. Mas essa persona às vezes esconde uma coisa importante: ele canta muito. O Tenacious D pode ser uma dupla de rock cômico, cheia de piadas, fantasia absurda e teatralidade, mas por trás da brincadeira existe um vocalista de verdade.
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Quem já viu Black cantar algo fora do registro puramente humorístico percebe isso rápido. Um exemplo lembrado pela Far Out aconteceu no Rock Am Ring, em 2016, pouco depois da morte de Prince. Em vez de fazer um improviso vocal qualquer durante o show do Tenacious D, ele puxou um trecho de "When Doves Cry" a cappella. Por alguns instantes, a piada saiu da frente e ficou apenas a voz, forte o suficiente para calar uma multidão que talvez esperasse gargalhada, não arrepio.
Essa mistura de humor, potência vocal e amor genuíno pelo rock fez Jack Black circular por lugares que muita gente ainda subestima. Ao longo da carreira, ele já trabalhou com nomes como Dave Grohl, Slash e Josh Homme. Também nunca escondeu sua devoção por Led Zeppelin, sua banda favorita, chegando a gravar um pedido em vídeo para conseguir autorização de uso de "Immigrant Song" no filme "Escola de Rock".
Black contou que fez a súplica diante de um grande grupo de figurantes, todos repetindo com ele o pedido para que o Led Zeppelin abençoasse a produção. Era ridículo, improvisado e totalmente Jack Black. Funcionou. A música entrou no filme, algo nada simples quando se trata de uma banda conhecida por proteger seu catálogo com bastante cuidado.
Ainda assim, houve uma colaboração capaz de deixá-lo realmente nervoso. O encontro era quase inevitável pelo nome e pelo imaginário dos fãs: Jack Black e Jack White. Desde que os dois se tornaram figuras conhecidas no rock, muita gente brincava com a possibilidade de uma parceria entre eles. Quando isso finalmente aconteceu, Black não queria apenas aparecer ao lado do líder do White Stripes tocando uma música qualquer.
A ideia de gravar uma composição antiga não parecia suficiente. Para ele, se o encontro com Jack White fosse acontecer, precisava render algo novo. O resultado foi "Don't Blow It, Kage", faixa do Tenacious D lançada em 2019, com participação de White na produção e no processo de gravação. A música nasceu justamente do medo de não estar à altura do momento. "Ele é uma lenda, é meu ídolo. Eu amo Jack White... Mas também havia terror, porque você não quer decepcionar Jack White."
A fala mostra Jack Black num papel menos habitual. Ele costuma parecer o sujeito que entra em qualquer situação chutando a porta, fazendo careta, berrando e transformando constrangimento em combustível. Mas diante de Jack White, apareceu o fã. O cara que admira tanto o outro músico que passa a temer estragar a oportunidade. Black explicou que essa ansiedade virou a própria matéria da música. "O que vamos fazer? Não podemos simplesmente gravar uma das nossas músicas antigas, temos que escrever uma música nova. Então escrevemos uma música sobre o quanto estávamos apavorados de ir tocar para Jack White, e ela se chama 'Don't Blow It, Kage'."
"Kage", claro, é Kyle Gass, parceiro de Black no Tenacious D. A piada funciona porque transforma o nervosismo em narrativa interna da dupla: dois sujeitos tentando não fazer feio diante de um ídolo. É típico do Tenacious D pegar uma insegurança real e empurrá-la para o exagero, até ela virar hino cômico de sobrevivência roqueira.
Jack White ocupava esse lugar por bons motivos. Desde o White Stripes, ele construiu uma imagem de artista exigente, ligado à tradição do blues, do garage rock, da gravação analógica e de uma certa reverência quase artesanal pela música. Para alguém como Jack Black, que ama o rock de maneira quase religiosa, gravar com White não era só mais uma participação. Era entrar no templo e tentar não tropeçar no altar.
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