Os dois letristas brasileiros que Paulo Ricardo venera: "Estão no Top 5 daqui com certeza"
Por Gustavo Maiato
Postado em 28 de maio de 2026
Paulo Ricardo colocou Cazuza e Vinícius de Moraes entre os maiores letristas da música brasileira. Em entrevista ao canal Alpha FM, o eterno vocalista do RPM falou sobre sua formação artística, a transição da indústria para o streaming e a importância de pensar a música além de singles isolados.

O comentário surgiu quando Paulo explicou sua relação com o formato EP. Ele disse que o EP funciona como um meio-termo entre o single e o álbum. A partir daí, lembrou trabalhos dedicados a Cazuza e Vinícius. "Eu fiz um EP de Cazuza. Cazuza, como Vinícius, é um letrista genial", afirmou. "Talvez os dois do Top 5 daqui. Cazuza e Vinícius estão em qualquer lista, com certeza."
Paulo Ricardo gravou obra de Vinícius com Toquinho
Na entrevista, Paulo Ricardo também falou sobre a vontade de revisitar artistas que fizeram parte de sua formação. Ele citou um disco feito com Toquinho a partir da obra de Vinícius de Moraes. "Há poucos anos eu fiz um disco com Toquinho sobre a obra de Vinícius, trazendo Vinícius para os dias de hoje", disse.
Segundo o cantor, a ideia era manter a força das letras, mas levá-las para seu próprio universo musical. "As letras são atemporais, mas com arranjos dentro do meu universo, da guitarra e dos elementos eletrônicos", afirmou.
Paulo Ricardo disse que sua geração foi formada por um período raro na música brasileira e internacional. Ele citou Beatles, Rolling Stones, Led Zeppelin e Pink Floyd no rock, além de bossa nova, Tropicália, Fagner, Milton Nascimento, Clube da Esquina e Novos Baianos no Brasil. "Minha geração toda veio de períodos muito ricos, tanto na música brasileira quanto na música internacional", afirmou.
RPM e a ditadura
O cantor também lembrou que sua carreira profissional começou no fim da ditadura militar e no período das Diretas Já. Para ele, aquele contexto deu urgência ao que a geração do RPM queria dizer. "A gente tem muito a dizer, coisas que vimos gênios como Chico e Gonzaguinha serem censurados por tentar dizer", afirmou.
Paulo lembrou que o próprio RPM teve problema com censura no primeiro álbum. A faixa "Revoluções por Minuto" teve execução proibida em rádio e difusão pública, informação que aparecia na contracapa do vinil.
Na conversa, Paulo Ricardo também comparou o streaming ao antigo compacto. Ele lembrou que o RPM surgiu em uma época em que o Brasil era um dos maiores mercados de discos do mundo e que a indústria já havia abandonado o compacto.
Com o digital, segundo ele, o single voltou a ocupar o centro da estratégia musical. "Quando o streaming chega, ele propõe uma quase volta digital ao compacto, à linguagem do compacto, dos singles", disse. "Tudo muito rápido."
O cantor afirmou que essa velocidade pode ser tentadora, mas também cria conflito para quem pensa a música como obra mais ampla. "Você termina uma música e lança. É muito rápido", disse. "Isso às vezes cria um conflito numa visão mais profunda da música, do seu tempo, do trabalho que você quer mostrar."
Confira a entrevista completa abaixo.
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