Por que Paul McCartney se recusava a tocar Beatles nos primeiros shows do Wings
Por Bruce William
Postado em 26 de setembro de 2026
Paul McCartney tinha acabado de sair dos Beatles e carregava consigo um catálogo que resolveria facilmente qualquer repertório de show. Quando montou o Wings, porém, escolheu justamente o caminho mais complicado: durante os primeiros anos, deixou de lado as músicas da antiga banda mesmo sabendo que era aquilo que boa parte da plateia queria ouvir.
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Não foi por desprezo ao passado. McCartney queria que o Wings tivesse a oportunidade de existir por conta própria. Em entrevista publicada pela Billboard em 2001, contou que até os promotores insistiam para que ele incluísse Beatles nos shows. A resposta era sempre negativa. "Era como uma regra", lembrou. "Mesmo que tivéssemos apenas 11 músicas", o grupo seguiria adiante sem recorrer ao repertório antigo.
A decisão fazia parte de uma estratégia maior. Paul sabia que qualquer coisa que fizesse depois dos Beatles seria imediatamente comparada à antiga banda e não queria montar um grupo que funcionasse como continuação disfarçada. Anos depois, resumiu a ideia de maneira bastante simples: "Eu poderia ter montado um grupo muito profissional e feito as coisas de maneira muito parecida com os Beatles. Mas eu não queria fazer isso."
Isso ajudou a tornar os primeiros tempos do Wings particularmente ingratos. O grupo começou praticamente do zero, fez uma célebre turnê improvisada por universidades britânicas e recebeu críticas duras por discos como "Wild Life". McCartney admitiria mais tarde que estava propositalmente resistindo à tentação de oferecer ao público algo parecido com os Beatles.
A trava começou a desaparecer quando o Wings passou a ter repertório e sucesso suficientes para não depender daquele passado. Depois de "Band on the Run" e de outros hits, McCartney finalmente sentiu que a banda estava estabelecida. Conforme relembra a Far Out, na enorme turnê mundial de 1975 e 1976, músicas dos Beatles como "Yesterday", "Blackbird", "Lady Madonna" e "The Long and Winding Road" entraram no set.
O curioso é que, depois de passar anos evitando justamente isso, McCartney acabaria fazendo o movimento inverso. Com o Wings já provado e, posteriormente, em sua carreira solo, passou a tratar as músicas dos Beatles como parte natural do próprio repertório. O problema nunca havia sido tocá-las. Era precisar delas para convencer o público de que sua nova banda merecia existir.
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