Ex-Rainbow diz que John Bonham "odiava turnês" e estaria vivo se tivesse descansado
Por Gustavo Maiato
Postado em 26 de maio de 2026
Tony Carey, ex-tecladista do Rainbow, afirmou que John Bonham, baterista do Led Zeppelin, era infeliz na estrada e "odiava fazer turnês". Em entrevista a Cassius Morris, o músico disse que o amigo queria passar mais tempo com a família e sugeriu que a rotina pesada de shows contribuiu para seu consumo excessivo de álcool.
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Bonham morreu em 25 de setembro de 1980, aos 32 anos. Sua morte encerrou a história do Led Zeppelin, que decidiu não seguir adiante sem o baterista. Ao longo dos anos, ele se tornou um dos nomes mais influentes da bateria no rock, mas sua vida também ficou marcada por excessos e longas temporadas fora de casa.
Carey disse que é preciso evitar a mitificação dos músicos. Para ele, artistas lendários não devem ser tratados como personagens de quadrinhos, mas como pessoas reais, com problemas, desejos e limites.
"A coisa que você precisa realmente ter em mente é que estamos falando de pessoas reais", afirmou. "Outro bom amigo meu foi John Bonham, e ele era infeliz. Ele odiava fazer turnês."
A morte de John Bonham
O ex-Rainbow citou Jason Bonham, filho de John, ao falar da vontade do baterista de ficar na Inglaterra. No relato, Carey disse que Jason "tinha acabado de nascer em 76 ou 77", embora Jason tenha nascido em 1966. A ideia central, porém, era mostrar que Bonham queria estar perto da família.
"John queria estar na Inglaterra com seu filho pequeno, sabe?", disse Carey. "Ele não queria estar na estrada na América, e bebia demais."
A frase mais forte veio em seguida. Para Carey, a vida longe de casa agravou um comportamento destrutivo que poderia ter sido menor em outro contexto.
"Ele não teria bebido tanto se estivesse com sua família", afirmou. "E ele, acidentalmente, bebeu até morrer."
Carey também criticou a forma como fãs transformam músicos em figuras inalcançáveis. Para ele, esse tipo de idolatria apaga a fragilidade humana por trás da imagem pública.
"É realmente crucial lembrar que não estamos falando dos quadrinhos da Marvel, de super-heróis e do Homem-Aranha", disse. "Estamos falando de pessoas. E pessoas são pessoas."
A declaração recoloca Bonham em um ponto menos glamouroso da história do rock. Ele foi um baterista poderoso, dono de uma pegada que definiu parte do som do Led Zeppelin. Mas, segundo Carey, também era alguém cansado, insatisfeito com a estrada e distante da vida familiar que desejava ter.
O relato contrasta com outra imagem conhecida de Bonham: a do músico seguro e decidido dentro do estúdio. O produtor Ron Nevison, que trabalhou em gravações de Physical Graffiti, disse em entrevista que o baterista sabia exatamente o som que queria. "Não tinha enrolação com ele", afirmou Nevison. "Ele sabia o que queria."
Segundo o produtor, Bonham indicou onde queria gravar a bateria e rejeitou microfonações extras. "Comecei a colocar microfones ao redor da bateria. Ele disse: 'Não'", contou. No fim, Nevison usou apenas um par estéreo no alto da escadaria, som que entrou nas faixas registradas para o álbum.
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