Baixista do Rappa conta bastidor intenso sobre Marcelo Yuka: "Era para eu estar no carro"
Por Gustavo Maiato
Postado em 24 de maio de 2026
O baixista Lauro Farias, ex-integrante de O Rappa, revelou em entrevista ao canal Corredor 5 que poderia estar no carro em que o baterista Marcelo Yuka foi baleado, em 2000. O músico contou que recebeu uma ligação pouco antes e decidiu não seguir viagem com o colega. "Era para eu estar nesse carro", disse.
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A declaração foi dada em conversa sobre o período mais intenso e traumático da história da banda. Lauro afirmou que Yuka foi atingido por mais de 20 tiros. O episódio deixou o baterista paraplégico e interrompeu a trajetória do grupo em seu auge comercial e artístico.
Segundo Lauro, a mudança de planos ocorreu por causa de uma viagem. Ele não queria embarcar em um avião no dia seguinte e acabou escolhendo outra alternativa. "Um ônibus ia sair dali a duas horas. Eu preferi o ônibus, cara. Então aquilo me salvou, de certa forma", afirmou.
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O baixista disse que nunca conseguiu compreender totalmente o episódio. "Vai entender. A vida é um negócio difícil de a gente entender. Agora, por que eu? E por que ele teve que passar por aquilo? Não sei, cara", declarou.
Na entrevista, Lauro também falou sobre a culpa que sentiu depois do atentado. Ele contou que estava em casa, arrumando a mala para viajar, quando recebeu a notícia de que Yuka estava no hospital. "Vai para o hospital agora. O Yuka está morrendo", lembrou. "Foi quando começou toda essa situação de me sentir culpado."
O músico comparou a sensação à culpa de sobreviventes de acidentes. "As pessoas, quando sobrevivem a um acidente, se sentem meio culpadas. Pô, por que eu fiquei? Tem essa parada também", disse.
A conversa também passou por Lado B Lado A, disco de 1999 que consolidou O Rappa como uma das bandas mais importantes do País naquele período. Lauro classificou o álbum como o ponto mais alto da carreira do grupo. "É o disco mais foda da nossa carreira", afirmou.
Ele lembrou que o trabalho foi gravado no Estúdio Mínimo e depois ganhou força no Real World Studios, na Inglaterra. Para o baixista, a música "Minha Alma" marcou uma virada. "Ali foi um divisor de águas na nossa carreira", disse.
O atentado contra Yuka mudou a rotina da banda. Lauro afirmou que o grupo parou no momento em que fazia muitos shows, recebia premiações e vivia grande exposição. "A gente estava numa correria", contou. "Ali parou tudo."
Confira a entrevista completa abaixo.
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