O disco que foi um fracasso mas tirou Neil Young do buraco com apenas 45 minutos de trabalho
Por Bruce William
Postado em 24 de maio de 2026
"Forever Changes" é um daqueles discos que parecem ter nascido no lugar errado da própria época. Hoje, o álbum do Love costuma aparecer em listas de grandes obras dos anos 60, mas em 1967 a história foi bem menos gloriosa. Lançado pela Elektra em novembro daquele ano, o disco chegou apenas ao 154º lugar nos Estados Unidos, embora tenha ido melhor no Reino Unido, onde alcançou a 24ª posição. A Biblioteca do Congresso dos EUA registra esse desempenho modesto e também lembra que o reconhecimento mais amplo veio só anos depois.

A banda de Arthur Lee tinha tudo para virar uma lenda ainda em tempo real: visual forte, ligação com a cena de Los Angeles, dois álbuns anteriores respeitáveis e uma sonoridade que misturava psicodelia, folk, arranjos orquestrais e uma sensação estranha de fim de festa. O problema é que "Forever Changes" não virou o estouro que poderia ter sido. Em vez de abrir caminho para Love, acabou marcando a última gravação da formação clássica; depois do álbum, Bryan MacLean deixou o grupo e Lee reformulou a banda, relata a Wikipedia.
Neil Young entrou nessa história quase como um personagem de bastidor. No fim de 1967, ele também vinha de uma fase ruim. O Buffalo Springfield atravessava problemas internos, confusões de empresário, prisões ligadas a drogas e uma instabilidade que logo levaria ao fim da banda. Young ainda não era o artista solo consolidado que o mundo conheceria depois. Estava apertado, desanimado e, segundo a Far Out, perto de abandonar a ideia de seguir naquela estrada.
Bruce Botnick, produtor e engenheiro ligado ao Love, teria percebido a situação e ajudado a colocar Young nos créditos de Forever Changes como coprodutor. A ironia é que sua participação efetiva parece ter sido mínima. Johnny Echols, guitarrista do Love, disse à Uncut que a banda não iria ouvi-lo como produtor, porque ele era amigo deles. Segundo Echols, Young passou "talvez 45 minutos, no máximo" no estúdio com o grupo.
Mesmo assim, aqueles 45 minutos tiveram valor. Não necessariamente para mudar o som de "Forever Changes", mas para colocar algum dinheiro no bolso de Young num momento delicado. A ideia da Far Out é justamente essa: um dos álbuns mais injustiçados de 1967 acabou ajudando, de forma quase lateral, um músico que logo depois assinaria com a Reprise e iniciaria uma carreira solo enorme. Não foi uma grande cena cinematográfica, nem um produtor salvando um disco no último minuto. Foi mais estranho e mais real: um crédito, uma ajuda, um respiro.
O curioso é que Love e Neil Young seguiram trajetórias opostas depois dali. "Forever Changes" fracassou comercialmente no lançamento e só ganhou sua aura com o tempo. Young, por outro lado, saiu daquela fase instável para construir uma discografia que passaria por "Everybody Knows This Is Nowhere", "After the Gold Rush" e "Harvest" em poucos anos. A sorte que faltou a Arthur Lee naquele momento parece ter aparecido para Young pela porta lateral.
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