O hábito nojento que virou demonstração de respeito nos shows punk dos anos setenta
Por Bruce William
Postado em 10 de agosto de 2026
Suor, cerveja derramada e sujeira faziam quase parte da decoração de lugares como o CBGB, em Nova York. Mas quando algumas das bandas formadas naquele ambiente atravessaram o Atlântico nos anos 1970, descobriram que o público britânico havia acrescentado um componente bem menos agradável à experiência punk: cusparadas.
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Aquilo se tornou comum em apresentações do gênero no Reino Unido. Músicos cuspiam na plateia, fãs respondiam cuspindo no palco e, de maneira bastante peculiar, a prática passou a ser interpretada por parte daquele público como demonstração de entusiasmo ou respeito.
Uma possível origem costuma ser ligada a Rat Scabies, baterista do The Damned. Durante um show em meados dos anos 1970, ele teria cuspido em direção a um espectador que havia jogado uma garrafa de cerveja no palco. A partir daí, a prática ganhou vida própria.
David Byrne conheceu esse costume em 1977, quando o Talking Heads acompanhou os Ramones numa excursão que passou pelo Roundhouse, em Londres. O público britânico ainda conhecia pouco as duas bandas e demonstrou bastante curiosidade - além de entusiasmo em forma de cusparadas. "Havia algo realmente ótimo naquela turnê porque, tirando talvez alguns singles, o público nunca tinha nos visto. Então havia muita curiosidade e abertura para nós e para os Ramones, apesar de sermos tão diferentes", lembrou Byrne, em fala resgatada pela Far Out.
A parte menos agradável veio em seguida. "Alguém na plateia estava cuspindo nas bandas e, claro, os Ramones realmente não gostaram. Compreensivelmente, eles não viam aquilo como um sinal de respeito. 'Estamos com vocês, então vamos cuspir em vocês'. Os Ramones recebiam mais disso do que nós. Mas pelo menos eles tinham jaquetas de couro. Nós não."
A moda acabaria desaparecendo, o que provavelmente foi uma das raras evoluções da etiqueta de shows capaz de unir músicos de praticamente todos os estilos. O punk podia querer destruir convenções, mas até Joey Ramone aparentemente encontrou um limite.
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