Regis Tadeu explica como o linchamento virtual antecedeu a morte de Champignon
Por Gustavo Maiato
Postado em 19 de agosto de 2026
Regis Tadeu dedicou um vídeo a reconstituir o contexto que cercou a morte de Champignon, baixista do Charlie Brown Jr., em setembro de 2013 - seis meses após a morte de Chorão. Para o jornalista, o caso é mais do que uma tragédia pessoal: é o retrato de um linchamento coletivo impulsionado pelas redes sociais.
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"O que aconteceu com o Champignon foi evidentemente uma tragédia pessoal, mas foi também um atestado da falência da empatia humana, impulsionado pela covardia digital", afirmou. Regis descreveu o músico como um baixista fenomenal, dono de um groove monstruoso e figura fundamental na construção da identidade de uma geração inteira.
O estopim do conflito, segundo o jornalista, foi a criação da banda A Banca após a morte de Chorão. O objetivo era manter a equipe de profissionais que trabalhava com o Charlie Brown Jr. empregada e honrar a história do amigo. Champignon assumiu os vocais. "Ele criou a banda para manter todo mundo da equipe continuar trabalhando e recebendo alguma grana", explicou Regis.
A reação da internet foi outra. Começou uma onda de cobranças e ataques que classificaram o músico como traidor e oportunista. O ponto mais grave, segundo o relato, foi a viralização de uma montagem com a foto da nova banda intitulada "Os Mercenários", com uma tarja sobre o rosto de Champignon escrita "Eu sou Judas". "Chamar o Champignon, já fragilizado, que deu o sangue pela banda, de traidor e mercenário, foi de uma crueldade sem tamanho", disse o jornalista.
O contexto emocional agravava a situação. Champignon vivia um luto duplo - além de Chorão, havia perdido quatro meses antes o guitarrista Pelado, outro amigo próximo. Regis relatou que o baixista conversou longamente com o músico Peri Carpigiani sobre as cobranças que vinha recebendo e sobre a dor de ser acusado de oportunismo por quem desconhecia os bastidores.
Cláudia Bosley, viúva do músico, relatou posteriormente que ele chorou copiosamente naquele domingo, 8 de setembro, sob o peso das críticas. Externamente, tentava demonstrar alegria com a gravidez de cinco meses da esposa. Anotações encontradas em cadernos de ensaio, feitas dias antes, registravam frases como "vivo num pesadelo que nunca tem fim".
Champignon morreu na madrugada de 9 de setembro de 2013, aos 35 anos.
Para Regis, o episódio expõe uma responsabilidade coletiva. "O que ficou disso tudo foi o retrato escancarado de uma sociedade doente que preferiu linchar o Champignon em vez de acolher o cara", afirmou. O jornalista encerrou com um apelo direto ao público: "Tomem cuidado com aquilo que vocês escrevem na internet, porque do outro lado pode ter uma pessoa muito fragilizada."
Confira o vídeo completo neste link.
Se você ou alguém que conhece precisa de ajuda, o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende 24 horas pelo telefone 188, por chat no site cvv.org.br ou por e-mail. O atendimento é gratuito e sigiloso.
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