Banda de metal cristão Demon Hunter processa Netflix por "Guerreiras do K-pop"
Por João Renato Alves
Postado em 19 de agosto de 2026
A banda de metal cristão Demon Hunter ingressou com ação na justiça contra a Netflix por conta da série "Kpop Demon Hunters" – no Brasil, conhecida como "Guerreiras do K-pop". Alegando estar "protegendo zelosamente e fazendo valer os seus próprios direitos de propriedade intelectual", o grupo acusa a empresa de "desrespeitar deliberadamente os direitos de terceiros em busca de lucros".

Na apelação, o conjunto sustenta: "Demon Hunter é uma banda de metal renomada e aclamada. Foi formada na virada do século e, no quarto de século que se seguiu, lançou álbuns de forma consistente, realizou turnês e vendeu produtos para um público vasto e dedicado. Infelizmente, em 2025, a Netflix e a Netflix Studios - embora quase certamente estivessem cientes da existência da Demon Hunter - optaram por lançar um filme intitulado 'KPop Demon Hunters'… que alcançou níveis de sucesso sem precedentes, não apenas como filme no serviço de streaming da Netflix, mas também por meio da trilha sonora e dos produtos licenciados de 'KPop Demon Hunters'."
Fazendo referência à parceria da Netflix com a AEG para lançar a turnê mundial de shows "KPop Demon Hunters" - prevista para 2027 e abrangendo 150 cidades -, a ação judicial acrescentou: "Em suma, no período de apenas um ano, as Rés adotaram sucessivas medidas para passar a atuar em um cenário de sobreposição quase total com os produtos e serviços oferecidos pela Hyde Lane sob a marca Demon Hunter. Como resultado da adoção e exploração da marca 'KPop Demon Hunters' - que é confusamente semelhante à marca da banda, já consolidada pela usuária pioneira Hyde Lane -, as usuárias posteriores Netflix, Netflix Studios e AEG criaram uma probabilidade substancial de confusão (tendo, de fato, ocorrido confusão real), levando os consumidores a acreditar que os produtos ou serviços das partes são afiliados, patrocinados ou de outra forma conectados entre si."
A petição alega que a semelhança entre as marcas criou "uma probabilidade substancial de confusão" e que "já ocorreu confusão real", com consumidores supostamente acreditando que as empresas são afiliadas ou conectadas.
Segue o texto: "De forma ainda mais devastadora, ao aproveitar seus recursos e alcance superiores, as Rés podem - e de fato o fazem - ofuscar as marcas Demon Hunter da Hyde Lane no mercado e apropriar-se indevidamente da capacidade dessas marcas de identificar a origem dos produtos, esvaziando o significado que elas carregam. Assim, o porte e a força maiores das Rés sobrepõem-se à identidade consolidada da Hyde Lane, levando os consumidores a acreditar que a banda é afiliada, patrocinada ou derivada das Rés, e privando a Hyde Lane de controle sobre o seu próprio destino comercial."
A banda afirmou ter "estabelecido a marca primeiro e investido, ao longo de décadas, no valor e na reputação a ela associados", descrevendo-se como a "usuária pioneira" (ou detentora do direito de uso anterior).
A petição inicial acrescentou: "A marca que a Hyde Lane construiu cuidadosamente ao longo do último quarto de século enfrenta agora uma crise existencial, tornando necessária a propositura desta ação e a concessão, por parte deste Tribunal, das medidas pleiteadas."
O Demon Hunter solicitou ao tribunal que impeça a Netflix de utilizar o nome "KPop Demon Hunters" em gravações musicais, apresentações ao vivo e produtos licenciados, bem como que determine o pagamento de indenização por danos, em valor a ser definido.
Fundado em Seattle no ano 2000, o Demon Hunter conta com 12 álbuns de estúdio em sua discografia. O mais recente, "There Was a Light Here", saiu em setembro do ano passado. O trabalho chegou ao 9º lugar na parada de música cristã da Billboard.
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