A canção "nada a ver" que o Metallica gravou por parecer ser feita para eles; "somos nós"
Por Bruce William
Postado em 18 de agosto de 2026
Quando o Metallica decidiu mergulhar de vez em versões para "Garage Inc.", lançado em 1998, não ficou restrito às referências mais óbvias do heavy metal e do punk. Uma das escolhas mais marcantes veio de Bob Seger, artista ligado a outro universo sonoro, mas com uma música cuja letra James Hetfield percebeu que poderia facilmente descrever a própria banda.
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"Turn the Page" havia sido lançada por Seger em 1973 no álbum "Back in '72", embora tenha ganhado projeção sobretudo com a gravação ao vivo incluída em "Live Bullet", de 1976. A canção retrata o desgaste de quem passa a vida viajando, enfrentando hotéis, estradas, olhares de estranhos e a repetição interminável de subir novamente ao palco.
A ideia de levá-la ao Metallica partiu de Lars Ulrich. Hetfield contou que o baterista ouviu a faixa no rádio e perguntou se ele a conhecia. A resposta não exigiu muita negociação: "Sim, eu realmente gosto dessa música. A letra somos nós."
Para Hetfield, isso praticamente decidiu a questão. "Liricamente, especialmente, ela pertencia ao Metallica. 'On the road again', somos os caras da estrada. É uma música com a qual conseguimos realmente nos identificar. E ficou muito boa."
O grupo não tentou simplesmente reproduzir o arranjo de Seger, explica a Far Out. Na versão do Metallica, Kirk Hammett transportou para a guitarra a linha de saxofone que é uma das marcas mais reconhecíveis da gravação original, enquanto a interpretação de Hetfield deixou a faixa consideravelmente mais pesada sem apagar seu caráter melancólico.
"Turn the Page" acabou sendo lançada como primeiro single de "Garage Inc." e chegou ao topo da parada Mainstream Rock da Billboard. O videoclipe dirigido por Jonas Åkerlund também chamou atenção ao acompanhar a rotina de uma trabalhadora sexual, reforçando uma leitura de desgaste e solidão diferente da narrativa literal sobre músicos em turnê.
A escolha pode ter parecido improvável dentro do repertório de uma banda que também homenageava nomes como Diamond Head, Misfits e Motörhead. Para Hetfield, contudo, bastava olhar para a letra: depois de tantos anos vivendo entre ônibus, hotéis, arenas e quilômetros de estrada, o Metallica não precisava fazer grande esforço para entrar naquela história.
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