A resposta de Regis Tadeu a quem diz que Alex Lifeson é a parte mais fraca do Rush
Por Gustavo Maiato
Postado em 13 de agosto de 2026
Regis Tadeu não escondeu a irritação ao abordar um consenso que circula em fóruns e comunidades de guitarristas na internet: a ideia de que Alex Lifeson seria o elo fraco do Rush. Em vídeo publicado em seu canal, o jornalista classificou a tese como "uma completa e irresponsável ignorância crônica misturada com falta de memória" e passou os minutos seguintes desmontando o argumento com nomes e exemplos concretos.
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O ponto de partida da defesa é uma lista de testemunhos. Regis lembrou que, quando era diretor da revista Cover Guitarra, entrevistou John Petrucci, do Dream Theater, e ouviu do guitarrista que toda a matriz do metal progressivo moderno derivou diretamente do DNA de Lifeson. Petrucci teria admitido abertamente que seu vocabulário de acordes abertos, a precisão nos riffs e a mentalidade de arranjo nasceram do estudo dos discos do Rush.
Alex Lifeson é o pior do Rush?
Kirk Hammett, do Metallica, é o segundo nome citado. Segundo Regis, o guitarrista já declarou em várias entrevistas que a estrutura das bases do Metallica nos anos 1980 - a forma de intercalar o peso da palhetada abafada com arpejos abertos e uma certa dramaticidade - veio diretamente do que aprendeu ouvindo "A Farewell to Kings" (1977) e "Permanent Waves" (1980). Tom Morello, por sua vez, mantém Lifeson no topo de suas influências até hoje, justamente pelo uso da guitarra como ferramenta atmosférica, e não como veículo de solos exibicionistas.
Para o jornalista, o apagamento histórico de Lifeson tem duas explicações. A primeira é o critério com que o público avalia guitarristas: velocidade e pirotecnia de pentatônica. "O Alex Lifeson nunca se prestou a esse tipo de papel de exibicionista barato", afirmou Regis. "Ele sempre pensou como um compositor e arranjador, não como um garoto querendo impressionar a plateia com velocidade inútil." A sofisticação harmônica, nesse cenário, passa batido.
A segunda razão é mais estrutural: Lifeson dividiu a banda com Geddy Lee e Neil Peart. "Em qualquer outra banda, o guitarrista seria o centro absoluto das atenções", observou o jornalista.
No Rush, ele precisou inventar uma maneira de coexistir com dois virtuoses sem que o som ficasse poluído ou magro. A solução foi abandonar a disputa por espaço e criar o que Regis chama de abordagem espacial e arquitetônica - uso de cordas soltas combinadas com posições na parte alta do braço, extensões harmônicas com nonas, quintas suspensas e sétimas, deixando as cordas mi e si ressoando enquanto executava bases complexas no meio do braço.
Regis apontou algumas faixas como prova. Os acordes de abertura de "Cygnus X-1 Book II", de "Hemispheres" (1978), criariam "um universo inteiro de tensão e amplitude" sem recorrer a overdubs desnecessários. A introdução arpejada de "Closer to the Heart" (1977) demonstraria o uso de notas abertas para gerar atmosfera cristalina. "Limelight" e "The Spirit of Radio" trariam riffs que funcionam como lições anatômicas de arpejos intercalados com bordões soltos.
Os solos receberam atenção separada. Para o jornalista, Lifeson nunca encarou o solo como momento egoísta de exibição técnica, mas como extensão emocional das letras de Neil Peart. O de "Limelight" traduziria com precisão o sentimento de isolamento presente no texto, com uso magistral de alavanca, bends e delay.
Em "La Villa Strangiato", a construção sairia de um sussurro quase imperceptível até explodir em fúria técnica sem perder o lirismo. Já o solo de "Kid Gloves", do disco "Grace Under Pressure" (1984), foi definido como obra-prima: enquanto a música corre em compasso quebrado, o solo muda para 4/4, saltitante, misturando arpejos rápidos, ligados, harmônicos agudos e modulação de alavanca.
Regis fechou o argumento apontando ainda o pioneirismo tecnológico do guitarrista. Nos anos 1980, quando o Rush abraçou os sintetizadores, Lifeson recorreu a processadores digitais, coros, delays encadeados e um sistema complexo de amplificação, transformando as guitarras em "orquestras eletroacústicas" capazes de cortar a densidade dos teclados. "Vamos parar de montar essas listinhas fajutas baseadas em quantos quilômetros por hora um sujeito consegue fritar notas numa escala menor", concluiu o jornalista.
Confira o vídeo completo abaixo.
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