O integrante do Led Zeppelin que se sentiu inseguro na primeira turnê feita pela banda
Por Bruce William
Postado em 25 de junho de 2026
É fácil olhar para Robert Plant nos anos 1970 e imaginar que aquela figura sempre existiu pronta. O cabelo enorme, a camisa aberta, a voz atravessando paredes, a pose de vocalista que parecia ter nascido em cima de um palco. Mas o começo do Led Zeppelin foi bem menos mitológico do que a lembrança permite supor.
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Quando Jimmy Page chamou Plant para seu novo projeto, o cantor tinha apenas 19 anos e vinha de experiências muito menores. Ele não era ainda o frontman dourado que comandaria arenas. Era um garoto saindo de palcos pequenos, tentando entender como ocupar um espaço muito maior diante de uma banda que, desde o início, parecia tocar com força demais para caber em qualquer sala.
A primeira turnê aconteceu em 1968, ainda sob o nome The New Yardbirds, antes de o Led Zeppelin assumir definitivamente sua identidade. Para o público escandinavo que viu aqueles shows iniciais, a situação também era estranha: o nome remetia aos Yardbirds, mas o único rosto realmente reconhecível ali era Jimmy Page. Plant precisava se apresentar ao mundo quase sem tempo para aprender a ser quem o mundo passaria a enxergar nele.
Segundo a Far Out, o empresário Peter Grant percebeu essa insegurança no início. Em citação atribuída ao livro "Led Zeppelin IV: Rock of Ages", Grant lembrou que Plant ainda não tinha muita confiança e que ele próprio tentava proteger a banda das críticas mais duras. "Ele realmente tinha um pouco de falta de confiança no começo. Quero dizer, eu costumava esconder todas as críticas negativas que recebíamos."
A atitude de Grant diz bastante sobre aquele momento. O Led Zeppelin ainda estava formando sua linguagem, e a imprensa nem sempre entendeu de imediato o que estava acontecendo. A banda receberia pancadas pesadas nos anos seguintes, inclusive de veículos importantes. O som que depois seria tratado como base do hard rock moderno também foi chamado de exagerado, monótono ou antiquado por críticos que não estavam prontos para aquela mistura de blues, peso e volume.
Plant, porém, não precisava apenas lidar com crítica. Ele também precisava lidar com o próprio corpo no palco. Anos depois, o vocalista admitiu que, no começo, nem sabia direito o que fazer durante as longas passagens instrumentais da banda. "Eu nem sabia o que fazer com meus braços. Agora entendo por que Joe Cocker fazia aquilo por um tempo. Porque o que você vai fazer? Havia tantos solos."
A frase desmonta um pouco a imagem do deus do rock já completo. Antes da segurança, havia constrangimento. Antes da presença hipnótica, havia um jovem tentando descobrir como se portar enquanto Page, John Paul Jones e John Bonham ocupavam o espaço com solos, viradas e passagens que exigiam mais do que apenas cantar no momento certo.
Com o tempo, Plant foi encontrando seu lugar. Não apenas como voz, mas como presença cênica e depois como letrista. O primeiro álbum do Led Zeppelin ainda trazia um cantor em combustão, muitas vezes mais preocupado em alcançar a intensidade da banda do que em medir a própria entrega. Ele mesmo reconheceu isso em entrevista a Cameron Crowe, em 1973. "Eu estava gritando demais no primeiro álbum. Parei de gritar um pouco no segundo. No terceiro, finalmente aprendi a cantar."
É uma confissão rara para alguém que virou sinônimo de potência vocal. Plant não trata seu desenvolvimento como milagre, mas como aprendizado. Ele precisou entender a diferença entre volume e expressão, entre ocupar espaço e dominar espaço, entre responder à fúria da banda e criar uma identidade própria dentro dela.
Esse crescimento ajuda a explicar por que o Led Zeppelin ficou tão grande tão rápido. A banda não nasceu perfeitamente resolvida, apesar da experiência de Page e Jones em estúdio e da força natural de Bonham. Havia ali um cantor jovem sendo jogado em uma máquina poderosa, com críticas aparecendo, expectativas confusas e plateias tentando entender que tipo de monstro estava se formando.
A ironia é que justamente essa insegurança inicial torna Robert Plant mais interessante. O vocalista que parecia inatingível nos anos seguintes começou sem saber onde colocar os braços. Peter Grant escondia críticas ruins para preservar sua confiança. Plant berrava demais, depois aprendeu a cantar. O mito não veio pronto. Foi construído show a show, até aquele garoto de 19 anos se tornar uma das figuras mais reconhecíveis da história do rock.
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