O músico que The Edge, do U2, gostaria de encontrar no céu
Por Bruce William
Postado em 20 de junho de 2026
The Edge construiu sua carreira sem tentar vencer a velha corrida do guitarrista mais rápido, mais técnico ou mais exibicionista. No U2, sua marca veio de outro lugar: poucas notas, muito espaço, delay, textura e uma preocupação constante em fazer a guitarra soar maior do que parecia possível.
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Por isso, sua admiração por Jimi Hendrix não passa pela simples vontade de tocar igual. The Edge nunca se apresentou como herdeiro direto daquele blues elétrico incendiado, cheio de feedback, distorção e improvisos em estado de combustão. O que o impressiona é algo anterior à técnica: a capacidade de fazer o instrumento parecer uma extensão emocional do corpo.
Hendrix mudou a forma como a guitarra elétrica era ouvida. Em músicas como "Purple Haze", "Little Wing", "Voodoo Child (Slight Return)" e na releitura do hino americano em Woodstock, ele tratava ruído, bends, microfonia e volume como parte da linguagem. Não era apenas tocar notas. Era criar uma voz que às vezes cantava, gritava, gemia ou desmoronava.
Quando perguntado sobre quem gostaria de encontrar no céu, The Edge escolheu Hendrix. "Espero que Jimi Hendrix", disse, em fala publicada na Far Out. "Não toco nada como Jimi Hendrix, mas, para expressar algo emocionalmente por meio do instrumento, ele realmente fazia isso. Mais do que qualquer outro guitarrista, ele tinha essa capacidade."
A resposta ajuda a entender o próprio The Edge. Sua guitarra no U2 também não se apoia apenas no que está escrito na partitura. Em "Where the Streets Have No Name", "Bad", "With or Without You" e "The Fly", o som depende tanto da atmosfera quanto do acorde. O efeito não está ali para enfeitar; faz parte da composição.
Hendrix usava a guitarra como uma força física, muitas vezes parecendo prestes a perder o controle. The Edge foi para o lado oposto, construindo arquitetura, repetição e espaço. Ainda assim, os dois se encontram numa mesma ideia: a de que a guitarra pode expressar algo que a voz talvez não consiga dizer sozinha.
Talvez por isso a escolha de Hendrix soe tão natural. The Edge não queria perguntar apenas como ele fazia um riff ou regulava um amplificador. Queria encontrar o músico que, mais do que qualquer outro, mostrou que uma guitarra podia deixar de ser acompanhamento, solo ou demonstração - e virar linguagem emocional completa.
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