As bandas britânicas dos anos oitenta que decepcionaram o guitarrista do U2
Por Bruce William
Postado em 26 de julho de 2026
O U2 conseguiu atravessar diferentes fases do rock sem desaparecer dentro de nenhuma delas. A banda absorveu punk, pós-punk, música eletrônica e rock de arena, mas raramente pareceu apenas correr atrás do que estava em alta. Para The Edge, essa capacidade dependia de prestar atenção ao mundo ao redor sem permitir que ele determinasse completamente o rumo artístico.
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Em entrevista à revista Mojo, o guitarrista explicou que ignorar o que acontece culturalmente pode transformar um músico em alguém isolado. "Você pode fazer algo completamente contra a corrente, mas ainda assim precisa saber onde está a corrente", afirmou.
The Edge comparou esse movimento ao fluxo de um rio. Segundo ele, quem deixa de observar o ambiente corre o risco de acabar preso numa espécie de braço morto, afastado de tudo o que está acontecendo. O U2 procurava justamente o contrário: continuar inserido na cultura popular, mas com liberdade para experimentar.
Ao falar sobre bandas que não teriam conseguido manter esse equilíbrio, o músico citou Echo and the Bunnymen e The Teardrop Explodes. Os dois grupos surgiram em Liverpool no fim dos anos 1970 e se tornaram nomes importantes do pós-punk britânico, mas demonstravam uma atitude que o incomodava quando o assunto era os Estados Unidos.
The Edge recordou conversas com integrantes das duas bandas e classificou como negativa a visão que mantinham do país. Para ele, os músicos enxergavam apenas o lado mais comercial do mercado americano e ignoravam os espaços em que ideias mais ousadas circulavam.
"Você pode encontrar o nível ultracomercial, mas também há, mesmo que no circuito alternativo, algumas das rádios mais progressistas e interessantes do mundo, como as universitárias e as públicas", explicou, conforme publicado na Far Out.
Essa diferença de postura teve consequências práticas. Enquanto várias bandas britânicas encaravam os Estados Unidos como um território culturalmente pobre ou dominado apenas pela indústria, o U2 percebeu que havia públicos, rádios e cenas locais capazes de receber trabalhos menos convencionais.
A banda irlandesa não abandonou sua identidade para conquistar o mercado americano. Em vez disso, aprendeu a circular por ele, aproveitando oportunidades sem fechar os olhos para suas contradições. Essa abertura ajudaria o grupo a crescer durante os anos 1980 e a alcançar uma dimensão internacional que poucos contemporâneos conseguiram.
A crítica de The Edge não era exatamente sobre o valor musical do Echo and the Bunnymen ou do The Teardrop Explodes. O que o decepcionava era a recusa em enxergar além de uma impressão inicial. Para ele, limitar a própria visão do mundo também significa limitar os lugares a que a música pode chegar.
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