O álbum que David Gilmour recomenda a quem quer aprender a tocar guitarra
Por Bruce William
Postado em 19 de agosto de 2026
David Gilmour é daqueles guitarristas reconhecíveis em poucas notas, o que torna um pouco irônica a maneira como ele recomenda que alguém comece a procurar uma identidade própria: copiando outro músico o mais fielmente possível.
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O disco escolhido por ele para esse exercício é "Blues Breakers with Eric Clapton", lançado em 1966 por John Mayall & the Bluesbreakers e eternizado também pelo apelido de "Beano Album". Clapton havia acabado de deixar o Yardbirds e encontrou ali um espaço perfeito para desenvolver um som de guitarra que teria enorme influência sobre o blues britânico e o rock pesado dos anos seguintes.
Gilmour passou justamente por essa escola. "Todos aqueles caras eram incríveis. Passei um tempo tentando aprender os fraseados deles perfeitamente. Eu sugeriria a qualquer jovem guitarrista que sentasse e tentasse fazer isso", contou. A ideia não era simplesmente decorar solos: depois de algum tempo, segundo ele, o músico começa a dominar aquela linguagem e inevitavelmente se afasta da cópia.
"Eventualmente, você encontra seu próprio estilo a partir disso. Ele acaba surgindo da própria imitação", explicou Gilmour, conforme publicado na Guitar Player. É uma filosofia que combina bem com sua própria formação, construída a partir de referências bastante diferentes entre si. Em entrevista de 1985, ele lembrou que estudava Lead Belly no violão de 12 cordas, Hank Marvin na guitarra solo e, posteriormente, Clapton.
O "Beano Album" oferece bastante material para esse tipo de aprendizado. Além de composições próprias, traz versões de nomes como Freddie King e Robert Johnson, com Clapton levando o vocabulário tradicional do blues para um volume e uma agressividade que ainda eram pouco comuns em discos britânicos de 1966.
Gilmour acabaria chegando a uma maneira de tocar bastante diferente da de Clapton. Seus bends longos, economia de notas e preocupação com melodia se tornaram elementos fundamentais do Pink Floyd. Mas ele nunca tratou essas características como algo surgido do nada: o blues continuou fazendo parte de sua linguagem mesmo depois que deixou de pensar conscientemente nos velhos clichês do gênero.
Talvez seja justamente essa a parte mais interessante do conselho. Para Gilmour, desenvolver personalidade na guitarra não significa fugir das influências desde o primeiro dia. Pode começar exatamente pelo contrário: copiar obsessivamente alguém até que, em algum momento, você já não consiga evitar soar como você mesmo.
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