A banda que fez Phil Collins perceber que o tempo do Genesis havia passado
Por Bruce William
Postado em 19 de junho de 2026
Na segunda metade dos anos 1970, o Genesis estava numa posição curiosa. A banda havia sobrevivido à saída de Peter Gabriel, colocado Phil Collins nos vocais e provado que ainda podia funcionar sem seu antigo centro teatral. Ao mesmo tempo, uma nova geração começava a tratar grupos progressivos como símbolo de tudo que precisava ser derrubado.
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O alvo não era apenas o Genesis. Yes, Emerson, Lake & Palmer, Pink Floyd e outros nomes associados a discos longos, conceitos ambiciosos e músicos tecnicamente habilidosos entraram na mira do punk. Para quem defendia canções curtas, energia direta e recusa ao virtuosismo, aquele universo parecia inchado demais.
Collins percebeu essa mudança ao tomar contato com os Sex Pistols. A banda de Johnny Rotten, Steve Jones, Paul Cook e Glen Matlock, depois substituído por Sid Vicious, não soava como uma simples novidade de moda. Havia ali uma ruptura de linguagem, postura e público. O rock britânico estava sendo empurrado para outro lugar.
"Eu percebi que nós éramos o inimigo", disse Collins. "Éramos as pessoas das quais eles estavam tentando se livrar, de certa forma. Era uma coisa de moda. Achei que deveria ser tratado assim. Obviamente vinha daquele tipo de barulho."
A frase poderia sugerir desprezo, mas Collins não descartava os Sex Pistols como piada. Pelo contrário, olhando para trás, ele reconheceu qualidades no único álbum de estúdio da banda. "Quando você ouve 'Never Mind the Bollocks', é muito bem produzido", afirmou, conforme publicado na Far Out "Não acho que os Pistols fossem barulhentos. Acho os Pistols uma grande banda."
Esse reconhecimento é importante porque mostra que a reação dele não era apenas defensiva. Collins entendia que o punk atacava a geração anterior, mas também ouvia a força daquele som. O disco dos Sex Pistols podia ser simples em comparação com o repertório progressivo, mas não era frágil. As guitarras de Steve Jones tinham peso, e a produção de Chris Thomas dava ao álbum uma presença muito mais sólida do que a caricatura de "barulho mal tocado" costuma sugerir.
Para o Genesis, a resposta não foi tentar virar uma banda punk. O grupo seguiu outro caminho: reduziu gradualmente a duração das músicas, aproximou-se de estruturas mais diretas e encontrou nos anos 1980 um espaço comercial muito maior do que o que havia ocupado no auge progressivo. A mudança não aconteceu apenas por causa dos Sex Pistols, mas o ambiente criado pelo punk tornou difícil ignorar que o público havia mudado.
Collins talvez tenha entendido melhor que muitos colegas que o punk não precisava destruir fisicamente o Genesis para vencer uma parte da batalha. Bastava alterar o clima ao redor. De repente, solos longos, capas conceituais e letras labirínticas deixaram de parecer futuro e passaram a parecer excesso.
O curioso é que os dois lados sobreviveram. Os Sex Pistols viraram símbolo de uma explosão breve e permanente, enquanto o Genesis atravessou a pancada e se reinventou como gigante pop. Mas, naquele primeiro choque, Collins ouviu a mensagem com clareza: para a nova turma, ele não era apenas um músico de outra geração. Era parte do prédio que eles queriam pichar antes de derrubar.
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