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O álbum de 1973 que Brian May nunca conseguiu ouvir sem frustração

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Postado em 18 de agosto de 2026

O disco de estreia do Queen, lançado em 1973, é o registro de uma banda testando os limites do que poderia ser. Traz "Ogre Battle", faixa que nunca teria chance no rádio, e mostra Brian May experimentando sonoridades bem mais pesadas do que o pop que o grupo consagraria depois. Para o próprio guitarrista, porém, ouvir aquele álbum sempre foi um exercício de frustração - e o motivo não tem a ver com as músicas.

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Foto: Universal Music
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"Nossa grande frustração foi o som daquele primeiro álbum, com o qual nunca ficamos felizes", contou May. "Fomos jogados num estúdio e num sistema que se considerava estado da arte. As músicas ficavam todas mortas e baixas." A recordação inclui um diálogo específico com o produtor Roy Thomas Baker que resume o problema.

"Eu lembro de dizer ao Roy Thomas Baker: 'Esse não é realmente o som que a gente quer, Roy.' E ele disse: 'Não se preocupe, a gente conserta tudo na mixagem'", relatou o guitarrista. A resposta não convenceu ninguém na banda. "O que, claro, não é a melhor maneira, não é? E acho que todos nós sabíamos: não vai acontecer!"

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Tim Coffman, da Far Out Magazine, autor do texto, aponta um detalhe que torna a situação mais irritante: as demos usadas por May soavam melhores do que o resultado final do álbum. Muita coisa se perde na conversão de uma demo em faixa de estúdio, mas o desempenho da banda nas gravações não era o problema.

May nunca foi de menosprezar o próprio trabalho. Suas experimentações estão entre as melhores passagens de guitarra da história do rock, e boa parte da identidade sonora do Queen vem da forma como ele conduzia a Red Special - guitarra que construiu do zero. Ainda assim, o guitarrista já demonstrou reservas em relação a outros discos da banda, como "Hot Space", e sempre teve preferência pelo lado mais pesado do grupo, influenciado por Black Sabbath e Led Zeppelin.

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Para Coffman, o disco funciona como prova de conceito da carreira. Se "Queen II" trouxe a identidade visual icônica, a estreia mostrou do que a banda era capaz mesmo com recursos limitados e um resultado técnico abaixo do esperado. Poucas bandas acertam de primeira - e o fato de o Queen ter soado daquele jeito com tantas limitações já indicava o que viria a seguir.

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Sobre Gustavo Maiato

Jornalista, fotógrafo de shows, youtuber e escritor. Ama todos os subgêneros do rock e do heavy metal na mesma medida que ama escrever sobre isso.
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