Geddy Lee e seu disco preferido do Pink Floyd; "me cativou e incendiou a imaginação"
Por Bruce William
Postado em 19 de junho de 2026
Antes de "The Dark Side of the Moon" transformar o Pink Floyd numa força gigantesca, havia um disco em que a banda ainda parecia procurando uma forma definitiva. "Meddle", lançado em 1971, não tem a unidade conceitual que marcaria os trabalhos seguintes, mas é justamente essa sensação de travessia que sempre fascinou Geddy Lee.
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O baixista e vocalista do Rush citou "Meddle" como seu álbum favorito do Pink Floyd numa entrevista ao The Quietus. A escolha foge do caminho mais previsível. Muita gente iria direto para "The Dark Side of the Moon", "Wish You Were Here" ou "The Wall". Lee preferiu o momento anterior, quando o grupo ainda não havia entrado em sua sequência mais famosa.
"Esse provavelmente foi o último álbum do Pink Floyd antes de eles entrarem em sua fase de clássicos", disse. "Antes dos discos realmente grandes."
A ligação também passava por uma lembrança ao vivo. "Foi o show em Toronto que me cativou e incendiou a imaginação", contou. "Eles abriram com 'Meddle' completo e imediatamente pude sentir que as possibilidades eram imensas para aquela banda." Para um músico jovem, aquilo não soava apenas como um show: era a impressão de assistir a uma linguagem sendo montada diante dele.
O álbum ocupa uma posição curiosa no catálogo do Pink Floyd. De um lado, ainda carrega rastros do período psicodélico e experimental posterior à saída de Syd Barrett. De outro, aponta para a grandiosidade controlada que viria nos anos seguintes. O próprio site oficial da banda apresenta o disco com uma estrutura quase dividida: cinco faixas no lado A e "Echoes" tomando todo o lado B, como uma espécie de laboratório para ambições maiores.
"One of These Days" abre o disco com baixo pulsante e clima ameaçador. "A Pillow of Winds", "Fearless", "San Tropez" e "Seamus" seguem por caminhos bem diferentes, às vezes quase desconexos. Então vem "Echoes", com mais de 23 minutos, reunindo atmosfera, construção lenta, ruídos, melodias e uma noção de viagem sonora que antecipava parte do Pink Floyd que dominaria a década.
Para Lee, esse era o encanto, como coloca a Far Out. "Era realmente empolgante, porque dava para perceber que algo único estava acontecendo. Para onde eles iriam depois? Bem, foi um grande precursor de 'The Dark Side of the Moon'. Já havia ecos genuínos daquilo ali."
A palavra "ecos" cai bem demais para o caso. "Meddle" não mostra o Pink Floyd completamente pronto, e talvez por isso continue tão atraente para Geddy Lee. É o som de uma banda percebendo que podia chegar mais longe, mas ainda sem transformar essa descoberta numa fórmula.
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