O baterista que estava fora do alcance de Dave Grohl; "fisicamente nem musicalmente capaz"
Por Bruce William
Postado em 12 de julho de 2026
Dave Grohl construiu uma carreira rara. Foi o baterista explosivo do Nirvana, virou líder do Foo Fighters, tocou com meio mundo e se meteu em projetos que vão do rock acústico a versões dos Bee Gees. Mas, por mais versátil que seja, ele nunca perdeu a noção de onde estão seus próprios limites.
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Um desses limites atende pelo nome de Neil Peart. Grohl cresceu ouvindo Rush e já falou muitas vezes sobre o impacto que a banda teve em sua formação. Quando o trio canadense entrou para o Rock and Roll Hall of Fame, em 2013, ele participou da homenagem ao lado de Taylor Hawkins, reforçando publicamente sua admiração por Peart, Geddy Lee e Alex Lifeson.
Grohl foi questionado sobre a hipótese de tocar com Lee e Lifeson caso eles voltassem a se apresentar juntos depois da morte de Peart. A resposta veio com humor, respeito e uma dose grande de sinceridade. "Eu diria: 'Não sou fisicamente nem musicalmente capaz, mas obrigado pela oferta'. Neil Peart é um animal completamente diferente, outra espécie de baterista. Eu conheço os arranjos, mas sou como Meg White perto de Neil Peart. E ela é uma das minhas bateristas favoritas!"
A comparação, republicada na Far Out, mostra bem a diferença entre os dois mundos. Grohl é um baterista de impacto, energia e instinto. Sua força está em fazer a música crescer com pancada, peso e senso de urgência. Peart, por outro lado, era conhecido por partes minuciosamente construídas, cheias de mudanças, detalhes e precisão quase arquitetônica.
Isso não significa que um estilo seja maior que o outro em termos absolutos. O próprio Grohl sempre defendeu bateristas diretos, com personalidade, e citou Meg White com carinho justamente por valorizar a sensação e identidade. Mas tocar Rush exige outro tipo de preparação. Não basta saber bater forte; é preciso atravessar estruturas complexas sem perder o desenho da música.
Peart unia a potência herdada de bateristas como John Bonham a uma abordagem mais cerebral, quase composicional. Suas partes não eram apenas acompanhamentos: muitas vezes pareciam peças dentro da peça, com viradas, acentos e caminhos que exigiam memória, técnica e controle. E ao se dizer incapaz de assumir esse posto, Grohl não diminuiu a si mesmo. Apenas reconheceu que Neil Peart ocupava uma categoria muito particular. Para um músico que já fez tanta coisa no rock, admitir esse limite talvez seja uma das formas mais honestas de respeito.
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