O guitarrista que, para David Gilmour, restaurou algo que estava perdido no rock
Por Bruce William
Postado em 09 de julho de 2026
David Gilmour nunca foi um guitarrista preso ao passado. No Pink Floyd, ele ajudou a criar sons que dependiam tanto do toque humano quanto de estúdio, efeitos, texturas e novas possibilidades técnicas. Mas, mesmo aberto à tecnologia, sempre manteve um cuidado: a máquina não podia engolir a alma da música.
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Essa visão ajuda a entender por que Gilmour tem tanta admiração por Mark Knopfler. O líder do Dire Straits surgiu em uma época em que a guitarra podia facilmente virar uma corrida de velocidade ou uma exibição de equipamento. Knopfler, porém, foi por outro caminho: fraseado limpo, dinâmica, economia de notas e uma assinatura reconhecível quase de imediato.
Gilmour falou sobre a relação entre técnica, tecnologia e feeling ao comentar seus guitarristas favoritos. Ele citou nomes ligados ao blues, como Lead Belly e B.B. King, e também referências do rock, incluindo Eric Clapton, Roy Buchanan, Jeff Beck e Eddie Van Halen. Mas Knopfler recebeu um elogio especial. "Mark Knopfler tem um estilo de guitarra adorável e refrescante. Ele trouxe de volta algo que parecia ter se perdido na forma de tocar guitarra", disse Gilmour, em fala resgatada pela Far Out.
Assim como Gilmour, Knopfler nunca pareceu interessado em tocar o máximo de notas possível apenas para impressionar. O impacto vinha mais da escolha certa, do espaço entre as frases e da capacidade de fazer a guitarra contar uma história sem precisar levantar a voz.
Gilmour também reconheceu que ainda era influenciado pelo músico do Dire Straits. "Hoje em dia, não ouço outras pessoas com o objetivo de roubar seus licks", afirmou. "Embora eu não tenha objeção a roubá-los se isso parecer uma boa ideia. Tenho certeza de que ainda sou influenciado por Mark Knopfler."
No fundo, o elogio mostra uma afinidade entre dois guitarristas que entenderam a força da contenção. Para Gilmour, Knopfler ajudou a recuperar algo que o rock corria o risco de perder: a ideia de que uma guitarra pode ser marcante não pelo excesso, mas pela personalidade de cada nota.
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