O improvável subgênero do rock que impactou o RPM nos anos 1990, segundo Paulo Ricardo
Por Gustavo Maiato
Postado em 01 de junho de 2026
Em entrevista ao canal Alpha FM, Paulo Ricardo disse que o RPM mudou de rumo nos anos 1990 porque o rock brasileiro também havia mudado. O cantor afirmou que se afastou da linguagem que marcou a banda nos anos 1980, baseada no encontro entre rock e eletrônica, quando o grunge e o peso de grupos como Sepultura e Raimundos passaram a dominar a cena.
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Paulo Ricardo afirmou que o RPM encontrou sua identidade nos anos 1980 quando o rock se misturou aos sintetizadores e às baterias eletrônicas. Para ele, aquele era o momento em que o "rock se encontra com música eletrônica" e cria o "tecnop", linguagem que, em sua avaliação, continua presente na música atual.
O cenário mudou na década seguinte. Na entrevista, Paulo Ricardo disse que houve um período em que se distanciou do rock porque não se identificava mais com o som que ganhava força no Brasil. "O rock brasileiro tá muito pesado, Sepultura, Raimundos", afirmou. Em seguida, ele citou o impacto do grunge e de Nirvana como parte dessa virada estética.
Segundo o cantor, o avanço das guitarras nos anos 1990 reduziu o espaço do universo eletrônico que havia ajudado a formar o RPM. Ele disse que "os sintetizadores sumiram um pouco" e lembrou que bandas associadas a essa sonoridade, como Simple Minds, perderam espaço naquele momento. A fala ajuda a explicar a fase mais pesada registrada em Paulo Ricardo & RPM, álbum de 1993 citado como um trabalho ligado ao hard rock e ao grunge.
Paulo Ricardo também afirmou que, apesar das mudanças de rota, as canções continuaram dialogando entre si quando ele organiza o repertório de seus shows. Ele citou fases distintas da carreira, incluindo o trabalho com Toquinho sobre Vinicius de Moraes, a trilha de Spirit, a fase romântica e a fase grunge. "Todas elas conversam muito bem entre si", disse.
Na mesma conversa, o músico reconheceu que nem sempre conseguiu prever os rumos da própria carreira. Ele disse que foi surpreendido em vários momentos e que, 40 anos depois, passou a ter a missão de reunir diferentes fases em um mesmo espetáculo. Para Paulo Ricardo, a permanência do público atravessou rupturas, mudanças de estilo e críticas de fãs que não entenderam certas guinadas.
Confira a entrevista completa abaixo.
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