O show que fez a cabeça de Jimmy Page em 1965; "mudou minha forma de enxergar a música"
Por Bruce William
Postado em 08 de julho de 2026
Jimmy Page passou a carreira inteira associado a riffs monumentais, guitarras dobradas e ao peso elegante do Led Zeppelin. Mas um dos shows que mais mexeram com ele não teve parede de amplificadores, bateria explosiva ou longos solos. Em 1965, o guitarrista foi ver Bob Dylan no Royal Albert Hall, em Londres, e saiu de lá com a sensação de ter visto algo transformador.
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Naquele momento, Dylan ainda carregava uma aura quase misteriosa no Reino Unido. Ele já havia se apresentado em Londres antes, mas sua turnê britânica de 1965 marcou uma exposição maior para um público que começava a entender a dimensão daquele compositor. Para Page, que já trabalhava como músico de estúdio e ainda passaria pelo Yardbirds antes de formar o Led Zeppelin, a experiência foi um choque artístico.
Page relembrou o show décadas depois em uma publicação no Instagram. Ele descreveu a apresentação como uma demonstração do "gênio" de Dylan, sozinho no palco, acompanhado apenas por seu violão acústico, prendendo a atenção de uma plateia inteira. "Em maio de 1965, experimentei o gênio de Bob Dylan no Royal Albert Hall, em Londres", escreveu Page, conforme reproduzido na Far Out Magazine. "Ele se acompanhava no violão acústico e despejava imagens de canções como 'It's Alright, Ma (I'm Only Bleeding)', 'Chimes Of Freedom' e 'She Belongs To Me' para uma plateia hipnotizada. Aquilo mudou minha forma de enxergar a música."
A influência, no caso, não foi sonora de maneira óbvia. Page não saiu dali querendo virar uma cópia de Dylan. O que parece ter ficado foi outra coisa: a percepção de que um artista podia sustentar uma visão própria sem se curvar ao formato esperado. Dylan fez isso com voz, violão e letras cheias de imagens; Page faria de outro jeito, anos depois, com uma banda que também não gostava muito de obedecer regras.
O Led Zeppelin se tornou famoso justamente por seguir seu próprio caminho. A banda evitava lançar singles no Reino Unido, esticava músicas além do padrão do rádio e misturava blues, folk, peso e ambição sem pedir licença. Mesmo sem soar como Dylan, Page levou adiante uma ideia parecida de liberdade artística.
Poucos meses depois daquele show em Londres, Dylan ainda causaria outro abalo ao ir para o lado elétrico no Newport Folk Festival. Page, sem saber, tinha visto o compositor pouco antes de uma nova virada. Para ele, porém, aquela noite acústica no Royal Albert Hall já tinha sido suficiente para mudar alguma coisa para sempre.
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