A música do Rush que ganhou outro peso para Geddy Lee após a morte de Neil Peart
Por Bruce William
Postado em 05 de julho de 2026
A morte de Neil Peart, em 2020, deixou um vazio que o Rush nunca tentou tratar como detalhe. Para Geddy Lee e Alex Lifeson, qualquer retorno aos palcos carregaria uma presença inevitável: a do baterista e letrista que ajudou a transformar a banda em uma das mais cultuadas do rock. Peart não era apenas o homem atrás da bateria. Era parte central da linguagem do Rush.
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Por isso, uma música de 2012 passou a carregar um peso especial para Geddy. "The Garden", faixa que encerra o álbum "Clockwork Angels", é a canção que mais o faz pensar em Peart. O disco foi o último trabalho de estúdio do Rush e também o encerramento de uma trajetória que já se aproximava do fim, mesmo que ninguém soubesse exatamente como esse fim viria.
"Clockwork Angels" era um projeto muito ligado a Peart. O álbum constrói uma espécie de mundo ficcional, acompanhando um personagem em busca de sonhos, descobertas e respostas. "The Garden" aparece no fim dessa jornada, quando a reflexão já não é sobre conquista, mas sobre o que realmente importa depois que a vida passa.
Geddy explicou à Vulture (via Far Out) que a música se tornou difícil de ouvir sem pensar no amigo. "É por causa da natureza e da atmosfera quase pressagiosa daquela canção, considerando o que acabou acontecendo com meu amigo e companheiro de banda", disse. Para ele, a letra falava muito sobre o lugar em que Peart havia chegado na vida.
A lembrança da criação da faixa também é forte. Geddy contou que ele e Alex Lifeson vinham mexendo em algumas ideias em seu estúdio em Toronto. Depois que Alex foi embora, ele voltou no dia seguinte, ouviu o material e começou a tocar baixo. "The Garden" simplesmente apareceu. Quando Lifeson retornou, a peça fez sentido para os dois. "Toda a experiência de fazer 'The Garden', do começo ao fim, foi uma alegria real para nós", afirmou.
A música ganhou ainda mais emoção quando o Rush a levou novamente aos palcos. Ao apresentá-la, Geddy disse ao público que Peart escreveu canções sobre muitos assuntos diferentes, mas aquela, em particular, mexia profundamente com ele. "Esta realmente despertou algo em mim", afirmou, antes de identificar a faixa para a plateia.
"The Garden" talvez não seja uma das músicas mais famosas do Rush, especialmente perto de clássicos como "Tom Sawyer", "Limelight" ou "YYZ". Mas sua posição no catálogo ficou maior com o tempo. Ela encerra o último álbum da banda, nasce de uma história criada por Peart e hoje soa como uma despedida que ninguém sabia estar ouvindo daquele jeito.
Para Geddy Lee, a canção não é apenas uma memória de estúdio. É um lembrete do amigo, do parceiro de décadas e do homem que, mesmo ausente, continua no centro emocional do Rush.
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