O "absurdo" que atribuem ao Led Zeppelin, na opinião de Paul Stanley
Por Bruce William
Postado em 01 de julho de 2026
O primeiro álbum do Led Zeppelin é frequentemente citado como uma das bases do hard rock e do heavy metal. Lançado em 1969, o disco trouxe "Good Times Bad Times", "Dazed and Confused", "Communication Breakdown" e "How Many More Times", músicas que ajudaram a aumentar o peso do rock sem abandonar totalmente suas raízes no blues.
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Paul Stanley, porém, acha que colocar o Led Zeppelin dentro do heavy metal é reduzir demais a banda. Em entrevista recuperada pela MusicRadar, o vocalista do Kiss foi convidado a escolher um dos maiores álbuns de estreia de todos os tempos e apontou justamente "Led Zeppelin", o primeiro disco do grupo de Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham.

Para Stanley, o álbum pegou o blues americano e passou aquilo por uma lente britânica, criando algo novo. Ele destacou Robert Plant como uma voz que levou aquele tipo de canto para outro lugar, e também elogiou Jimmy Page não apenas como guitarrista, mas como arranjador. "O primeiro álbum do Led Zeppelin foi uma mistura de blues americano e sensibilidades britânicas. Pegou uma forma musical que já existia e criou algo novo", disse Stanley.
A declaração mais forte veio quando o músico tentou explicar a grandeza do Zeppelin sem prender a banda em uma prateleira. "Para mim, Zeppelin era o equivalente à grande música clássica - é Beethoven, é Mahler, é bombástico! E ainda assim eles tinham sutilezas e variedade incríveis no que faziam." E foi aí que Stanley rejeitou o rótulo mais pesado. "Certamente não era, para usar uma expressão, heavy metal. Chamar Zeppelin de heavy metal é, no mínimo, absurdo e, no pior dos casos, um pecado."
Isto não significa que Stanley negue a influência do Led Zeppelin sobre o metal. Seria difícil fazer isso. O peso de Page, a bateria monumental de Bonham e os gritos de Plant deixaram marcas em praticamente todo o rock pesado que veio depois. O ponto dele é outro: Zeppelin não era apenas peso. Era dinâmica, folk, blues, psicodelia, delicadeza, improviso e construção dramática.
Na mesma matéria, Gene Simmons escolheu "Meet The Beatles!" como uma grande estreia, tomando o álbum como o primeiro disco americano da banda, apesar da existência anterior de "Introducing... The Beatles". Para Simmons, os Beatles se tornaram o modelo de banda de rock: tocavam seus instrumentos, escreviam canções, cantavam várias partes e tinham integrantes reconhecíveis como estrelas.
As escolhas dos dois dizem muito sobre o Kiss. Gene olhou para os Beatles, a escola da canção pop, das harmonias e da ideia de banda como unidade de personalidades. Paul olhou para o Led Zeppelin, a escola do impacto, do arranjo grandioso e da força de palco. Em algum ponto, o Kiss nasceu justamente dessa mistura: refrões enormes, personagens marcantes e espetáculo pesado.
No caso de Paul Stanley, o primeiro álbum do Led Zeppelin continua sendo uma estreia definidora. Ele lembrou que, ao ouvir "Good Times Bad Times" no rádio pela primeira vez, ficou de queixo caído. Não era apenas uma banda pesada aparecendo. Era um grupo capaz de fazer o rock soar maior, mais amplo e mais perigoso. Por isso, a implicância com o termo heavy metal faz sentido dentro da lógica dele. O Led Zeppelin ajudou a abrir a porta para o metal, mas não ficou parado ali. Para Stanley, chamar aquilo apenas de heavy metal seria como descrever uma tempestade dizendo que ela é só chuva.
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