O tipo de banda que fazia Angus Young dizer que bocejaria até não aguentar mais
Por Bruce William
Postado em 31 de agosto de 2026
Angus Young nunca precisou de estruturas sofisticadas para decidir se uma banda funcionava. Sua régua sempre foi muito mais primitiva: se havia energia, riffs e vontade de tocar rock and roll, ótimo. Quando a música começava a parecer excessivamente séria ou intelectualizada, ele simplesmente desligava.
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Essa visão aparece em várias entrevistas antigas do guitarrista do AC/DC. Angus dizia não entender por que algumas pessoas assistiam a shows tecnicamente elaborados e depois insistiam em dizer que haviam se divertido. "Eu não conheço ninguém que tenha ido ver essas bandas sérias e realmente aproveitado. Podem dizer que foi ótimo, que a música era boa, mas em algum momento ficaram entediados e tiveram medo de admitir", afirmou.
O guitarrista completou de maneira ainda mais direta: "Se eu fosse ver uma banda dessas, toda séria e preocupada em mostrar musicalidade, eu morreria de tédio." Para Angus, rock não precisava provar inteligência. Precisava produzir reação física.
Nem os Rolling Stones escapavam dessa régua, destaca a Far Out. Angus admirava profundamente a fase inicial da banda, mas dizia que o grupo havia perdido parte daquilo que o atraía depois de "Jumpin' Jack Flash" e "Street Fighting Man", ambas de 1968. "Vou te dizer quando deixou de ser bom: quando eles lançaram essas músicas. Depois disso, não aconteceu mais nada", declarou.
Em outra entrevista, foi ainda mais duro ao reclamar que os Stones haviam se afastado do rock para tocar soul. Na visão de Angus, a banda funcionava melhor quando permanecia próxima de suas raízes em Chuck Berry e no blues americano, em vez de buscar caminhos que ele considerava menos naturais.
A crítica pode parecer contraditória porque Angus nunca deixou de respeitar os Stones. Ele e Malcolm Young chegaram a tocar com a banda em Toronto, em 2003, e Angus afirmou posteriormente que não havia qualquer rivalidade entre os grupos. Cada um simplesmente fazia seu próprio tipo de rock and roll.
A relação com "Jumpin' Jack Flash" também mostra essa ambiguidade. Anos depois, Angus usou justamente a música como exemplo de clássico que atravessou décadas com credibilidade, comparando sua longevidade à de sucessos passageiros das paradas.
No fundo, a bronca de Angus nunca pareceu ser com os Rolling Stones como instituição, mas com qualquer momento em que o rock começasse a soar excessivamente pensado. Para alguém que construiu uma carreira inteira defendendo riffs simples e volume alto, o pior defeito possível talvez fosse justamente fazer o público pensar demais - ou pior, bocejar.
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