A única banda dos anos 1960 que a indústria não sacaneou, segundo Paul Rodgers
Por Gustavo Maiato
Postado em 29 de agosto de 2026
Paul Rodgers tem uma lista curta quando o assunto é quem sobreviveu financeiramente à era de ouro do rock britânico. Para o vocalista do Free e do Bad Company, praticamente todos os artistas dos anos 1960 foram lesados nos contratos de edição musical - com uma única exceção, e não é nenhum dos nomes que costumam encabeçar as listas da década. Em entrevista à MusicRadar, ele contou que aprendeu a lição do jeito mais caro possível.

O problema começou pela ausência de alguém para cuidar do dinheiro. "Aprendi muito com o Free", disse o cantor, antes de explicar que o grupo não tinha empresário e precisava de um para lidar com a parte comercial. Sem essa retaguarda, o quarteto assinou com a Island Records em condições que só ficaram claras depois. Segundo Rodgers, a gravadora saiu correndo com a editora da banda e permanece com ela até hoje.
A prática era padrão no mercado da época. Gravadoras costumavam ficar com os masters e com os direitos de edição, o que significava embolsar a maior parte do lucro gerado pela obra dos artistas - que, em geral, tinham vinte e poucos anos e nenhuma noção de contrato. O conselho que o cantor dá hoje é pouco glamouroso: ler cada linha antes de assinar. "Sei que é trabalhoso e que ninguém faz isso, mas, se você não fizer, vai sofrer as consequências", afirmou.
A exceção que ele cita surgiu de um documentário assistido recentemente. Dave Clark, baterista e líder do Dave Clark Five, manteve para si toda a edição musical do grupo e é descrito por Rodgers como um empresário fantástico. "Todo mundo, até os Beatles, foi passado para trás na edição", completou o vocalista. "Não deveria acontecer, mas acontece."
O detalhe é que Clark foi ainda mais longe do que a fala sugere. Além da editora, ele controla os masters das gravações da banda, que apenas arrenda às gravadoras - modelo raríssimo para um artista britânico daquela geração. Em entrevista à Rock Cellar Magazine, ele já foi questionado sobre como desenvolveu esse tino comercial enquanto Beatles e Rolling Stones perdiam dinheiro para empresários.
A ironia é que o Dave Clark Five nunca teve o peso cultural dos contemporâneos. A banda encerrou as atividades em 1970, apenas seis anos depois de "Glad All Over" tê-la projetado, e a Far Out Magazine a define como o grupo que a contracultura esqueceu. Menos hits, menos mitologia - e, no fim das contas, mais controle sobre o próprio catálogo do que quase todos os que ficaram na história.
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