A única banda dos anos sessenta que não foi roubada por empresários, conforme Paul Rodgers
Por Bruce William
Postado em 25 de agosto de 2026
Paul Rodgers aprendeu cedo que fazer sucesso e ganhar dinheiro com esse sucesso eram duas coisas bem diferentes. Nos tempos do Free, a banda se preocupava muito mais com música do que com contratos - e pagou um preço alto por isso.
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Em entrevista ao MusicRadar, Rodgers contou que o grupo sentiu falta de alguém que cuidasse da parte empresarial. "Nós não tínhamos empresário, e meio que precisávamos de um. Precisávamos de alguém para nos ajudar com os negócios." Segundo ele, enquanto assinavam contratos com a Island Records, acabaram cedendo direitos que ainda hoje permanecem fora de seu controle.
A experiência deixou uma lição que Rodgers passou a repetir para músicos mais jovens: ler contratos, por mais tedioso que pareça. "Se você não fizer isso, vai sofrer as consequências", afirmou. E, ao comparar sua história com a de outros artistas dos anos 1960, ele destacou uma exceção: o Dave Clark Five.
Dave Clark não era apenas baterista e líder da banda. Também cuidava dos negócios e negociou condições incomuns para a época. O Rock and Roll Hall of Fame registra que ele conseguiu uma taxa de royalties superior à de muitos contemporâneos e, principalmente, uma cláusula que devolvia a ele os direitos sobre as gravações depois de alguns anos.
Rodgers resumiu sua admiração de maneira bastante direta: "Ele era um empresário fantástico e manteve todos os direitos de publicação. Todo mundo, até os Beatles, foi passado para trás com seus direitos. Isso não deveria acontecer, mas acontece."
A comparação chama atenção porque o Dave Clark Five não alcançou a dimensão histórica dos Beatles, mas Clark mostrou uma visão comercial rara numa época em que muitos músicos jovens assinavam praticamente qualquer papel colocado à sua frente. Além de administrar o grupo, ele produzia as gravações e manteve controle incomum sobre o catálogo.
Quando Rodgers formou o Bad Company alguns anos depois, a situação foi bem diferente, pondera a Far Out. Peter Grant, também empresário do Led Zeppelin, passou a cuidar da parte comercial, deixando os músicos livres para se concentrar no estúdio e nas turnês. Para Rodgers, depois do aprendizado amargo com o Free, aquilo parecia quase um luxo.
Décadas mais tarde, a lembrança que ficou para ele foi simples: enquanto boa parte de sua geração descobria tarde demais o que havia assinado, Dave Clark já entendia que uma música podia virar patrimônio - desde que o músico não entregasse esse patrimônio junto com o contrato.
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