A banda que entregou a Neil Peart tudo o que ele queria encontrar na bateria
Por Bruce William
Postado em 23 de agosto de 2026
Neil Peart cresceu admirando bateristas explosivos. Keith Moon era um de seus grandes ídolos, e o futuro integrante do Rush chegou a sonhar em tocar numa banda que reproduzisse o The Who. Quando isso finalmente aconteceu, porém, percebeu que havia um problema: aquele caos não combinava exatamente com sua personalidade. Peart precisava de alguma coisa mais organizada.
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A resposta apareceu no King Crimson, especialmente na bateria de Michael Giles. Peart explicaria anos depois que o primeiro baterista da banda britânica lhe mostrou uma maneira de tocar cheia de ideias e viradas sem perder a arquitetura da música. Em entrevista de 1994 para Andrew Olson, chamou Giles de influência muito importante também pela forma como construía dinamicamente os arranjos.
A admiração ficou ainda mais clara em 2007, quando Mike Portnoy perguntou diretamente sobre a influência de Giles. "Ah, enormemente. Não apenas o King Crimson inicial, mas também McDonald and Giles. Era tudo o que eu queria."
Peart explicou o que havia encontrado ali: "Era disciplinado e empolgante. Ele estava completamente inflamado pelo que fazia, mas aquilo estava contido dentro de uma estrutura." Para o baterista do Rush, a construção das viradas de Giles, seu senso de tocar como parte do conjunto e a maneira de orquestrar a bateria eram incomparáveis - e, na opinião dele, subestimados.
O primeiro álbum do King Crimson, "In the Court of the Crimson King", de 1969, oferece vários exemplos dessa abordagem. Giles conseguia passar de trechos delicados para explosões como as de "21st Century Schizoid Man" sem soar como alguém simplesmente preenchendo todos os espaços disponíveis. A bateria podia ser movimentada e agressiva, mas continuava obedecendo à construção da música.
Essa combinação fazia sentido para Peart porque ele havia aprendido cedo que simplesmente imitar um herói não bastava. Ao recordar sua tentativa de tocar como Keith Moon, contou que descobriu um ponto decisivo para qualquer baterista: a maneira como seu ídolo toca pode não ser a maneira como você próprio deveria tocar. Sua personalidade exigia estrutura e organização.
Quando entrou para o Rush em 1974, Peart acabaria levando justamente essa tensão para a própria música, reflete a Far Out: partes extremamente trabalhadas, muitas viradas e mudanças de andamento, mas quase sempre organizadas dentro de estruturas precisas. O King Crimson não forneceu uma fórmula para copiar. Forneceu algo mais útil: a prova de que disciplina e excitação podiam ocupar a mesma bateria ao mesmo tempo.
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