A música problemática do Wings que Paul McCartney afirma ter sido o melhor single da banda
Por Bruce William
Postado em 22 de agosto de 2026
Paul McCartney já havia provado que sabia escrever baladas, melodias sofisticadas e hits praticamente sob encomenda. Em 1972, com o Wings ainda tentando firmar uma identidade própria, ele resolveu entregar algo bem mais direto: "Hi, Hi, Hi", uma faixa feita para subir a temperatura dos shows e que acabaria ocupando um lugar especial na memória do ex-Beatle.
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A música surgiu durante a primeira fase de estrada do Wings. McCartney contou que a escreveu na Espanha, num clima que definiu como "sensual", e inicialmente pensava nela apenas como uma maneira de encerrar as apresentações com mais impacto. O teste ao vivo funcionou tão bem que ele decidiu transformá-la em single.
Anos depois, ao recordar a faixa, foi além do simples elogio, relembra a Far Out: "Para mim, era apenas uma música para fechar nosso show e, como funcionava bem quando fazíamos turnê pelo continente, achei que seria um bom single. Acho que é o melhor single que fizemos como Wings."
A BBC, porém, encontrou outro tipo de interesse na música. "Hi, Hi, Hi" acabou sendo proibida pela emissora por causa de versos considerados sexualmente sugestivos e possíveis referências a drogas. Era a segunda vez em 1972 que o Wings enfrentava esse problema: meses antes, "Give Ireland Back to the Irish" também havia sido barrada, naquele caso pelo conteúdo político.
McCartney nunca pareceu particularmente abalado com a interpretação. Ele argumentou que a BBC havia entendido algumas palavras de maneira errada, embora admitisse que a composição realmente tinha um lado provocativo. A censura também não impediu o disco de funcionar: lançado em dezembro de 1972 como lado duplo com "C Moon", "Hi, Hi, Hi" chegou ao 5º lugar no Reino Unido e permaneceu 13 semanas na parada.
A gravação também marcou uma fase em que o Wings começava a deixar de parecer apenas "a nova banda de Paul depois dos Beatles". O grupo havia passado boa parte de 1972 excursionando por universidades e depois pela Europa, muitas vezes em condições deliberadamente simples, numa tentativa de construir público por conta própria. "Hi, Hi, Hi" virou justamente uma das músicas que funcionavam melhor naquele ambiente.
McCartney escreveria depois singles muito maiores em termos comerciais, incluindo "Band on the Run", "Live and Let Die", "Silly Love Songs" e "Mull of Kintyre". Ainda assim, "Hi, Hi, Hi" entrou na coletânea "Wings Greatest", de 1978, ao lado dessas faixas.
Talvez seja isso que explique a preferência do próprio autor. "Hi, Hi, Hi" não precisa carregar o peso histórico de "Band on the Run" nem a grandiosidade de "Live and Let Die". Era apenas Paul McCartney tentando encontrar uma música que colocasse fogo no final do show - e percebendo, pouco depois, que havia acertado em cheio.
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