O álbum do Led Zeppelin que Jimmy Page acredita que ninguém conseguiria fazer hoje
Por Bruce William
Postado em 01 de outubro de 2026
Há discos que poderiam ter sido gravados em qualquer época, apenas com equipamentos diferentes. Jimmy Page não parece colocar "Physical Graffiti" nessa categoria. Para ele, o sexto álbum do Led Zeppelin nasceu de uma combinação de liberdade, ambição e ritmo de trabalho que dificilmente poderia ser reproduzida hoje.
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Lançado em 1975, "Physical Graffiti" também foi o primeiro álbum de estúdio da banda pela Swan Song, gravadora criada pelo próprio grupo. O formato duplo permitiu que o Zeppelin juntasse material recém-gravado a músicas que haviam ficado de fora de sessões anteriores, formando um disco que ia do peso de "In My Time of Dying" e "The Wanton Song" ao clima de "Ten Years Gone", "Bron-Yr-Aur" e "Down by the Seaside".
Em uma história oral do álbum publicada pelo The Quietus, Page resumiu o que enxerga de especial naquele período: "Com 'Physical Graffiti', você consegue ver todas as coisas diferentes que éramos capazes de fazer e que as pessoas não conseguem fazer hoje - trabalhando constantemente de maneira positiva, sem nenhuma outra razão além de fazer boa música."
O guitarrista ainda acrescentou que aquele trabalho não era feito pensando em aparições em programas de televisão ou entrevistas. O Led Zeppelin já era gigantesco naquela altura, mas continuava operando de uma maneira peculiar: com enorme controle sobre a própria música, pouca disposição para jogar segundo as regras tradicionais da indústria e espaço suficiente para levar uma ideia até onde ela pedisse.
"Physical Graffiti" é talvez o melhor exemplo dessa liberdade justamente porque parece não ter medo de sobrar. São 15 faixas espalhadas por dois discos, algumas vindas de anos diferentes, sem obrigação de manter um único clima. "Kashmir", "Trampled Under Foot", "Ten Years Gone" e "In My Time of Dying" poderiam pertencer a álbuns bastante distintos, mas convivem ali sem grande preocupação em parecer parte de um projeto cuidadosamente uniformizado.
Page já declarou outras vezes seu carinho especial pelo álbum e o descreveu como um retrato do Led Zeppelin funcionando como banda. Nesse caso, porém, sua lembrança vai além de dizer que "Physical Graffiti" é um grande disco. Para ele, aquele álbum registra também uma forma de trabalhar que pertence a outro momento da indústria: quatro músicos com tempo, autonomia e dinheiro suficientes para pensar primeiro na música e deixar o resto para depois.
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