Helloween - um espetáculo completo na borda da cidade de São Paulo
Resenha - Helloween (Suhai Music Hall, São Paulo, 19/09/2026)
Por Diego Camara
Postado em 21 de setembro de 2026
Três anos e meio desde o último espetáculo do Helloween no Brasil e quase quatro anos desde o último show solo na cidade de São Paulo. No último badalar do sino da turnê comemorativa de 40 anos da banda, o Helloween subiu ao palco da novíssima Suhai Music Hall para um show digno de uma das mais longevas carreiras do Heavy Metal. Confira abaixo os principais detalhes do show, com as imagens de Fernando Yokota.
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A Suhai Music Hall é a mais nova opção para shows de médio porte na cidade de São Paulo. Apesar de ter sido inaugurada no ano passado, vai aos poucos aparecendo como opção para espetáculos internacionais, e o Helloween é a primeira de uma série de apresentações de rock e heavy metal que vão acontecer na casa.

Longe do centro, em um shopping periférico - com direito a uma caminhada longa por todo o complexo até chegar ao local - é uma verdadeira viagem dentro da cidade para chegar até lá, tanto para quem vem de outras regiões quanto para quem vem de outras cidades e chega via rodoviária ou aeroporto. Extremamente cansativo para os fãs.

Isso não tirou o ânimo do público, que lotou as dependências da casa e deu um show nas mais de duas horas de apresentação do Helloween. Começando por "March of Time", uma das queridinhas do público e uma raridade nos setlists do Brasil. Os fãs cantaram muito, e a qualidade do palco chamou muito a atenção desde a primeira música.

Os telões, a transmissão do Keepers ao fundo para introduzir algumas das principais peças do show e as telas laterais que mudavam conforme a música foram um show à parte e encantaram os fãs: não consigo me lembrar de um show onde o palco foi tão bem construído pela banda, e a atenção aos detalhes transformou a experiência em um audiovisual de altíssimo nível.

A apresentação trouxe outra grande surpresa com "The King for a 1000 Years", uma raridade dos setlists da banda que desapareceu dos shows alguns anos após o lançamento da última parte da trilogia. O público puxou muito o refrão junto com a banda, que cortou mais ou menos um terço da música nesta apresentação ao vivo.

"Future World" foi um dos pontos altos do início do show, com Kai Hansen mostrando sua irreverência no palco e abrindo a música com o seu já comum solo de guitarra, acompanhado com a intro de "In The Hall of the Mountain King" de Edvard Grieg - que também aparece dentro do solo da música "Gorgar" do Walls of Jericho.

Um dos momentos mais legais do show veio pouco depois com a execução de "Twilight of the Gods", uma das maiores raridades da era do Keepers que veio ao palco pela primeira vez no Brasil. O refrão foi puxado com vontade e o público bateu muito cabeça nessa música, extremamente bem executada. Logo depois veio "Ride The Sky", a favorita dos fãs da era Kai Hansen, em um dos raros momentos onde o guitarrista toma os vocais do show.

Outra grande surpresa veio com "I'm Alive", que estreou na turnê exatamente na sua última apresentação, substituindo "Hell was Made in Heaven", uma surpresa mais que bem-vinda ao espetáculo e muito curtida pelo público. Pouco depois, "I Want Out" apareceu perdida no meio do setlist: uma escolha ousada da banda de colocar este sucesso tão no meio do show, mas muito boa para manter o ânimo do público logo após o solo de bateria.

Um dos momentos mais bonitos do show veio logo em seguida, quando a dupla Deris e Kiske ficaram sozinhos no centro do palco. Com direito a um trechinho de Elvis e "Yesterday" dos Beatles, os fãs no final cantaram mais que o próprio Kiske, deixando a dupla extremamente surpresa com a performance do público. Realmente lindíssimo.

Finalizando o show, a banda escolheu "Halloween" como o grande trunfo da noite. Desta vez tocada na íntegra, com a performance de ambos os vocalistas no nível mais alto. A apresentação ficou incrível e a qualidade do palco transformou a casa em uma grande noite de Dia das Bruxas. O som, que no geral foi muito bom, também encontrou nesta parte final o seu melhor momento.

Para o bis, a banda veio com três grandes sucessos: a primeira foi "Eagle Fly Free", puxada por um vocal afinadíssimo de Kiske - mas ainda mais pelo público, que cantou ela sozinha em diversos momentos - a magnífica "Power", que é um dos pontos mais altos da fase Deris, onde o vocal também brilhou, e ambos se unindo para a performance derradeira de Dr. Stein e um pequeno trechinho do final de "Keepers".

Para um setlist tão bem feito e diferenciado, creio que foi a maior falta do espetáculo ter colocado uma versão um pouco mais longa - se não a integral - deste sucesso.
Setlist
Intro: Helloween 40 Anniversary Tour Intro
March of Time
The King for a 1000 Years (parcial)
Future World
This Is Tokyo
We Burn
Twilight of the Gods
Ride the Sky
Into the Sun
I'm Alive
Hey Lord!
Universe (Gravity for Hearts)
Drum Solo
I Want Out
Yesterday (The Beatles cover)
A Tale That Wasn't Right
A Little Is a Little Too Much
Heavy Metal (Is the Law)
Halloween
Encore
Intro: Invitation
Eagle Fly Free
Power
Dr. Stein
Keeper of the Seven Keys (parcial)






















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