Nergal relembra quando o pai pendurou um Cristo invertido em seu quarto
Por Emanuel Seagal
Postado em 07 de agosto de 2026
Nergal, frontman do Behemoth, revelou que foi o próprio pai quem pendurou em seu quarto uma figura de Cristo de cabeça para baixo, quando ele tinha 17 anos. A declaração ocorreu durante uma entrevista realizada pela Loudwire.
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Nascido na Polônia e criado em uma família católica, o músico fundou o Behemoth em 1991, ainda adolescente. Foi nesse período que os pais começaram a notar o interesse do filho pelo black metal. O primeiro sinal veio pelo pescoço. "Eles viram a cruz invertida no meu pescoço, quer dizer, no colar que eu estava usando. Então eles ficaram tipo: 'Ah, o que é isso?'. Sabe, ele está se metendo em alguma encrenca, né? Então precisamos ter uma conversa de pais, esse tipo de coisa", contou.
Segundo o polonês, a conversa não se repetiu. "Mas foi só uma, eu lembro, e depois eles simplesmente me deixaram em paz e não incomodaram mais. E eu diria que eles foram bastante apoiadores ao longo dos anos, foram muito apoiadores", relembrou.
O Cristo invertido acima da porta
O apoio chegou ao ponto de o pai ajudar na decoração do quarto. "Meu pai, principalmente, ele me ajudava a fazer umas coisas bem profanas. Quer dizer, ele não estava envolvido de forma alguma. Mas lembro que eu tinha 17 anos. Eu pedi ao meu pai, porque eu tinha uma figura de Jesus Cristo muito bonita, muito bem feita, que eu queria colocar na minha parede, logo acima da porta, obviamente invertida", explicou.
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[…] "E foi meu pai quem resolveu isso. Subiu, pegou a escada, fez profissionalmente, com todas as ferramentas e tal, e aí eu, o Nergal de 17 anos, ficava ali dizendo 'pra esquerda, pra direita', e meu pai simplesmente não questionava. Ele só fazia o que o filho pedia", acrescentou.
O músico afirma que os pais nunca compreenderam de fato o que ele estava fazendo. "Então, quer dizer, é legal. Foi muito prestativo da parte deles. Mas eles não entendiam aquilo, eram tipo: tudo bem, deixe-o fazer o lance dele. O que eu realmente aprecio, sabe. Mesmo agora, quando lembro do passado, eu penso: tive bastante sorte de os meus pais não me forçarem a fazer coisas que eu não queria", destacou.
"Black metal: perigo crescente"
A reação mais negativa do pai veio sem nenhuma palavra. "Lembro que um dia, era começo dos anos 90, e meu pai estava pegando um trem do trabalho voltando pra casa e, aparentemente, no trem, alguma organização estava distribuindo panfletos. E ele trouxe um desses panfletos", comentou.
[…] "Lembro de estar sentado com a minha máquina de escrever na escrivaninha, sabe, no meu quarto, e ele simplesmente entrou sem dizer nada. Ele só colocou o panfleto na mesa e saiu. E o panfleto dizia: 'Black metal: perigo crescente. Mais informações aqui'", relatou.
"Talvez estivessem preocupados, talvez não"
Será que os pais estavam realmente preocupados? "Você deveria mesmo fazer essa pergunta ao meu pai. Eu não sei. Quer dizer, talvez eles estivessem preocupados, talvez estivessem apreensivos, talvez não. […] Eu nunca dei motivos pra eles se preocuparem comigo", ponderou.
"Eles tinham bastante orgulho de mim, sabe. E eu aposto que, se você falar com eles agora, eles vão dizer: 'Sim, temos muito orgulho dele'", concluiu.
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