Os dois Titãs que realmente faziam a diferença, segundo o empresário Manoel Poladian
Por Gustavo Maiato
Postado em 23 de agosto de 2026
Manoel Poladian empresariou os Titãs em dois períodos distintos e credita boa parte do sucesso comercial da banda a dois integrantes específicos. Em entrevista ao canal Corredor 5, o empresário nomeou quem eram seus interlocutores dentro do grupo. "Administrando os Titãs através de dois gênios. Um chamava-se Marcelo Fromer e o outro, Nando Reis."
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Segundo Poladian, o modelo de funcionamento da banda era radicalmente igualitário - e, do ponto de vista financeiro, problemático. "Os Titãs viviam democraticamente. Tudo que eles ganhavam dividiam entre eles, oito ou nove componentes", explicou. Havia, em sua avaliação, dois ou três integrantes com potencial de sucesso individual, e ele cita Nando Reis como prova disso: "Hoje é o maior nome do Brasil de espetáculo."
O período mais difícil, segundo o relato, veio quando a banda enveredou pelo som mais pesado no início dos anos 1990 - movimento que Poladian atribui à influência do Nirvana sobre toda uma geração. "Esse momento levou as famílias dos Titãs a terem dificuldade de sobrevivência. Perderam muito dinheiro." Foi nesse contexto que Fromer o procurou para retomar a parceria.
O guitarrista chegou com uma música na mão, garantindo que a banda havia aliviado o tom. Poladian ouviu e devolveu a ironia: o refrão em questão repetia "filho da puta". "Você não aliviou não?", questionou. A virada veio com outra faixa. "Depois trouxe uma música chamada 'Domingo'. Falei: 'Agora sim, começamos a falar a mesma língua.'" O argumento do empresário era direto: "Para sustentar oito famílias, você tem que ter coisa comercial e vender."
O episódio mais dramático do relato envolve o contrato com a gravadora. Poladian afirma ter encontrado um acordo que classifica como leonino e desonesto, no qual os royalties de CDs eram creditados como se fossem de LPs - deixando a banda devendo uma fortuna. Sua solução foi literal. "Peguei aquele contrato que eles deviam milhões, cheguei para o Sérgio Afonso e rasguei o contrato", contou, ressalvando que já havia guardado uma cópia.
Na sequência, ligou para André Midani, então no comando da operação nos Estados Unidos, com uma proposta específica. "Quero 1 milhão de dólares de adiantamento e vamos gravar o acústico." O contrato final foi ainda melhor: a cada milhão de discos vendidos, mais um milhão de dólares de adiantamento, com três obras previstas.
Foi aí que os "dois gênios" entraram em cena. "O Marcelo Fromer e o Nando Reis me ajudaram a convencer todo o restante do grupo", afirmou. Questionado se teria sido difícil emplacar a ideia do acústico, Poladian foi honesto: "Foi difícil. Se não fosse um momento de penúria deles, vocês não teriam feito."
O resultado é história. O "MTV Acústico" dos Titãs, lançado em 1997, é apontado pelo empresário como um fenômeno de vendas. "Deve ter vendido 6 milhões", disse. A produção ficou com Liminha, escolha que Poladian defende com entusiasmo: "Liminha é gênio. O que ele cobra é barato, porque tem resultado."
Sobre Marcelo Fromer, morto em junho de 2001 após ser atropelado em São Paulo, o empresário guarda uma memória específica. Os dois haviam tomado café da manhã juntos no dia do acidente, em meio a negociações sobre mudanças na banda. "Ele estava indo para a reunião e ia mudar tudo. Mas morreu à tarde." Poladian o define como "culto, inteligente, competente e boníssima pessoa" - e como o elo interno que fazia a banda funcionar. "Quando eles não queriam fazer alguma coisa, eu ligava para o Marcelo. Marcelo convencia."
Confira o vídeo completo abaixo.
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