Os dois integrantes que não aguentaram a vida no Kiss, segundo Gene Simmons
Por Gustavo Maiato
Postado em 09 de setembro de 2026
Gene Simmons voltou a falar sobre as saídas de Ace Frehley e Peter Criss do Kiss e descartou a versão mais repetida ao longo das décadas: segundo ele, dinheiro nunca foi o problema. O baixista tratou do assunto em entrevista ao podcast The Moynihan Report, em declarações resgatadas pelo Ultimate Guitar a partir da transcrição do site Blabbermouth.
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"Não foi por causa de dinheiro. Foram drogas e álcool, infelizmente. Não com o Paul nem comigo. E a gente ama os dois, e sem o Ace e o Peter a gente não estaria aqui", disse Simmons. Para ele, a diferença entre quem fica e quem cai pelo caminho é estrutural: "Mas nem todo mundo é projetado no DNA para correr uma maratona. Tem gente que consegue ir bem numa corrida curta, mas não dá conta daquilo."
O histórico de atritos remonta ao início dos anos 1980, quando os dois integrantes originais deixaram o grupo pela primeira vez. A turnê de despedida "End of the Road", encerrada no Madison Square Garden em dezembro de 2023, chegou a ser vista como chance de reconciliação, com uma participação especial da dupla que nunca aconteceu. Frehley, morto em 2025, afirmou que os ex-companheiros mudaram o discurso poucos meses antes do show, mas disse não odiar Simmons e Paul Stanley, a quem seguia chamando de irmãos de rock and roll.
Sobre o impacto da morte do guitarrista, o baixista destacou o peso que ele teve sobre gerações inteiras. "É muito difícil para os fãs. É de partir o coração. O Ace teve uma influência enorme sobre guitarristas - Dimebag Darrell, do Pantera, Mike McCready, do Pearl Jam, o Metallica... Todo mundo, sem exceção", afirmou. Simmons também relatou o que ouviu na despedida: "O Ace me disse na cara, quando estava saindo da banda: 'Vou seguir carreira solo, porque se eu for para a estrada de novo eu vou me matar'."
O baixista atribuiu o desfecho a uma questão de tolerância individual à exposição. "As pressões psicológicas afetam pessoas diferentes de formas diferentes. Eu não tenho problema nenhum com nada. Sou vorazmente ambicioso e amo a atenção, o dinheiro e a fama, todas essas coisas, mas isso não afeta todo mundo do mesmo jeito", declarou. Ao lembrar a última saída de Frehley, em 2002, ele disse que o uso de drogas havia se tornado grave a ponto de afetar a família do guitarrista, e contou que o Kiss deixou uma cadeira vazia em homenagem a ele durante a cerimônia do Kennedy Center Honors, com a presença de Monique, filha de Ace.
Já sobre Peter Criss, Simmons foi mais duro. "Quando a gente está junto, é ótimo. Conforme vocês se afastam... Ah, é difícil para mim ser honesto e tal. O Peter sempre se considerou uma vítima: 'Eles se juntaram contra mim, e olha o que fizeram comigo', esse tipo de coisa. Em vez de, se você está realmente curado, olhar no espelho e dizer: 'A culpa é minha. Eu usei. Eu não fiz meu trabalho e fiquei reclamando'. Em vez de ser grato por estar em uma das maiores bandas que já existiram."
O baterista, segundo o baixista, recebe hoje muito pouco em royalties - resultado de uma decisão tomada há mais de quatro décadas. Simmons e Stanley compraram a participação de Criss no Kiss em 1982 e fizeram o mesmo com a de Frehley, o que transformou os dois integrantes originais em funcionários da própria banda. "Todo grupo de pessoas é um negócio. O dinheiro tem de vir de algum lugar. A vida é negócio. As pessoas não gostam disso", concluiu.
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