Rock Nacional: o TOP 30 do gênero

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Por Jean Carlo B. Santi
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Caro leitor, provavelmente você deve estar pensando: "lá vem mais uma destas listas maiores disso, melhores daquilo, e certamente vou me decepcionar". E muito provavelmente você não estará enganado em seu prognóstico. Quando se trata de música, é uma missão praticamente impossível não ser injusto ou deixar de citar alguém merecedor de estar em uma lista. Faltam parâmetros claros de julgamento, e, de forma controversa, a emoção deveria ser deixada de lado sempre, contudo, música também não seria essencialmente emoção? Enfim, este mesmo que vos escreve sempre fora um ferrenho crítico a respeito destas listas, mas como diria um dos grandes personagens desta história a ser contata, as vezes é preciso não ter sempre uma velha opinião formada sobre tudo. Ademais, trata-se de um bom pano de fundo para falar sobre a história do rock nacional, mas somente aquele, cantado em português, para deixar claro.

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Antes da lista, vamos contextualizar a história do rock nacional. É sabido que as primeiras fagulhas do rock brasuca começaram ainda na década de 50, nitidamente influenciadas pelo que acontecia na América. Tratavam-se basicamente de interpretações das canções americanas, dos grandes precursores Elvis, Chuck Berry, Jerry Lee Lewis, Little Richard entre outros. Na década de 60, a coisa começa a engrenar, com o surgimento de inúmeros representantes, alavancados pelo famosíssimo movimento da Jovem Guarda. Este, liderado por nomes como Roberto e Erasmo Carlos, Jerry Adriani, Golden Boys, Renato e seus Bluecaps entre outros, era comumente associado ao rock, e escancaradamente influenciados pelos Beatles e Rolling Stones (é só lembrar as incontáveis versões tupiniquins para as músicas destas bandas). Neste ponto, vamos abrir aqui um adendo: devido à falta de uma identidade própria e originalidade em relação a tentativa de se fazer rock nestas duas primeiras décadas, estaremos despontuando da lista TOP 30 os artistas desta época, contudo, sem jamais desconsiderar o reconhecimento acerca do talento, pioneirismo e da importância destes, principalmente na influência dos artistas que viriam depois. Como dito anteriormente, não será tarefa fácil concluir esta lista...

A década de 70, bradada por muitos a grande década do rock internacional, também iluminara as terras brasileiras, fazendo surgir os primeiros grandes nomes do gênero, mas por aqui, a "Era de Ouro" do rock viria uma década depois, os famosos anos 80 do BRock. Justifica-se essa alcunha? Vejamos. Para quem não pôde vivenciar a época, seria inimaginável conceber que o rock nacional era a grande onda musical do momento. Estavam em praticamente todas as rádios FM, aquelas mais badaladas, as mais ouvidas, estas mesmas de hoje consideradas rádios jovens e que são dominadas pelo Wesley Safadão, Anitta, Rihanna e Pablo Vittar. Dá pra imaginar? Mas não é só. Também os programas dominicais de TV de maior audiência tinham espaço certo para as bandas de rock, muito embora através dos constrangedores playbacks (ainda sim válido, se considerado o espaço aberto para estas bandas). Não acreditam? Perguntem aos quarentões ou mais de hoje, eles poderão ratificar. Diante deste cenário favorável, o Brasil Roqueiro surgiria para o mundo através da primeira edição do Festival Rock in Rio, no ano de 1985 (a melhor e mais comentada edição ainda hoje). Sim amigos, a juventude era do rock, e por isso, pode ser mesmo chamada de "Era de Ouro" do rock nacional. Mas nem tudo eram flores, há de se considerar a pobreza instrumental, muitas vezes proporcionadas pelas Gravadoras, que buscavam "pasteurizar" ao máximo o som, de forma que fosse mais palatável e para que coubesse mais facilmente na grade das FMs. O resultado: baterias "plásticas", do tipo eletrônicas, guitarras minimizadas e com peso regrado, além de indesejáveis teclados/sintetizadores. A compensação viria mesmo através das letras, que pareciam falar diretamente ao coração dos jovens da época, com uma pluralidade de temas como protesto à política, crítica social, existencialismo, poesia, e ainda outras mais sarcásticas, com duplo sentido e com boa pitada de humor inteligente. Não querendo fazer a linha saudosista, mas não dá para não refletir o quanto nossa juventude regrediu culturalmente. Não se trata apenas da música em geral ou do rock, mas atendo-se apenas a este, podemos ver a gama de temas e assuntos explorados nas letras das bandas da época. De certa forma, levavam os jovens a refletir sobre diversos aspectos da existência humana e da nossa sociedade, havia um interesse geral por tudo isso. O que temos atualmente de mensagem nas letras das músicas POP aclamadas pela maioria da juventude alienada de hoje, além da tríade ostentação/pegação/sofrência?

Enfim, vamos em frente, pois os anos 90 pedem passagem. E aqui, duas notícias: uma boa e uma ruim. A ruim é que o Brasil já não era mais o país do rock. A invasão da Axé Music e a massificação da música sertaneja com os eternos "Amigos" Xoroxó/Zezé/Leonardo tomaram em definitivo o espaço que outrora fora do rock. A boa notícia: apesar do menor espaço para o rock, a década de 90 rendeu uma boa safra. A nova geração de bandas trouxe um vigor necessário para uma também nova geração de roqueiros que estava surgindo, e desta forma, não deixou a chama apagar no coração dos jovens. Apesar do peso e da responsabilidade que o sucesso do rock 80´s impunha, as bandas dos anos 90 se saíram muito bem. É fato que as letras já não possuíam a mesma profundidade e riqueza da década passada, mas como bônus, e facilitado também pela menor influência e pressão das Gravadoras (estas que já se viam ameaçadas pelo movimento das gravadoras independentes, diga-se de passagem...), as novas bandas apresentaram uma originalidade no som impressionantes. Foi nítido o crescimento e amadurecimento instrumental para o rock nacional, apresentando várias novas facetas. Chegaram os anos 2000, e o sertanejo finalmente concluíra o ensino médio, entrando agora em sua fase Universitária e dominando de vez todas as paradas musicais, de norte a sul do país. Somado ao advento da internet e a forma com que esta afetara a maneira da qual consumimos música, e especialmente o rock (se tiverem interesse, busquem no Whiplash, por nome do autor ou pelo título da matéria, outra publicação em que escrevo mais a fundo sobre isso, o texto se chama "Música: a internet e o modo como a consumimos"), o impacto negativo para o BRock fora devastador... Contudo, nem tudo estava perdido, surgiria aí um movimento genuíno, maldosamente chamado de "emocore", consistido de vários representantes até certo ponto bem sucedidos no mísero espaço que ainda restara ao rock, como a MTV, o Youtube e alguns programas de rádio e TV direcionados ao público adolescente. O grande problema é a diversidade de outrora dos anos 90, que aqui não fora repetida, pois o movimento emocore (olha o bulliyng de novo...) seguia quase que a mesma premissa de uma base punk/hardcore melódico-adocicado, e com letras que não variavam muito do cenário das paixões juvenis, uma constante "sofrência" adolescente, como em um eterno enredo de Malhação. Convenhamos, não combinava muito com a temática / estilo rock. Não fosse apenas isso, também não havia muita afinidade com o gênero a (falta de) atitude dos roqueiros 2000, um bom mocismo e uma sensação de vivência em um mundo cor-de-rosa, em nada identificado com o estilo contestador, controverso, sarcástico e pensante desde sempre presente no rock. Esquisitices à parte, ainda sim era uma "bandeira roqueira" empunhada pelos adolescentes, nesse momento soprando as últimas faíscas restantes das cinzas do rock´n´roll. Talvez seja neste intervalo que aquela pequena parcela ainda existente da nossa juventude, que um dia já fora maioria, aquela que não é alienada, que não se conforma com o status quo imposto pela sociedade, que é inquieta, angustiada e conflituosa, que está buscando se encontrar e ainda não tem a menor ideia do que quer da vida mas que ainda sim procura manter firmes seus ideais, aquela que possui atitude, que sempre manteve a chama acesa do rock, infelizmente deixou de se identificar por este estilo. Não é por acaso que o Rap e o Hip Hop, não só no Brasil, mas no mundo, tomara este lugar que um dia fora do Rock no coração desses jovens. A década seguinte, a nossa atual, para melhor descrevê-la, talvez fosse melhor não mencionar nada. Apenas nada. Para você, caro leitor, que bravamente chegou a este ponto sem pular direto para a lista, apresento-lhe minhas sinceras considerações! Vamos lá:

30 - CPM 22
Precursores da nova geração de bandas que despontaram nos anos 2000, abriram caminho para todas as outras do gênero. Com uma boa pegada punk/hardcore, bateria bem conduzida pelo Japa, e vocais enérgicos e seguros de Badauí, conseguiu se destacar e atingir um patamar acima da média em relação aos seus contemporâneos, abrindo com méritos a nossa lista.

29 - Cachorro Grande
Mais uma banda da geração 2000, mas desta vez, uma que se destacou pelo estilo diferenciado, mais rock and roll, com influência principalmente do lado britânico. Com boas canções e performances ao vivo, o Cachorro Grande chegou a inspirar uma liderança no cenário rock de sua época, abrindo portas para novas bandas, mas não teve fôlego para ir mais além e manter este patamar.

28 - Planet Hemp
Apesar da monotemática ideológica da banda, já explícita no nome, o Planet Hemp é dono de um som único, contagiante, e que arrebatou milhares de fãs desde o primeiro disco. A despeito do precoce encerramento da banda, ainda hoje, quando se reúne para apresentações especiais, consegue ser relevante no cenário rock brasuca.

27 - Lobão
Desde sempre polêmico, o estilo rockstar falastrão e contundente rendeu excelentes canções nos anos 80, sendo um dos grandes nomes desta geração. Contudo, há décadas que as suas declarações e posições políticas rendem mais destaque do que propriamente sua música.

26 - Los Hermanos
Essa banda sofreu uma injustiça histórica, e que a prejudicara em atingir um status ainda maior (em um contexto diferente, poderia até estar melhor colocada nesta lista). A música "Anna Júlia", que tornou a banda conhecida no Brasil inteiro, exaustivamente tocada nas rádios e programas de TV, não correspondia exatamente ao perfil musical do grupo. Então tivemos uma leva de jovens que se apaixonaram imediatamente por Anna Júlia, e depois abandonaram o barco, por verem que a banda não era exatamente o que esperavam, e uma outra leva que fatalmente até se identificariam com o trabalho posterior do Grupo, mas que, por preconceito ou falta de afinidade com a levada Pop de Anna Júlia, perderam o trem da história em conhecer melhor a banda. Ainda assim, o grupo possui uma base fidelíssima de fãs, destas pouco vistas no Brasil. Foi muito impressionante poder ver o que ocorria nos shows: da primeira à última música, verso por verso, cantada em uníssono por toda a plateia. De arrepiar.

25 - Pato Fu
Os mineiros do Pato Fu nunca atingiram o maintream do rock brasuca. Contudo, o talento e afinidade da dupla Takai/John, que fora além da música, renderam momentos memoráveis ao grupo. Com tamanha qualidade, é difícil imaginar como não atingiram um maior reconhecimento, ainda sim, tem seu registro garantido nos grandes da história do rock nacional, e a 25ª posição desta lista.

24 - Camisa de Vênus
Ratificando que nem só de Axé vive a Bahia, o Camisa de Vênus chegou com tudo no cenário do rock nacional. Marcelo Nova é a típica encarnação do roqueiro da velha guarda: com seu humor ácido e sem papas na língua, rendeu bons discos, hits inesquecíveis e de quebra ainda resgatou a lenda Raul Seixas em uma parceria que rendera um álbum antológico do rock nacional, realizando com Raulzito várias apresentações Brasil afora.

23 - Nenhum de Nós
Infelizmente, muita gente conhece o hit Camila, Camila mas não sabe de qual banda é. E felizmente, o Nenhum de nós foi muito além de ser uma banda de apenas um hit. Ainda na ativa, possui uma discografia sólida e fãs ávidos por novidades de Norte a Sul do País.

22 - Mamonas Assassinas
Antes de torcer o nariz para a aparição dos Mamonas nesta lista, vamos lembrar que, fanfarrices à parte, a base do som da banda é calcada no rock. Segundo argumento: antes de avacalharem com tudo, a banda que precedeu os Mamonas, chamada Utopia, fazia rock autoral e com letras sérias. Terceira e última: a guitarra do Japonês, com riffs pesados sempre presentes e até uma música inteira com a devida esculhambação ao metal (lembram da faixa Débil Metal?) reforça nossa tese. A verdade é que, de "mamando a caducando", ninguém ficou imune ao furacão Mamonas Assassinas. Ainda hoje, todo mundo gosta, é só botar pra tocar e geral começar a cantarolar as músicas. O jeito debochado, porém puro, aquela zoação juvenil quase inocente, proporcionou à banda poder cutucar os mais delicados assuntos, sem ser tachada ou pré-julgada. Saudades dos tempos em que tudo não resultava em mimimi...

21 - Matanza
Com eles não tem meio termo, ou você os ama ou os odeia. Assim, não obstante aos haters que desfilam seu "apreço" à banda em todas as oportunidades, o Matanza segue fazendo shows por todo o Brasil, e garantindo presença cativa nos principais festivais de música. Considerando que o rock é muito mais que um estilo musical, mas toda uma forma de encarar a vida, o Matanza cumpre bem o papel de nos proporcionar um certo alívio, de colocar a cabeça no lugar, ao sair de cabeça cheia do trabalho, querendo esganar seu chefe, com o simples gesto de colocar em alto volume do som músicas como "A Menor Paciência" ou "Eu Não Gosto de Ninguém", e como diria Johnny, e por aí vai...

20 - Pitty
Essa baianinha danada despontou para o cenário nacional logo no primeiro álbum, em um momento delicado para o rock brasuca, onde nada de empolgante acontecia. E não foi à toa, pois se trata de um bom e consistente disco, e mais, tendo como diferencial a liderança de uma mulher, que infelizmente, é um fato pouco comum no âmbito mundial do rock. Naquele momento, chegou a ser um alento e trouxe todo um frescor novidadeiro ao já capenga rock tupiniquim. Os anos se passaram, e Pitty se consolidou cada vez mais no cenário, sendo atualmente uma das maiores referências do gênero para as novas bandas que estão na ativa.

19 - Nando Reis / Frejat
Aqui nos permitiremos dividir uma posição desta lista entre dois artistas, afinal, eles têm muito em comum: ambos tiveram o mérito pela coragem de abandonar seus confortáveis postos em bandas já consagradas, e se aventurarem em carreira solo. Mais que isso, conseguiram ser bem sucedidos em suas novas empreitadas, ratificando suas posições como grandes compositores do rock brasileiro. Não é por acaso que são figuras sempre presentes nos grandes festivais de música Brasil afora.

18 - Ira!
O grupo mais paulistano do Brasil chegou muito mais longe do que a periferia punk de São Paulo poderia prever. Alcançou sucesso em todo território nacional, com as evidentes qualidades do frontman Nasi e do guitarrista Scandurra. Após o lançamento de um belíssimo trabalho acústico de grande sucesso, que trouxera a banda de novo para os holofotes do rock, novas brigas e discussões culminaram no encerramento das atividades da banda. Contudo, deixaram as diferenças de lado e atualmente realizam uma turnê de retorno muito bem sucedida.

17 - RPM
Eles foram gigantes nos anos 80. Seu disco "Rádio Pirata ao Vivo" é até hoje um dos mais vendidos da história da música brasileira (de fato, era difícil entrar em uma casa e não ver o famoso disco de capa preta ostentado na estante). Além disso, eles elevaram a um outro patamar a produção dos shows no Brasil, que contavam com equipamentos modernos e efeitos visuais comumente vistos por aqui apenas em apresentações das grandes bandas gringas. Também por isso seus shows eram um enorme sucesso de público, causavam verdadeiro alvoroço nas cidades por onde passavam. Infelizmente, o RPM não conseguiu manter nem de perto o sucesso atingido nos anos 80, resumindo-se a uma trilha sonora para o BBB e pontuais apresentações nostálgicas.

16 - Ultraje a Rigor
A irreverência e a crítica social com boa dose de sarcasmo são marcas registradas desta grande banda. Foram vários clássicos do rock nacional produzidos durante toda a carreira, o que consolidou o grupo como um dos maiores do BRock. Atualmente, há quem veja com olhos de comiseração a situação da banda, que atua como banda de apoio/animadora de plateia para um famoso programa de talk show da TV. Mas com outra visão, a do "copo meio cheio", temos a oportunidade de assisti-los diariamente na TV aberta destilando seu rock, em um programa popular de grande audiência, o que convenhamos, não é fácil de encontrar nos dias de hoje. É um ganha-pão que cairia do céu para quaisquer outras das bandas que foram gigantes nos anos 80 e 90, mas que não conseguiram se reinventar ou sobreviver nesta selva do mercado musical do século XXI.

15 - Kid Abelha
Tudo bem, é um rock bem "adocicado", ainda mais com a voz aveludada de uma loira estonteante à frente da banda, cantando os mais melosos hits românticos (é de aquebrantar os corações dos mais vorazes metaleiros "vikings" de plantão). Mas não há o pecado do julgamento apenas pela capa. O Kid Abelha foi uma das bandas com a carreira mais sólida desde o seu surgimento. E não foi por falta de público/audiência que encerraram as atividades. O Kid Abelha seguiu como uma das poucas bandas oitentistas que conseguiram manter o sucesso de público e crítica nas décadas seguintes, sendo relevantes no cenário do rock nacional até os dias de hoje.

14 - O Rappa
Um dos grandes expoentes do BRock 90, o Rappa é uma das poucas bandas que se mantiveram no auge desde o início da carreira. O mais surpreendente é a sua capacidade de recrutar novos fãs, que, a cada geração vindoura, fazem a esta base crescer exponencialmente. Letras com forte cunho social, músicos acima da média e o carisma de Falcão à frente da banda explicam o grande apelo do Rappa junto aos jovens, justificando sua colocação nesta lista.

13 - Charlie Brown Jr
Desde o seu surgimento, no início da década de 90, o Charlie Brown Jr sofreu com o preconceito e a desconfiança dos roqueiros da velha guarda. Seja pelo imediato sucesso das suas frequentes trilhas sonoras em Malhação, que por tabela também gerou uma identificação com a turma mais teen, ou mesmo pelo estilo "largadão" dos skatistas Chorão e Cia, o fato é que, com o passar dos anos, a banda conseguiu mostrar seu valor, e se não conseguiram cativar o gosto musical de todos, ao menos o respeito na cena rock nacional fora alcançada muito antes da prematura morte de seu vocalista. E não é para menos. A originalidade do seu som (é só começar a tocar e inconfundivelmente saberemos que se trata do Charlie Brown), aliada a uma qualidade acima da média tanto em termos de composição das letras como instrumentalmente (principalmente na cozinha baixo-batera), garantiu uma posição de destaque na história do rock nacional.

12 - Barão Vermelho
Umas das bandas mais fiéis ao estilo rock and roll presentes no cenário BRock, o Barão Vermelho já começou grande, afinal, contava com Cazuza, um dos mais icônicos representantes do rock nacional. O estrondoso sucesso na década de 80 sobreviveria a saída de Cazuza, que alçaria voo solo, e logo depois, a morte deste. Roberto Frejat não deixou a peteca cair, mantendo a banda em alto nível e comprovando sua veia compositora. Lançaram vários hits no decorrer das décadas seguintes, contudo, com a saída em definitivo de Frejat, resta saber se mais uma vez o Barão Vermelho será capaz de se reinventar e continuar com mesmo vigor. Independente disso, já asseguraram indefinidamente seu posto de uma das maiores e mais influenciadoras bandas de rock do Brasil.

11 - Biquíni Cavadão
O alto posto nesta lista pode dividir opiniões, afinal, esta banda quase nunca teve o destaque que mereceu. Aos trancos e barrancos, mesmo após ter surfado na onda do sucesso das bandas de rock dos anos 80, o Biquíni seguiu lutando para se manter na ativa e ainda relevante no difícil e combalido cenário roqueiro, completando com sucesso a dura missão de emplacar vários hits radiofônicos durante toda carreira e até os dias atuais. O barítono Bruno Gouveia esbanja qualidade vocal e emoção na dose certa em suas performances, e ao lado da banda, é responsável por uma das melhores performances ao vivo de toda a cena rock.

10 - Cássia Eller
Cássia Eller era a pura essência do rock. Tinha postura e atitude de sobra, era original e verdadeira, sem nunca se importar para as críticas ou se render às tendências. Por ser uma das melhores intérpretes do meio musical, foi reverenciada por artistas de vários segmentos, o que rendeu boas parcerias e inúmeros projetos. Morreu precocemente mas deixou um legado sem tamanho e uma lembrança ainda muito viva na cabeça não só dos roqueiros, mas de todo segmento musical.

9 - Raimundos
Logo no primeiro disco, os garotos de Brasília já chamaram atenção pela identificação com a cultura nordestina e a alcunha de "forró-core". Rótulos à parte, o que o Raimundos apresentou e logo cativou 99% dos jovens de sua geração na década de 90 foi um som pesado, cadenciado, com influência hardcore-punk porém com a pitada de brasilidade que os fizeram tão originais. E o melhor: as letras despretensiosas! Para os mais desavisados pode soar apenas palavrão gratuito e pornográfico, mas o que é legal do Raimundos é a forma de dizer isso, soando mais como uma molecagem adolescente, que "sofre" com os hormônios em ebulição, sem tanta maldade no apelo sexual, mas ainda, com uma certa dose de sacanagem. E convenhamos: todo mundo gosta de falar palavrão, nem que seja quando está sozinho falando consigo mesmo. Cantarolar músicas que falam de sacanagem, sem querer ser obsceno ou malvado, só por molecagem: este é o resumo!

8 - Cazuza
O Cazuza surgiu para o rock como um furacão, que chega e arrasa tudo pela frente, sendo impossível passar desapercebido. Infelizmente esta analogia também cabe ao seu curto tempo de vida, interrompida precocemente e no auge da sua carreia musical. Com um senso crítico apurado, parecia estar muito à frente da sociedade da época, e muitas vezes era incompreendido. Destilava críticas sobre a hipocrisia das pessoas preconceituosas e as inúmeras mazelas sociais do país, mas também tinha um lado doce que rendia belas canções sobre amor e amizade, comprovando sua versatilidade como compositor magistral que fora. Seu talento latente contribuiu para alavancar a carreira do Barão Vermelho, e como artista solo, se firmou como um dos maiores ícones da música brasileira de todos os tempos.

7 - Capital Inicial
Nascidos na fértil cena rock de Brasília do início dos anos 80, de cara, já não poderíamos trata-los como uma banda qualquer a considerar apenas sua história, que começou simplesmente através do Aborto Elétrico, banda precursora que seria a base da formação da Legião Urbana e Capital Inicial. Com a chegada de Dinho Ouro Preto ao posto de vocalista, eles sedimentaram os pilares do rock 80´s. Caíram. Com a saída de Dinho ainda na década de 90, se resumiram à obscuridade. A volta de Dinho foi também a volta por cima da banda, ratificado com o lançamento do álbum "Acústico MTV" no ano 2000. O sucesso do álbum foi tanto que caiu no gosto de todas as tribos musicais (era comum ouvi-lo tocando nos carros de som dos playboys da época, entre funks, sertanejos universitários e outras de gosto mais ainda mais duvidoso). Neste ponto, talvez por ciúme (tem bicho mais ciumento que roqueiro?), como tudo que se torna muito popular, a ala roqueira mais conservadora se afastou da banda. Mas foi por pouco tempo. Provando estarem mais afiados e compromissados com o rock do que nunca, continuaram lançando um hit atrás do outro, mantiveram-se mais populares ainda, e de quebra, trouxeram junto uma leva de fãs da nova geração, tarefa nada fácil para qualquer banda que surgira na década de 80.

6 - Rita Lee
Hoje parece bacana dizer, mas a alcunha de "artista", seja na música, teatro, enfim, na década de 60, não era muito bem vista pela sociedade. Agora acrescente esta visão machista da época ao fato de uma mulher estar metida neste meio. E mais: cantando rock. E ainda não acabou: em uma banda nada convencional e totalmente fora dos padrões da época, os Mutantes. Achou a carga pesada? Pois Rita Lee tirou de letra, fez o que quis, sempre com grande personalidade e talento acima de tudo. Saiu em carreira solo, imprimindo na pele o rock and roll. Não deixou de receber "pedradas", seguiu em frente e conquistou o posto de Rainha do Rock. Um registro épico entre tantos de sua longa carreira, já na maturidade desta, em pleno anos 2000, participara com sua banda em um programa de auditório da TV aberta, em que na ocasião haviam vários palcos formando um círculo, ao melhor estilo do britânico programa Later with Jools Holland. Entre as atrações estavam ainda duas outras bandas da geração 2000, sucesso entre os jovens da época. Ao vivo, estas últimas fizeram suas apresentações com muito vigor e empolgação da plateia presente, repleta de jovens. Contudo, quando chegou a vez da Titia Rita se apresentar com a sua banda...quanta diferença no som! Limpo, bem executado, cadenciado, sintonia perfeita entre os músicos, impecável! E Dona Rita então, que presença e domínio de palco! Tudo bem, não é justo comparar tanta bagagem e experiência adquirida com anos de estrada com os mais jovens. Mas ao vivo, mesmo bandas mais rodadas costumam "derrapar", muitos gigantes do rock não conseguem performar ao vivo com a mesma facilidade. Enfim, embora tenha tido uma longa carreira, é uma pena que tenha se aposentado. Esta lacuna deixada ainda não foi preenchida, e dificilmente será.

5 - Paralamas do Sucesso
Certamente, muitos irão questionar: "Paralamas é rock"? E a resposta é: em sua essência, sim. Certamente, existem em suas influências muita música latina, ritmos variados, mas basta assistir a um show do Paralamas e você vai facilmente identificar a veia roqueira do grupo, que costuma pesar mais a mão ao vivo. Quanto à atitude, nada mais rock and roll que a liderança que a banda exerceu em seus contemporâneos na década de 80, abrindo portas para muitos, e ainda no início de carreira, tendo a oportunidade de realizar um show épico no primeiro Rock in Rio. Rock and roll também é ver o que passou Hebert Vianna e vê-lo de novo, de cadeira de rodas, subir ao palco com toda gana e ainda executando um dos shows mais emocionantes atualmente. Soma-se a isso a capacidade musical inigualável de três dos maiores músicos brasileiros, Hebert, Bi e Barone. Só poderia resultar em sucesso do início até os dias atuais, e nada menos que esta 5ª colocação na lista.

4 - Engenheiros do Hawaii
Guardadas as devidas proporções, assim como Beatles e Rolling Stones na década de 60, os Engenheiros fizeram com a Legião Urbana a dobradinha de maior sucesso do Brock nos anos 80 entre os jovens pensantes e introspectivos. Dentro deste universo, havia ainda uma parte desta ala jovem que se identificava mais com os Engenheiros, pelo lirismo e poesia de suas letras. Apesar do contínuo sucesso durante toda carreira, foi o trio Gessinger, Licks e Maltz que ficou eternizado como a formação mais aclamada pelos fãs. Bem no início dos anos 90, ocorreu o apogeu do grupo, com o lançamento do disco "O Papa é Pop", sendo também a principal música de trabalho deste disco (era só acender uma lâmpada que ela tocava na rádio). Continuaram em uma crescente incrível, porém, como clichê da maioria das bandas que se desentendem quando atingem seu auge (o dinheiro e a fama atiçam demais as vaidades), o guitarrista Licks, considerado por muitos como insubstituível, resolve deixar a banda antes da metade dos anos 90. Apesar do baque, os Engenheiros continuaram firmes e lançando ótimos discos. Iniciaram muito bem o hostil terreno dos anos 2000 para o rock nacional, com novos discos mais pesados se comparados ao histórico do grupo. Porém na década atual, vive entre hiatos e expectativas de retorno para os palcos e quem sabe, lançar materiais inéditos. Nada que possa diminuir o tamanho e a importância de uma das bandas de maior sucesso e maiores compositores de clássicos do rock nacional.

3 - Titãs
Como o próprio nome já preanuncia, o Titãs é sem dúvida um dos gigantes do rock nacional. É algo admirável ver, em todos os anos de carreira e mesmo com as mudanças de formação, que a banda sempre fez o que quis, falou através de suas letras sobre praticamente tudo o que poderia ser abordado, e o que é mais interessante: para quem olhava de fora, parecia absolutamente divertido para a banda. Em retrospectiva, os Titãs foram sucesso imediato na década de 80, pois além do cenário rock da época, ainda se diferenciaram qualitativamente e quantitativamente (só vocalistas eram cinco, algo que poderia ser mais comum e exemplo a ser seguido também em mais bandas, afinal, é prazeroso poder ouvir em uma mesma banda uma diversidade de estilo e timbres de vozes, e desta forma eles acabam tendo mais liberdade e possibilidades nas composições sem se preocuparem com a versatilidade de um único vocalista). Na década seguinte, ocorreu algo bem incomum e que ajudou na consolidação da banda no cenário nacional. Camaleões que sempre foram, os integrantes do Titãs entraram uma nova vibe, pesando mais a mão no rock, e caindo de vez no gosto da molecada dos anos 90. Então o Titãs que viera na crista da onda das bandas dos anos 80, continuou surfando junto as novas bandas 90´s, como se já fossem desta turma desde sempre. Quando se achava que a base de fãs já estava consolidada, em mais uma "inversão de clima" do Titãs, saíram do rock pesado para um projeto mais intimista, entrando na fase acústica. Não tirando o evidente mérito do Barão Vermelho e Legião Urbana, grandes do rock nacional que respectivamente tiveram sucesso antes em projetos acústicos no início da década de 90, foi o Titãs quem reabriu a série de projetos acústicos bem sucedidos do rock nacional, asfaltando a trilha e encorajando bandas como Capital Inicial, Kid Abelha, Ira!, Engenheiros entre tantos outras a seguirem o mesmo caminho. Atualmente, o Titãs continua muito relevante no cenário rock, e os membros remanescentes ainda fazem um show enérgico e vibrante, fazendo jus a esta terceira posição.

2 - Raul Seixas
Raul Seixas não era desse planeta. Era a atitude rock em pessoa: irreverência, sarcasmo, olhar crítico, análise profunda das mais variadas questões da existência humana, tudo isso, claro, na fora "Raulziana" de pensar. Seu legado é tão significativo que se ele se transformara em um personagem dele próprio. Raul fazia música expressando sua forma de enxergar o mundo, levando-nos sempre a uma reflexão, que, independente de concordar ou não, apenas o exercício de divagar sobre as propostas de Raul já é interessante. É muito impressionante pensar que Raulzito já falava com propriedade sobre alguns temas na década de 70 que são atuais até hoje, demonstrando o quanto estava à frente de seu tempo. Sua legião de fãs é fiel e chega ao extremo de cultuar Raul como se este fosse um grande Guru espiritual, muito embora o próprio tirasse sarro desta situação, nunca vestindo a carapuça de Rockstar. Sua influência no rock é tão evidente que dificilmente você encontrará alguma banda brasileira de rock que tenha surgido na década de 70 em diante e que não faça menção à Raul como uma de suas inspirações. Mais difícil ainda é você ainda não ter escutado o imortalizado "toca Raul" em qualquer apresentação ao vivo de alguma banda, ou apenas em rodinhas de violão. Com incontáveis clássicos, cravou seu nome não somente como um dos maiores do rock, mas da música brasileira como um todo, não merecendo menos do que a segunda colocação desta lista.

1 - Legião Urbana
A única colocação da lista em que não houve dificuldade para definição, e que provavelmente causará menos surpresa, afinal a Legião Urbana é quase unanimidade ao se pensar em maior nome do rock nacional. Renato Russo é o porta-voz máximo de toda uma geração, da qual ele mesmo batizou de "geração coca-cola". Muito mais que isso, a Legião atravessou gerações, e consegue ainda hoje o feito de ser uma banda "eternamente jovem", pois diariamente, em cada canto do país, um novo adolescente toma conhecimento do mundo da Legião Urbana e se identifica imediatamente com sua música. É difícil explicar em palavras o impacto que as letras de Renato Russo causam. Seja talvez pela linguagem simples e direta, de fácil entendimento, seja por se expressar sempre na forma "sentindo na pele", as letras de Russo abordam o existencialismo, o cotidiano e as aflições dos jovens que tentam se enquadrar na dureza deste mundo. Traz satisfação constatar que, desde o surgimento da banda na década de 80, a Legião Urbana é a primeira colocada na procura de cifras em vários sites. É mais louco ainda imaginar que, mesmo após vários anos de término da banda, esta posição continue inalterada. Não é à toa que, pintou uma rodinha de violão, sai sempre uma música da Legião. O culto à Legião é tão grande que praticamente todas as músicas de seu vasto repertório se tornaram clássicos. De forma retórica, segue a pergunta: alguém mais conseguiu este feito?

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Os nomes abaixo não entraram no TOP 30, mas merecem uma menção honrosa por sua valorosa contribuição ao rock nacional:
Ratos de Porão, Blitz, TNT, Tihuana, Dr. Silvana & Cia, Inocentes, Luxúria, Detonautas, Velhas Virgens, João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, Plebe Rude, Hanói Hanói, Rádio Taxi, Yahoo, Uns e Outros, Heróis da Resistência, Inimigos do Rei, Supla, Magazine, Golpe de Estado e Garotos Podres.

Finalizando, não poderiam deixar de serem mencionadas as participações mais que especiais na incrível história do rock nacional as grandes bandas Mutantes, Secos & Molhados, O Terço, Jota Quest, Skank e Nação Zumbi, que não fizeram parte desta lista apenas por não se enquadrarem no critério proposto, afinal, estas bandas tiveram o incrível mérito de criarem um quase que um estilo próprio, transpondo as barreiras do gênero rock, e assim, seria incoerente estabelecer uma colocação nesta lista.




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Sobre Jean Carlo B. Santi

Jean Carlo B. Santi é Administrador de Empresas e Pós-Graduado em Marketing. Músico amador, atua também como baterista numa banda que toca covers de classic rock. Ainda criança, pôde conhecer através de um tio bandas como Queen, Pink Floyd, Gênesis, Nazareth, U2, Bon Jovi, Guns'n'Roses... Mais tarde, descobriria por conta própria que havia muito mais no rock, e desde então, nunca mais encontraria o caminho de volta do limbo de onde vivem todos estes seres fantásticos e surreais, habitantes deste mundo à parte chamado rock'n'roll.

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