Iron Maiden: biografia escrita por Mick Wall fica abaixo da expectativa
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collectors Room
Postado em 21 de fevereiro de 2016
Talvez eu tenha lido muito sobre o Iron Maiden, afinal sou fã da banda inglesa desde a adolescência. Talvez Mick Wall, o jornalista inglês autor desta biografia sobre o grupo inglês, já tenha escrito o trabalho de sua vida em "Quando os Gigantes Caminhavam Sobre a Terra", onde conta a história do Led Zeppelin. Não sei qual destes dois motivos, mas a conclusão é bem clara: "Run to the Hills", a biografia autorizada do Maiden escrita por Wall, é um livro que não alcança alta expectativa esperada.
Pode ser obra da tradução da edição brasileira, mas o fato é que o texto não engrena em nenhum momento. A narrativa é cansativa e amarrada, o que é inexplicável em uma história com tantas reviravoltas quanto a do Iron Maiden. Não li a edição inglesa, então não possuo parâmetros para comparar a original com a versão nacional, mas é inegável que chegar ao fim das 400 páginas desta biografia foi um trabalho árduo.
Uma possível explicação para isso talvez esteja na data do lançamento original de "Run to the Hills", o livro. Uma das primeiras obras de Mick Wall, chegou às lojas no já longínquo ano de 1998, e não traz a personalidade e identidade do texto que encontramos em outros livros do jornalista inglês, como a já citada obra dedicada ao Led Zeppelin e na também excelente "Metallica: A Biografia". Ao comparar estes três livros, percebe-se que Mick Wall ainda não havia encontrado a fórmula que desenvolveu para narrar a trajetória de seus heróis. Não há nada épico e surpreendente aqui, ao contrário dos títulos dedicados ao Led e ao Metallica. E, convenhamos, não encontrar elementos atraentes para contar a história de uma das maiores bandas de todos os tempos é, no mínimo e na falta de uma palavra mais apropriada, um balde de água fria (poderia optar por "incompetência", mas Wall já provou a sua capacidade em vários outros títulos).
Há problemas estruturais também. O texto ocupa quase metade do livro para contar a formação da banda e o seu período com Paul Di'Anno, enquanto a outra metade é dedicada aos tempos com Bruce Dickinson e Blaze Bayley. Quem conhece a história da banda sabe que a época áurea do Maiden foi justamente com Bruce, e os fatos praticamente imploram por mais espaço. Além disso, o livro cobre a linha do tempo do Iron Maiden somente até o álbum "Dance of Death", lançado em 2003. O livro acaba em 2003, deixando dois discos de estúdio e dez anos de história no limbo. Por mais que a obra original não tenha recebido uma atualização, lançar a biografia da banda de heavy metal mais popular entre os brasileiros ignorando a última década de sua vida soa quase amador. Um apêndice exclusivo para o mercado nacional com capítulos contando esse período seria o apropriado, como, inclusive, já foi feito por várias editoras. Uma imensa falta de senso comercial salta aos olhos nesse aspecto.
A obra não é de toda ruim e tem seus méritos, mas a sensação, ao final da leitura, é que poderia ser muito melhor. Por todos esses aspectos, "Run to the Hills" acaba sendo um livro dedicado apenas para os fãs mais apaixonados do Iron Maiden, parcela do público que sabe de cor e salteado praticamente todo o conteúdo que ele carrega em suas páginas.
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