Yesomar: entrevista sobre o projeto "Gigantes do Rock Gaucho"
Por nino lee rocker
Fonte: MEUS DIAS DE MUSICA
Postado em 02 de dezembro de 2017
YESOMAR e os "Gigantes do Rock Gaúcho".
Troquei uma ideia com o Dundi, integrante da veterana banda gaúcha YESOMAR, uma banda que acompanho muito desde que surgiram, eles foram meio que percursores daquele rock ‘n’ roll de alta voltagem que durante o final da década de 90 explodiu bandas como os HELLACOPTERS, GLUECIFER, BACKYARD BABIES, D4, SWEATMASTER, DANKO JONES,THE WILDHEARTS, TURBO NEGRO… em 2005 eles estavam um passo a frente por estarem diretamente conectados a esse estilo e tinham, além do som explosivo, uma postura visceral.
Na época era muito mais fácil você ser "abduzido" por uma banda quando ela possuía força real, ouvíamos nas rádios especializadas em rock, líamos sobre as grandes novidades em matérias que nos deixavam antenados e longe de todo esse congestionamento gerado pela internet e que soterra ótimas bandas, havia o boca a boca, a maior divulgação que se pode ter e principalmente, haviam muitos lugares onde podíamos vê-las executar seu som diante de nossos ouvidos e olhos e eles pulsavam diante da YESOMAR.
Os tempos mudaram, os espaços sumiram, os meios de divulgação reduziram-se quase a nada e para encontrar o novo hoje em dia só se ele cair no seu colo, ir atrás das grandes novidades é algo cada vez mais raro e a maioria das pessoas considera isso algo que dá muito trabalho.
Mas acredito que o panorama está prestes a mudar, não que eu delire no fato de que o rock será novamente um fenômeno de massa, hoje ele encontra-se muito mais no underground, mesmo que esse "underground" tenha um pouco mais de possibilidades de tornar-se mais reconhecido, mas acho que a união fará a força, jornalistas, blogs, sites já começam a se empenhar com bastante força para expor o atual cenário nacional, que ao meu ver está de parabéns e em uma de suas melhores fases.
A YESOMAR, trabalhou duro, não só rodando pelo Brasil mas também pela Argentina e Uruguai e construiram uma base de fãs bem diferenciada.
Numa excelente estratégia de renovação e criatividade a banda nos surpreendeu ao criar uma ideia e tanto lançando um projeto com execução própria e a participação de artistas lendários do cenário sulista Brasileiro e que marcaram época entre as décadas de 60,70,80 e 90, dois volumes chamados "Gigantes do Rock Gaúcho 1 e 2".
É de muita valia cultural fazer algo que ainda conecte o passado, origem de tudo em nossa efervescência musical levando-a de encontro a nova geração antes que todo um valor histórico possa acabar confinado ao esquecimento eterno, conhecimento é tudo e sempre será.
Segue a entrevista que fiz com o vocal e líder Dundi Yesomar e fico na torcida para que essa genial ideia possa ter o reconhecimento que merece.
Nino - A YESOMAR já tem um belo chão, me conte um pouco sobre a história da banda anteriormente ao projeto gigantes do rock?
Dundi: Tocamos por aí desde 2005, sempre com um show enérgico querendo inovar a cena na medida do possível, gostamos de ter "ação" no palco, e isso as pessoas curtem e dizem que é o diferencial de nossa banda, acho que o visual é importante também e estamos sempre compondo e criando coisas, isso nos alegra, temos uma ânsia incontrolável de tocar em lugares que nunca fomos. Fizemos muitos intercâmbios com bandas de outros estados e outros países, curto muito trazer as bandas da Argentina e Uruguai pra cá, e depois a gente vai lá e toca também.
Nino – Vocês foram uma das primeiras bandas a fazer um som inspirados em bandas Suecas como HELLACOPTERS, com um pé no stoner também, aquela vibe de alta eletricidade, naquele tempo ainda era algo novo por aqui, certo? O que mais influenciava vocês?
Dundi: Sim, na época não tínhamos muitas bandas de "alta voltagem rock" por aqui, tinha WALVERDES com seu rock cru grungeiro/stoner e tal, mas a gente curtia e curte muito a cena sueca/nórdica e o pessoal da cena do Deserto dos EUA, baseado nisso criamos a YESOMAR justamente pra suprir a necessidade de tocar esse estilo que nos encanta tanto, se escutar nossos sons verá uma nítida influência de HELLACOPTERS, TURBONEGRO, GLUECIFER, FU MANCHU, KYUSS, FLAMING SIDEBURNS, SEWERGROOVES e outras bandas desse estilo, que misturamos com o punk do DEAD KENNEDYS, SEX PISTOLS... sem deixar de citar os grandes mestres como MC5, STOOGES, DEAD BOYS, DAMNED e DEATH, não tem como fugir das influências das coisas que escutamos toda hora e também das clássicas tipo SABBATH, AC/DC, SKATE PUNK, SKA e muito blues, óbvio!
Nino – Como Surgiu essa ideia do projeto "Gigantes do Rock Gaúcho"?
Dundi- O projeto "Gigantes do Rock Gaúcho" é baseado na história da cena local, nós vivemos de maneira muito forte o que tinha sido feito nos anos 80 com as coletâneas Rock Grande do Sul, Rock Garagem e Porto Alegre Rock, que é bem explicada na bela frase do amigo Thiago: "A melhor forma de homenagear a história é convidar ela pro novo".
Baseado nisso a gente pensou em juntar todo mundo, porque dessa forma a coisa anda e partindo daí podemos fazer vários projetos como shows e eventos com eles e também é óbvio, contar com a notoriedade desses amigos artistas para que também possamos ter uma visibilidade maior, mas a essência é todo mundo se ajudando!
Não pensamos em regravar covers dessas bandas e sim compor e convidá-los pra cantar e tocar, inclusive alguns deles nos ajudaram nas composições, o que fica muito legal, tudo feito ali na hora com pensamento criativo intenso e divertido.
Até agora foram duas ações, o "Gigantes do Rock Gaúcho Vol. 1" foi lançado em 2016 e contou com as seguintes participações: Fughetti Luz (BIXO DA SEDA), Tonho Crocco (ULTRAMEN), Jacques Maciel (ROSA TATTOOADA), Frank Jorge (GRAFORREIA XILARMONICA), Carlos Carneiro (BID~E OU BALDE), Ratão (JUSTA CAUSA), Júpiter Maçã, Rafael Malenotti (ACÚSTICOS E VALVULADOS), Duda Calvin (TEQUILA BABY) e Júlia Barth (OS REPLICANTES).
O "Gigantes do Rock Gaúcho Vol. 2" foi recém lançado. Foi muito gratificante e enriquecedor poder trabalhar com músicos que já estavam em atividade antes de começarmos a tocar ou mesmo ter uma banda, além de adquirirmos experiência, pudemos resgatar bandas que já não existem mais ou que não eram lembradas pelas novas gerações. Neste disco, tivemos os convidados: Claudio Heinz (REPLICANTES), Bebeto Alves, Paulo Dionisio (PRODUTO NACIONAL), Julio Reny, Felipe Messa (PUPILAS DILATADAS), King Jim (GAROTOS DA RUA), Nei Van Soria (TNT e Os CASCAVELLETES), Fredi Chernobyl (COMUNIDADE NIN JITSU), Eduardo Branca (M16), Nenung (A BARATA ORIENTAL e DARMA LOVERS), Alemão Ribeiro (CABALA), Lucio Dorfman, Rafael Casarin, Fyah Rocha, Madamme Gaby e Simone Schuster.
Nino – O segundo volume está lançado, dessa vez foram mais a fundo na história dos anos 80 do rock feito no rio grande do sul, deve ser empolgante viajar sobre tantas possibilidades, na hora de escolher deve ser um processo complicado em uma cena que foi tão rica, certo?
Dundi: É inexplicável a satisfação de tocar e gravar junto com os mestres da cena, as pessoas que escutamos a vida toda, isso não tem preço que pague, todo o trabalho de convidar, buscá-los, ouvir tantas histórias e gravar com eles foi divertido demais, daria para escrever um livro sobre tudo o que ouvimos deles, foi como viver um revival da cena mesmo, um aprendizado pra nós.
Alguns momentos nesse processo se tornaram históricos como ter sido a a última gravação de estúdio do JÚPITER MAÇÂ, ele veio a falecer dias depois, ao mesmo tempo ficamos tristes com a morte dele, foi uma comoção não só em nosso estado mas também para o rock nacional mas felizes por tê-lo no projeto, uma honra pra gente. Outro fato que era dado como algo impossível foi conseguir a participação do lendário FUGHETTI LUZ do LIVERPOOL e BIXO DA SEDA, sempre quis fazer algo com ele, mas há anos ele vive como um eremita afastado de tudo mas conseguimos essa façanha.
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Nino - Dundi, você é apelidado aqui no Rio Grande do Sul como o JELLO BIAFRA dos Pampas, me fala um pouco sobre isso.
Dundi - Eu acho que é pela forma como me entrego nas apresentações, as vezes minha performance sai totalmente fora de controle, nas minhas veias corre um sangue muito forte de caras como IGGY POP das antigas, STIV BATORS, JELLO BIAFRA, MIKE PATTON, tenho muito daquele astral que rolava dentro do CBGB em seu auge punk de 77 e do proto punk também, já é algo da minha natureza.
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