Gotthard: Com 20 anos só pensamos em sexo e rock

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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A banda suíça GOTTHARD, formada por Leo Leoni e Freddy Scherer (guitarras), Marc Lynn (baixo), Hena Habegger (bateria) e Nic Maeder (vocal), lançou este ano o álbum "Silver", cujo nome é uma alusão aos 25 anos de carreira da banda, às suas "bodas de prata". Conversei com Freddy Scherer, guitarrista da banda desde 2004, sobre o álbum, perspectivas de um retorno ao Brasil, mas também sobre o [já não tão] novo vocalista, o também suíço Nic Maeder, que substituiu Steve Lee, morto tragicamente em 5 de outubro de 2010. E também fiz uma proposta: em 2042, a GOTTHARD deveria lançar o álbum "Gold". Confira toda a conversa logo abaixo.

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Imagem: Site Oficial

Daniel Tavares : Vamos falar sobre o seu novo álbum. O que "Silver", o álbum, significa para você?
Freddy Scherer : Bem, o "Silver" significa que é o décimo segundo álbum do GOTTHARD e que nós ainda estamos vivos e estamos muito felizes por como saiu. Eu acho que tem uma variação grande de sons, uma longa extensão de cores, diferentes tipos de canções, das enérgicas às muito melódicas. Eu acho que representa muito o que o GOTTHARD é.

Daniel Tavares : Este é o terceiro álbum com o Nic nos vocais. Tendo andado tudo isso, você acha que ele já pode ser visto como a cara do GOTTHARD? Como você compara, por exemplo, este álbum com o "G.", o terceiro da primeira fase da banda, com Steve Lee nos vocais?

Freddy Scherer : É difícil comparar o disco G. com o disco Silver porque o G foi o terceiro e o Silver é o décimo-segundo na estória da banda, mas, sim, o Silver é o terceiro com o Nic e o G é o terceiro com o Steve, então, como podemos compará-los, eu diria que ainda estávamos começando em termos de explorar ideias, em termos de conhecer um ao outro, em termos de composição, onde poderíamos ir, até onde poderíamos ir, então, sim, foi muito interessante, muito bom e ainda tem muitas coisas a explorar.

Capa do álbum
Capa do álbum

Daniel Tavares: O que você já ouviu dos fãs e críticos que já escutaram o álbum?

Freddy Scherer : Bem, a reação dos fãs, dos críticos, dos jornalistas está muito boa, muito bem. Este é um típico álbum do GOTTHARD, entretanto tem havido muitas surpresas nele. Vamos colocar desse jeito: nem todo álbum agrada todo e qualquer fã ao redor do mundo, então eu posso dizer que para 90% dos fãs com que eu conversei, ou escutei, ou nas entrevistas nos rádios, as reações foram muito positivas.

Daniel Tavares : Este é também o terceiro álbum em cinco anos. E ele se soma a nove outros que vocês lançaram antes. Nós podemos chamar vocês também de WORKHARD [N.T. Trocadilho com o nome da banda e a expressão "Trabalhar Duro"]? Ter uma boa frequência de lançamento como vocês fazem é importante para uma banda?

Freddy Scherer : Bem, eu usualmente digo que lançamos um álbum um ano sim outro não. Isso também acontecia no passado. Sem um novo álbum não entramos em turnê e, uma vez que queremos estar em turnê, nós temos que gravar os álbuns. Essa é a lógica de cada dois anos. Mas, sabe, realmente precisamos das duas coisas porque uma banda só fazendo shows fica chata, porque você quer tocar canções novas, então é hora de voltar para o estúdio e fazer isso a cada dois anos é um intervalo de tempo que faz sentido.

Daniel Tavares : Mas também com tantos álbuns na prateleira, é difícil montar um setlist, não é? Como vocês escolhem as canções para um show? Por exemplo, do "Silver" que canções serão tocadas (obviamente "Stay With Me" é uma delas) e porque vocês decidiram por elas?

Freddy Scherer : Bem, nós somos cinco pessoas na banda e, claro, todo mundo tem seu estilo, canção favorita. Sim, nós discutimos por algumas semanas até chegar ao setlist, mas o GOTTHARD é uma banda que muda o set ao longo da turnê. Nós começamos em algum lugar e normalmente acabamos em algum outro lugar. No momento nós tocamos entre cinco e seis canções novas na turnê e depende do que tipo de set será, se for um festival, se nós somos os headliners e pudermos tocar enquanto quisermos continuar tocando. No momento, do disco novo, devemos continuar com "Electrified", "Stay With Me", entre outras. Mas, como eu disse, devemos ir mudando ao longo da turnê.

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Daniel Tavares : Na canção "Stay With Me" vocês cantam "Would you take me if I change / If I could be somebody else would you stay with me".[N.T. Você me aceitaria se eu mudasse / Se eu pudesse ser outro alguém, você ficaria comigo? ] Bem, este não é o significado real (é um marido/namorado arrependido de algo que fez errado e pedindo perdão, certo?), mas nós podemos nos forçar a ler "os fãs manteriam o GOTTHARD nos seus corações mesmo se o frontman mudar". Eu estou viajando na maionese ou tem algum sentido nessa forma de pensar?

Freddy Scherer : Na verdade, esta é a primeira vez que eu ouço esse tipo de "tradução" do texto desta canção. Na verdade, ela é sobre como quando você tenta se agarrar a alguma coisa e a outra pessoa quer partir. E você tenta de tudo. É por isso que fala "se você ficar eu mudaria" e "se eu pudesse ser outra pessoa". Sabe, quando você tenta de tudo, mas, de alguma forma, não há nada o que fazer. Acabou, acabou. Mas não há nenhuma frase que possa fazer as pessoas pensarem em nosso relacionamento.

Daniel Tavares : Ainda neste assunto, é sabido que substituir um vocalista é uma das coisas mais difíceis para uma banda. Técnicas de guitarra podem ser aprendidas (pode levar um bom tempo, mas não é impossível), afinações similares podem ser alcançadas, mas a voz é como uma impressão digital. Que momentos foram mais difíceis desde que o Nic entrou na banda.?

Freddy Scherer : Comparam com a voz do Steve Lee, porque ele foi o primeiro, o que não é necessariamente injusto. Tecnicamente, é uma outra voz apesar do seu uma voz parecida e isso é muito, muito importante. Nós procuramos por uma nova coisa no GOTTHARD, nós escolhemos o Nic e ele escolheu esta banda também e nós trabalhamos juntos e temos as mesmas metas e parece funcionar realmente muito bem.

Daniel Tavares : GOTTHARD, e a maioria das bandas de hard rock, sempre se valem de baladas para conquistar legiões de fãs. Eu pessoalmente gosto mais de canções como "All We Are" (do "Lip Service") e "Silver River" ou "Electrified", do "Silver". A predileção comun por canções, digamos, mais calmas ou mais emotivas é algo sobre que você consiga explicar ou elaborar uma teoria?

Freddy Scherer : O GOTTARD sempre foi uma banda de rock, mas nós gostamos de tocar baladas também. Isso vem também dos anos 70. Nós amamos bandas como o LED ZEPPELIN, QUEEN, DEEP PURPLE, todo esse tipo de banda. E todas essas bandas tinham baladas, tinham grandes melodias, grandes canções, mas a característica principal era sempre a canção em si. Tudo ao redor tinha te ajudar nas canções. É por isso que nós não temos somente canções de rock, mas também às vezes algumas porque algumas baladas folk, ou baladas de piano. Nós gostamos disso sabe. Ao vivo não é questão. Gostamos de tocar canções mais pesadas, mas para os fãs é uma mudança boa durante o show não tocar apenas duas horas de canções completamente agitadas de rock n' roll.

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Daniel Tavares : E quanto às bandas que carregam nos assuntos atuais como mulheres, sexo e bebidas a um nível extremo, como a STEEL PANTHER?

Freddy Scherer : Bem eu acho que ache o STEEL PANTHER... Em primeiro lugar eles são grandes músicos. E sempre levam para o nível mais engraçado do Rock and Roll. Eu não sou assim um grande fã deles, mas eu os veria ao vivo, de qualquer forma. O que eu realmente gosto é de bandas como QUEEN, DEEP PURPLE. E das bandas de hoje dia eu gosto de FOO FIGHTERS, BLACK STONE CHERRY, mais que o Rock and Roll real. Eu gosto da conversa um pouco mais séria, eu diria. Quando você tem 20 anos, a única coisa que você pensa em sexo, bebidas e Rock and Roll. Trinta anos depois, tem outras coisas na vida. Eu acho que nós crescemos também. Não em todos os aspectos mais em alguns nós crescemos

Daniel Tavares : Vocês já usaram alguns elementos orquestrais em algumas canções. O que você acha de ter um álbum inteiro com uma orquestra, como outras bandas, como DEEP PURPLE e METALLICA, já fizeram?

Freddy Scherer : Vamos colocar dessa forma, não é impossível que a gente faça alguma coisa com uma orquestra, nós já fizemos alguns shows nos últimos dois anos com uma orquestra de Zurique. E nós também gravamos estes dois shows, mas eles eram fechados, não eram para um público em geral. Eram apenas para um público fechado, apenas convidados. Sim, definitivamente existem ideias por aí para fazer algo com orquestra, mas eu não posso te dizer neste momento quando isso vai realmente acontecer e quando um álbum vai ser lançado. Isso ainda tem que ser estudado.

Daniel Tavares : E quais são os planos para o Brasil. Já faz cerca de três anos desde que vocês estiveram aqui da última vez. Quando vocês vão voltar?

Freddy Scherer : Bem, nós queremos voltar para o Brasil tão logo quanto seja possível. Nossos gerentes estão verificando a possibilidade de fazer uma turnê conjunta com outras bandas, como já aconteceu antes e esperamos que dê tudo certo.

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Daniel Tavares : E uma vez que estamos falando do Brasil, tem uma questão que eu sempre pergunto para todos os meus entrevistados. Existe alguma banda brasileira que você goste, que você escute na sua casa ou mesmo que tenha tido qualquer influência no seu som?

Freddy Scherer : A única banda que vem a minha cabeça é o SEPULTURA. Claro, eles tocam um estilo muito mais pesado do que o GOTTHARD, mas o que eu gosto deles é que eles foram muito importantes para a música, para a cena e eles foram absolutamente uma das bandas mais famosas em seu tempo. E o que eu sei é que o SOULFLY também vai muito bem. Eu realmente não conheço muitas outras do Brasil.

Daniel Tavares : E quanto à Suíça? Que bandas você poderia falar além da GOTTHARD e ELUVEITE, e que você acha que nós provavelmente não conhecemos?

Freddy Scherer : Nós temos muitas bandas, mas acho que realmente muitas não chegam ao Brasil. Especialmente no Rock and Roll. Nós temos a ELUVEITE, como você diz... A CROCUS. E do lado mais pesado nós temos CORONER, CELTIC FROST.... Existem muitas bandas na verdade, algumas que focam mais na parte de gravação, algumas delas ao vivo, mas o que eu quero dizer é que do tamanho que a Suíça é nós até temos muitas bandas. Até mesmo um grande número de um grande de bandas de Rock and Roll.

Daniel Tavares : Agora, sinta-se livre para deixar uma mensagem para todos os seus fãs brasileiros. E, particularmente, de mim para vocês, eu espero que nós possamos ouvir o álbum "Gold" daqui a 25 anos.

Freddy Scherer : Esse álbum "Gold" é uma boa ideia, mas 25 anos a partir de agora é um longo tempo. Embora estes 25 anos que já passaram não tenham parecido um longo tempo, apesar de que não é toda banda no mundo que pode dizer que passou 25 anos tocando sem parar. E para o público do Brasil eu principalmente quero dizer que nós queremos ir aí. Vocês sempre estão plateias espetaculares, provavelmente uma das mais altas do mundo. São muito alegres. O tempo aí é tempo de muita festa, as pessoas são agradáveis e sempre fomos muito bem tratados aí. Nós amamos sair e comer aí, então esperançosamente estaremos aí ainda em 2017. Esperem por nós, estamos vindo.

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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