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Symphony X: "Não soamos como o Dream Theater, mas não há muitas com quem nos comparar"

Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
Fonte: Metal Militia
Em 02/05/16

Um dos ícones do metal progressivo estará de volta ao Brasil no início do mês que vem. Russell Allen (vocal), Michael Romeo (guitarra), Michael Pinnella (teclado), Michael LePond (baixo) e Jason Rullo (bateria), o SYMPHONY X, se apresenta em Curitiba (Sociedade Abranches) em 6 de maio, em São Paulo (Tom Brasil) em 7 de maio e no Rio de Janeiro (Circo Voador) em 8 de maio, domingo. A banda vai mostrar, entre outros sucessos, canções de seu último álbum, o aclamado "Underworld". Entre este e outros assuntos (incluindo o fatídico Metal Open Air) conversamos com Michael LePond em uma entrevista que você confere agora.

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Daniel Tavares: Quais são as suas expectativas e o que os fãs brasileiros podem esperar de seus novos shows?

Mike LePond - Sempre que tocamos no Brasil nós ficamos deslumbrados pela paixão dos fãs. Nós estaremos sentindo lá do palco essa energia incrível e vamos devolvê-la. Nossos fãs receberão um tratamento especial nesta turnê. Nós nunca soamos melhor em nossa carreira.

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Daniel Tavares: Vocês estiveram no Brasil várias vezes. O que você gosta de lembrar quando escuta o nome do nosso país? E, honestamente, o que você gostaria de mudar se você pudesse?

Mike LePond - Quando eu ouço o nome do Brasil, eu imediatamente consigo ouvir o barulho da multidão. Não há nada como isso no mundo. Eu não mudaria nada. O Brasil é meu lugar favorito pra tocar e eu talvez até gostasse de morar aí.

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Daniel Tavares - Como você tem visto a recepção ao seu novo álbum, "Underworld". Ele tem estado em uma boa posição nas listas e tem sido considerado pelos fãs e críticos como um dos melhores álbuns de 2015. O que isso significa pra você?

Mike LePond - Nós estamos orgulhosos pelo "Underworld". Nós soubemos que tínhamos algo especial assim que ouvimos os primeiros mixes do nosso engenheiro. A recepção tem sido incrível. A imprensa nos tem dado grandes resenhas e muitos de nossos fãs sentem que ele é mesmo o melhor dos nossos álbuns.

Daniel Tavares - Você pode explicar um pouco mais sobre ele, sobre o que exatamente ele fala?

Mike LePond - O "Underworld" é um álbum conceitual. Nós combinamos a estória do Inferno de Dante com o mito grego de Orfeu para fazer a nossa estória especial. O herói tem que viajar através das profundezas do inferno para salvar seu amor que foi capturada pelo Deus do Submundo [Nota: God of the Underworld, no idioma original].

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Daniel Tavares - E, principalmente, o que são os oito símbolos na capa do álbum?

Mike LePond - Cada símbolo é para um nível de inferno por onde o herói deve passar.

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Daniel Tavares - Nesta era de Internet, um álbum pode ser simplesmente baixado e ouvido de graça, tornando-se, às vezes, apenas uma pasta no disco rígido, esquecido entre dúzias de outras pastas. E o ouvinte, muitas vezes, não tem a experiência completa de tocar, sentir, ler as letras, ter a música como parte de sua vida. O que você pensa disso? Ainda compensa fazer música?

Mike LePond - Quando eu era mais jovem, comprar um CD era uma experiência incrível. Parece ser uma tradição que está morrendo hoje em dia. Os downloads ilegais estão matando as bandas. Nós não estamos mais fazendo dinheiro suficiente com as vendas físicas. Nós todos temos que estar em turnê constantemente para compensar a diferença.

Daniel Tavares - Por outro lado, existem fãs que viajam muitos quilômetros (eu, por exemplo, viajei por cerca de mil quilômetros na primeira vez que os vi no palco) para ver uma banda. O que você pode nos dizer sobre isso também?

Mike LePond - Todo fã que viaja para nos ver é muito apreciado e nós agradecemos muito a vocês por isso, mas isso ainda não compensa todo o download. Nós simplesmente perdemos muito dinheiro.

Daniel Tavares - Em 2012, vocês foram uma das bandas que tocaram no Metal Open Air, em São Luis, Maranhão, na região Nordeste do Brasil (onde vi vocês ao vivo pela primeira vez). Vocês fizeram um show muito enérgico no primeiro dia do festival com bandas como ANVIL e MEGADETH, mas o festival foi cancelado no segundo dia. Dizem que os promotores não pagaram algumas bandas, alguns trabalhadores e deixaram muitos fãs decepcionados (eu estava lá e era um deles). O que você lembra daquele festival e pode nos dizer?

Mike LePond - Tivemos sorte por tocarmos na primeiro dia. Fomos pagos e pudemos fazer um show matador. Pelo que eu entendo, todo o caos começou no segundo dia. As bandas não estavam recebendo, bandas estavam cancelando e os fãs estavam ficando loucos e se revoltando.

Metal Open Air - Foto Igor Soares
Metal Open Air - Foto Igor Soares

Daniel Tavares - É quase impossível dissociar vocês do DREAM THEATER, uma vez que ambos são inegavelmente os dois mais importantes representantes da música prog metal. Você já ouviu o novo álbum deles? Alguns dizem que é a obra-prima deles. Outros dizem que eles não são tão pesados, como eles poderiam ser neste álbum. Você pode compartilhar sua opinião sobre isso?

Mike LePond - Eu não ouvi o novo álbum deles, mas, sim, nós sempre somos comparados ao DREAM THEATER não importa onde estejamos. Eu, pessoalmente, não acho que nós soemos como eles, mas não há muitas bandas lá fora com quem nos comparar, então eles se tornam a comparação óbvia.

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Daniel Tavares - Alguns membros da banda tem projetos paralelos ou bandas. Você, LePond tem os SILENT ASSASSINS, Allen tem, entre outros, o ADRENALINE MOB. Como estes outros trabalhos interferem ou contribuem (com ideias talvez) para o SYMPHONY X?

Mike LePond - Quando o SYMPHONY X está fora da estrada, alguns de nós gostam de se manter trabalhando, então nós temos estes projetos paralelos. Esses projetos não interferem com a banda porque todos nós sabemos que o SYMPHONY X vem primeiro. Os projetos paralelos tem datas marcadas só nas partes livres de nossa agenda.

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Daniel Tavares - Sobre as partes clássicas da sua música, você acredita que as grandes bandas de rock, como a sua, serão vistas, nos séculos por vir, como os Bachs, Beethovens e Mozarts do nosso tempo?

Mike LePond - Nós não sentimos como se estivéssemos no mesmo nível destes artistas clássicos maravilhosos. Nós apenas escrevemos músicas da melhor forma que podemos e, esperançosamente, seremos lembrados favoravelmente pelo que temos feito.

Daniel Tavares - Ainda falando sobre grandes artistas, recentemente perdemos Keith Emerson, do ELP. E temos também perdido em um curto intervalo de tempo grandes músicos, grandes ídolos como David Bowie e Lemmy Kilmister. Como todas essas perdas tem afetado você?

Mike LePond - 2016 tem sido um ano trágico. Perdemos alguns dos maiores e mais influentes artistas do nosso tempo. Estes grandes homens podem não estar mais entre nós, mas todos nós precisamos manter sua música e legado vivo. Lemmy será sempre uma das minhas maiores inspirações.

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Daniel Tavares - Essa questão eu pergunto a todos os meus entrevistados. Existe algum compositor brasileiro, músico que você goste que tenha tido uma influência sobre a sua música ou estilo de tocar?

Mike Le Pond - Não consigo pensar em um artista brasileiro específico que tenha tido uma influência sobre mim, mas eu amo muitas das bandas de metal do Brasil e da América do Sul.

Daniel Tavares - Agora, você tem a palavra. Gostaria de convidar todos os seus fãs brasileiros para seus próximos shows em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro?

Mike Le Pond - Para todos os nossos amigos e fãs em belo Brasil. Nós somos tão abençoados e estamos tão animado para tocar no seu país. Por favor, venham nos ver e vamos celebrar a glória do heavy metal juntos. Nós amamos todos vocês.

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Fonte:
http://metalmilitia.com.br/2015/entrevista-especial-symphony-x/

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Flavio Maranhao
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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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