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Hatefulmurder: "Até onde você está disposto a correr atrás da sua arte?"

Por Pedro Hewitt
Fonte: FullRock
Postado em 05 de agosto de 2015

Após a grande turnê ao lado do Nervochaos e Warbringer, a banda Hatefulmurder volta ao Brasil com mais inspiração e mais força. Fiz uma entrevista bacana com o guitarrista e fundador da banda, Renan Campos, onde ele fala sobre a turnê, o mercado musical, sobre a banda e muito mais.

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E aí Renan, tudo tranqüilo? É um prazer lhe entrevistar; De início conte-nos sobre o crescente número de shows, as maiores dificuldades que vocês tem aqui no Brasil, sobre o ‘No Peace’ e a formação.

Renan: Salve, amigos! Bem, desde que lançamos o ‘No Peace’ em 2014 começamos em uma rota bacana de shows, tocando em todas as partes do BR e fora dele também. Dificuldades, todo dia encaramos, nada cai do céu ou surge do inferno, se a gente não correr atrás não sai mesmo. Aqui no Brasil, uma das das dificuldades é trabalhar com um estilo tão extremo e de pouca ou nenhum apoio de grande mídia ou qualquer outra coisa assim, mas por sorte temos os headbangers que nos apoiam onde vamos. Tivemos algumas alterações na nossa formação, saíram dois bateristas, e nosso baixista co-fundador faleceu em 2012, mas nada disso nos impediu de continuar na luta, não existe tempo pra se lamentar, o corre não para!

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Formada em 2008 ainda chego considerar como uma banda nova, porém com um alto índice de respeito e com uma lista de materiais bastante intensa, resultando em uma turnê ao lado do Nervochaos e do Warbringer. Como se deu tudo isso? Quais foram as melhores e piores expectativas?

Renan: Sim, também considero o Hatefulmurder uma banda "nova",somos da nova safra. Obrigado, a gente tem feito o nosso aprendendo todos os dias, cada show é sempre uma nova experiência. A turnê começou quando nos juntamos com os amigos do Nervochaos para fecharmos alguns shows juntos aqui no Brasil. Lançamos discos no mesmo ano, pela mesma gravadora, e sempre fomos fãs e amigos dos caras, daí rolou a idéia de juntar duas bandas nacionais, e mais os brothers do Warbringer e sair fazendo os shows pela América do Sul. No início a idéia parecia meio louca, três bandas, viajando juntas. Mas no final rolou tudo da melhor maneira possível dentro do que planejamos. O resto todo mundo já sabe: Dez noites com duas horas de sono cada uma, histórias hilárias, correria total, mas no geral, saldo positivo! Todos os shows cheios com uma puta energia da galera, e as três bandas botando pra fuder no palco. O único ponto baixo foram as datas do Brasil que caíram, os gringos tiveram problemas com os Vistos o que impossibilitou a entrada deles aqui no Brasil.

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Infelizmente os shows pelo Brasil não irão mais acontecer por conta do ‘’visto de entrada’’ do Warbringer, mas há alguma chance de vocês pisarem pelo nordeste com ou sem eles?

Renan: Com toda certeza eles vão vir ao Brasil sim, não sabemos ainda quando, mas eu acho que vai rolar logo logo! Sobre a gente, acho que estamos na mesma! Não sei ainda ao certo quando, mas vamos voltar pro Nordeste sim! Estivemos uma vez em Pernambuco… Público insano!

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Não só vocês, não so o Red Front, mas muitas outras bandas com pouco tempo de estrada já se destacam fora do Brasil. Como vocês observam este cenário atual? Como gerou todo o sucesso de vocês dentro do Hatefulmurder mesmo com todo histórico de reconhecimento (Exemplo: você, Renan, ex integrante do Unearthly, banda que mais uma vez está na Europa)

Renan: Realmente tem muita banda Nacional quebrando a banca! O Brasil é um puta celeiro de bandas incríveis. Ficamos ouvindo todas as bandas Brazucas que botam pra fuder. Acho que esse "destaque" se dá pra quem cai na estrada, cai dentro sem medo. Não existe tempo pra pensar, tem que fazer acontecer, seja como for. Eu sou fã do Unearthly, e somos amigos, não continuei com eles porque eu escolhi dar continuidade a banda que fundei, que é o Hatefulmurder. Sempre fomos amigos, e eles assim como outras bandas Nacionais, são um puta exemplo de força de vontade, talento e correria!

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A sonoridade da banda é bem mais interessante por se tratar de um Death/Thrash Metal acompanhado de facetas melódicas como por exemplo a faixa Ways Of The Lust, instrumental inserido no álbum ‘No Peace’. Esse tipo de sonoridade vem de influências ou vem naturalmente conforme a mensagem da banda? [Obs: Pergunta por Thiago Carvalho]

Renan: Acho que fazemos uma mistura de tudo que ouvimos com a mensagem que queremos transmitir. Ouvimos muitas coisas fora do Metal, nem sempre dá pra adicionar elementos tão distintos da proposta do Hatefulmurder, mas vamos buscando fazer algo original, algo que gostamos de ouvir.

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Vários frutos foram colhidos devido os 4 álbuns, não foi a toa que atravessaram o oceano para mostrar o som de vocês aos gringos (E olha que agradar eles não é fácil, creio eu que para vocês não houve tanta dificuldade). Na humilde opinião de vocês, como percebem a inserção de mais um disco no cenário nacional? Aliás, como vocês olham o mercado musical para as bandas que estão crescendo aos poucos?

Renan: Obrigado amigo! Acho que o mercado fonográfico mudou de uns anos pra cá, e a galera que está aí no corre (como nós) entende bem isso, se não entende, procura entender. Hoje em dia temos a Internet que pode ser uma grande aliada, se não a mais influente… ainda mais quando se trata de um trabalho independente. Hoje, gravar um disco, um clip, não é algo impossível. Esse novo formato de trabalho proporciona que a galera não dependa exclusivamente de uma gravadora, uma empresta por trás, faça as coisa acontecer.

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Como já falei aqui antes, é só correr atrás que rola! As pessoas podem não comprar mais discos como antigamente, mas elas acessam vídeos, clicam em fotos, vêem o trabalho exposto… e se interessar, podem adquirir o material ir aos shows, se tornar fã do trabalho. Acho que o contato é diferente, basta saber trabalhar.

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Sempre bom ressaltar. O que vocês acham dessa galera que faz sucesso muito rápido hoje em dia, isto é, sobre o mercado musical? E desses movimentos em prol ao rock atuais, como coletivos, etc…?

Renan: Acho que sempre vai existir isso. Precisamos lembrar que música é negócio, é mercado, precisa vender. Fazer "sucesso" rápido, não é um problema, o que geralmente não me agrada são esses hits de Carnaval, feitos pra alegrar o povão, nada contra, só não me interessa mesmo. Essa maré de sucesso repentino é algo que sempre vai existir, eu acho que "chegar lá" não é difícil, o que é admirável é lançar um disco, estourar e manter uma legião de fãs a cada disco, por mais de duas décadas.

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Sobre os coletivos e movimentos: Independente de gosto musical, gênero ou qualquer outra coisa, acho tudo muito bacana, vejo a galera se movimentar por si, sem esperar apoio, fazendo muita coisa, shows, coletâneas, expos etc… No geral acho ótimo desde que seja saudável.

Qual a diferença entre ser um músico "profissional" que toca metal e ser um headbanger que toca metal?

Renan: Eu acho que o profissionalismo vem do nível de empenho, dedicação e esforço para sua arte. Fazer um trabalho "profissional" demanda tempo, aprendizado, estrada, cair e levantar várias vezes, enfrentar desafios, é por bem aí mesmo. Independente de retorno financeiro, ou mesmo de nivelamento técnico ou qualquer coisa parecida... É como um trabalho de formiga mesmo, grão por grão.

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Acho que nem todo mundo está disposto a isso. Realmente é difícil, temos famílias, alguns trabalham em áreas completamente distintas da música, e nem sempre podem se dedicar totalmente, ou não querem,
então, aquele sonho fica pra trás. Tudo é uma questão de escolha, costumo perguntar assim "até onde você está disposto a correr atrás da sua arte?"

Planejamento de material novo para 2015?

Renan: Sim!! Estamos compondo material novo. Nossos ensaios são divididos em passar o set list e as novas músicas! Acho que já temos umas 4 músicas prontas, a idéia é terminar a tour de divulgação do "No Peace" e cair dentro do estúdio pra um novo trampo!

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O espaço agora é seu, fique a vontade. Mandem recado aos bangers do nordeste, do Brasil, enfim, força e honra para a banda e espero conferir o show de vocês por aqui em Teresina o quanto antes! Abraço

Renan: Muito obrigado pelo espaço! Quero agradecer a todos os headbangers do Nordeste, vocês fazem a coisa acontecer! Sabemos o quão apaixonados vocês são! Isso é do caralho! Não vejo a hora de botar pra fuder ao lado de vocês, amigos! Nos vemos em breve!!
STAY HATEFUL!

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Contato:
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Fotos por: Banda, Daniela Sanchez Ph

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Sobre Pedro Hewitt

Estudante, Headbanger, amante de relações públicas, responsável pelo Infektor Self Festival & Toque Rápido ou Peça Perdão, trabalha desde 2015 com produção de shows em Teresina. Teve a oportunidade de trabalhar com grandes nomes do Metal como Onslaught, Air Raid, Enforcer, Fist Banger, Escarnium, entre outros.
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