Eluveitie: os homens cometem os mesmos erros de 3000 anos atrás

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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Você sabe pronunciar o nome da banda suíça ELUVEITIE? Talvez a resposta seja não, mas, mesmo assim, é impossível ficar indiferente ao som único do octeto que desembarca próximo mês em nosso país para quatro shows. Os "helvécios" (e sim, a pronúncia do nome é algo parecido com esta palavra) se apresentam em São Paulo (no Carioca), Rio (Odisséia), Porto Alegre (CIEE) e Curitiba (Music Hall), de 11 a 14 de abril. Tivemos a oportunidade de conversar com Chrigel Glanzmann, frontman e mentor da banda, sobre diversos assuntos, inspiração, planos pro futuro e, claro, os shows. Você confere a entrevista logo abaixo:

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Vocês estarão de volta ao Brasil para uma nova turnê. O que os fãs brasileiros podem esperar desta turnê?

Chrigel: Bem, uma vez que é parte de nossa Origins World Tour, nós certamente vamos tocar muitas canções novas dos nossos álbuns recentes. Mas nós sempre vamos tentar criar um setlist interessante que cubra bem toda a nossa discografia. E é claro que temos algumas coisas inesperadas na prateleira! ;)

Vocês trouxeram sua música para muitos países. E eu presumo que estão muito felizes com isso. Existe algum lugar em que vocês ainda não tenham estado e gostariam de visitar mas ainda não tiveram a chance? E estendendo a questão um pouco mais, existe alguma outra cultura que possa ser retratada em uma canção do ELUVEITIE?

Chrigel: Sim, estamos. Claro. Isto é um privilégio e estamos muito felizes por causa disto! Mas, depois de tudo, tudo que eu posso dizer é que somos basicamente apenas "viciados em música", "music junkies": Segurar nossos instrumentos em nossas mãos e tocar nossas canções, isso significa vida pra gente! E nesse sentido, nós somos felizes por tocar, não importa onde seja no mundo. Mas, é verdade, nós sempre estamos excitados para "conquistar" novos territórios. Nesta turnê mundial, nós vamos tocar na África do Sul pela primeira vez e nós estamos realmente curiosos e excitados sobre isso!
E sobre retratar culturas...bem, claro que todas as nossas canções retratam a cultura céltica, que é nossa cultura nativa de alguma forma. Mas, obviamente a cultura céltica não existe mais hoje. Mas, sabe, quanto mais você estuda história, mais você se dá conta de um fato: os homens tem sempre sido os mesmos. É muito surpreendente, às vezes chocante ver, o quão pouco a humanidade mudou de verdade nos últimos 3000 anos! Roupas, edificações, tecnologias, armas etc. mudaram. Mas os homens ainda fazem as mesmas coisas que faziam há 3000 anos atrás, e também cometem os mesmos erros, infelizmente. E neste sentido, muitos aspectos dos assuntos de hoje (no mundo inteiro e em todas as culturas) estão refletidos na história e, consequentemente, em nossas canções. Pra te dar um exemplo: se você estudar o desenrolar da guerra gálica e então olhar para o que está acontecendo hoje com a "Guerra ao Terror" dos Estados Unidos, você vai ver muitos paralelos chocantes. Então, neste sentido: a História com que nossas canções estão lidando não perdeu nada de sua topicalidade.

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Vocês pegaram dois estilos de música que normalmente não tocam no rádio (pelo menos não nas populares) e os uniram. E alcançaram um grande sucesso nessa enpreitada. Como você analisa a história do ELUVEITIE, assim como é que você vê a importância da banda para a cena folk metal hoje?

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Chrigel: Para responder sua primeira questão aqui: Eu simplesmente não faço isso. ;) Eu realmente não penso em coisas como essa. E na verdade osso também vale pra segunda questão. Nós simplesmente fazemos o nosso trabalho, tocamos a música que gostamos e isso é tudo. Definitivamente. Nós realmente não olhamos nem pra esquerda nem pra direita.

E, falando sobre seu último álbum, como vocês tem visto a recepção ao "Origins"?

Chrigel: É incrível. Eu tenho que dizer. Tocando estas canções nos shows nós percebemos que elas estão funcionando bem ao vivo e nossos fãs gostam delas. "Origins" acabou se tornando nosso álbum de maior sucesso até agora e entrou nos "charts", nas listas oficiais de álbuns em posições bem maravilhosas ao redor do mundo (por exemplo: número 1 no chart oficial suíço, número 1 no chart heatseeker da Billboard americana - ambas as coisas são bem inacreditáveis pra gente).

Nós estamos felizes e super agradecidos por isso, claro. Mas, novamente, como eu disse antes, não é algo em que realmente focamos. Nós escrevemos nossa música do jeito que a amamos. E se um álbum "faz sucesso" ficamos felizes, mas, se não faz, ficamos felizes também, porque nós mesmos o amamos. Pra mim, o maior sucesso não é uma posição num gráfico ou um prêmio ou algo assim, mas é quando tocamos nossa música ao vivo no palco e então vemos a alegria nos olhos dos nossos fãs.

E este título, sobre o que fala? Existe algum conceito por trás do álbum? Ele representa uma jornada de volta às origens do ELUVEITIE?

Chrigel: Sim, claro que é. "Origins" trata em profundidade da mitologia celta e reconta estórias etiológicas da antiga Gália - mitos de origem, lendas da fundação, etc. (N.T. Chrigel maltratou este entrevistador com a palavra "aetiological").

E quais são os novos planos do ELUVEITIE? Algum show inteiro sendo gravado em um DVD em vista?

Chrigel: Sim, nós temos realmente pensado muito sobre um DVD completo de uns dias pra cá. Mas ele deveria conter muito mais que só um show. Se nós algum dia lançarmos um DVD, queremos que seja algo extenso, contendo um show completo de festival, diversos shows ao vivo ao redor do mundo, registros de turnês, cargas de cenas de bastidores, entrevistas, ect. Eu não sei ainda, talvez façamos isso um dia.
Mas, neste momento a Origins World Tour nos mantém ocupados. Nós começamos a turnê em setembro do ano passado e ela ainda ira se prolongar até o verão de 2016. (N.R. Chrigel provavelmente se refere aqui ao verão europeu, ou seja, no meio do ano). Então, basicamente estes são nossos planos para o momento. ;)

Sair em turnê com uma banda formada por oito músicos (sem mencionar managers, equipe técnica, etc) me parece um grande esforço. Muitas bandas, por exemplo, sequer tem um tecladista fixo e usam samples (o que na minha opinião pessoal não soa bem). Você pode nos explicar como conseguem fazer suas turnês com tantos músicos?

Chrigel: Para mim é super importante e inalienável que a nossa música seja toda executada à mão e todas as partes folk sejam tocadas com os instrumentos autênticos, reais (que é também o motivo porque eu criei o ELUVEITIE como uma banda de 8 pessoas, quando eu o formei). E, bem, fazbasicamente uma questão de prioridades e compromisso, eu acho. Se você realmente quiser fazer isso, então vai fazer. Eu não penso que seja tão mais difícil ou mais complicado do que excursionar com, digamos, uma banda de quatro pessoas. Só se torna mais caro, haha. Eu quero dizer, se nós voamos para a América do Sul, por exemplo, nós precisamos de oito passagens ao invés de quatro (como muitas outras bandas) Isso é tudo.

E o processo de composição. De onde vem a inspiração para sua música? Você acha que é mais difícil escrever as canções do ELUVEITIE do que outros gêneros de música (principalmente as canções que não são em inglês e tem nomes e letras difíceis de pronunciar - eu acredito que você tenha ouvido toneladas de pronúnciações erradas até do nome da banda ao longo dos anos)?

Chrigel: Pra mim, a principal inspiração (musicalmente) para escrever as músicas é realmente a natureza. As belas paisagens alpinas, as montanhas, ect. Liricamente, é a história em si. Eu não acho que seja "mais difícil". Eu não penso em algo assim. Pra mim, não parece difícil. É mais uma coisa natural mesmo. Quando eu escrevo nossas canções, é sempre um processo muito orgânico, basicamente levado pela intuição. E sobre as canções gaulesas - eu estou sempre trabalhando junto com diversos cientistas de universidades diferentes.

E sobre música brasileira, eu sempre pergunto isso para quem entrevisto, existe algum artista que você conheça e goste? Existe algum artista brasileiro ou banda, em qualquer estilo, que você goste ou esteja interessado ou mesmo tenha uma influencia mínima no seu estilo de tocar?

Chrigel: Claro, eu gosto muito de SEPULTURA!

Nós chegamos ao final da entrevista. Obrigado pela oportunidade. Por favor, deixe sua mensagem para todos os fãs brasileiros do ELUVEITIE, especialmente para aqueles que vão comparecer aos seus shows.

Chrigel: Obrigado pela entrevista e, principalmente, obrigado a todos os leitores pelo seu interesse no ELUVEITIE! Vocês todos são o máximo & nos vemos em breve "na estrada"! Saúde!




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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