Venom: "O perfeito é legal, mas o feio faz você pensar"

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Por Carlos Garcia, Fonte: site Road to Metal
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Em entrevista recente para o site ROAD TO METAL (efetuada pelos redatores Carlos Garcia e Fernanda Luísa), Tony "The Demolition Man" Dolan, que fez parte do VENOM ao lado de Mantas e Abaddon, lançando o álbum "Prime Evil" (1989), entre vários assuntos, inclusive sobre sua banda atual ao lado de Mantas, M:PIRE OF EVIL, e do ATOMKRAFT, sua carreira como ator e também comentou sobre os tempos no VENOM, inclusive quando indagado se achava possível um dia trabalhar com o VENOM novamente (seria interessante uma tour com participação de ex-membros?), Tony não descartou:

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Quais os pontos negativos de sua época no Venom? E que as razões principais causaram sua saída? Você pode um dia voltar a trabalhar com o Venom?

Negativos foram decisões que tomamos, todas más...bem nem todas mas..nós perdemos o nosso caminho, eu acho. Perdemos oportunidades e não aproveitamos o potencial dos nossos companheiros de banda. Era o fim do contrato com a Music For Nations depois que o álbum "The Wastelands" foi lançado e eu já tinha me mudado para Londres, enquanto Mantas e Abaddon foram para Newcastle ... então eu decidi que como eu tinha um grande trabalho em Londres e tinha, tipo perdido o interesse na forma como estávamos trabalhando, então eu pensei que eu tinha cumprido minha missão e pararia por ali..Então foi o que eu fiz. Posso voltar? Hahaha ... com certeza ... porque não? E tenho tocado com Mantas por tantos anos, então estamos mais próximos disso possível, e se nós adicionarmos Abaddon, seríamos a mesma banda que éramos na época do álbum "Prime Evil"

"Prime Evil" foi bem recebido pela crítica, como uma volta aos bons tempos, porém não foi muito bem aceito por parte dos fãs, principalmente pela ausência de Cronos. Tony ainda lançou mais dois álbuns com o Venom, até a banda parar com as atividades em 1993, retornando com a formação clássica em 1995.

Confira mais alguns trechos da entrevista:

Para começarmos nossa conversa, Como se deu seu início na música? Qual foi a primeira banda que você ouviu, ou melhor, quais seriam as bandas que fizeram você sentir que o heavy metal estaria em sua vida para sempre?

Hahaha.... Eu estou um pouco velho agora.... Então as primeiras músicas que eu ouvi eram coisas provenientes da década de '50 , principalmente o que meus pais ouviam. Coisas como Elvis, Buddy Holly, Bil Haley Little Richard ... etc..

Ver o Kiss naquela época então, era um choque, mas não foi tanto quanto como quando testemunhei o Motörhead, depois de voltar para a Inglaterra no final dos anos 70, quando eu estava totalmente inserido no Punk Rock ... Angelic Upstarts The Dickies, The Ruts, o UK Subs e toda aquela cena, foi quando soube que independente do que eu fizesse com a minha vida, eu queria fazer música assim ... tão pesada e tão "Metal" quanto pudesse .

Fora do palco, você é um ator. Você acredita que a música nos conecta com outras formas de expressão artística? Que filme você gostaria de participar?

Eu atuava sim. O filme que eu mais gostei, e também foi o maior que participei, foi "Master and Commander-Far Side Of The World" (Mestre dos Mares), com Russell Crowe e Paul Bettany, porque filmamos por 5 meses em Baja, no México no alvorecer... E isso para um inglês foi algo como :"- Porra, que demais! Sem chuvas!!!".

Existe gente atuando na música?? hahaha oh sim ... nem sempre ... mas alguns dos maiores atores que criaram o que você leu ou viu no palco, e eles fazem de tudo para fazer você acreditar que eles são o que você quer que eles sejam ... enquanto entretanto eles são, na realidade, algo muito longe daquilo ali..E isso é uma espécie de intercâmbio e entendimento entre os "atores" e os fãs na maior parte do tempo ... e é isso que acontece ... Isso começa a ir para a direção errada quando o "artista" começa a acreditar em seu desempenho como um personagem ... e pensa que ele é realmente aquilo, ou quando os fãs reconhecem a "farsa', então eles perdem a fé tanto no artista como na música que vem desse artista. A chave? Não interessa o tipo de talento ... faça música verdadeira, que venha da alma ... dê significado às palavras ... Nunca faça nada falso porque os fãs não são estúpidos, e eles vão saber.

RtM: Quanto ao M:Pire of Evil, como você vê os resultados da banda desde a sua fundação até agora? Como você se sente em relação à aceitação dos fãs, incluindo aqueles que já conheciam o seu trabalho e o trabalho de Mantas em suas bandas anteriores ?
TD: Na medida em que os fãs foram vindo, fomos recebidos de maneira incrivelmente respeitosa e honrosa com a M: PIRE OF EVIL, e é assim como eles estão agindo conosco. Dedicados e leais, alguns nos acompanham desde de nossas velhas bandas, Atomkraft e Venom, e alguns são novos. A cada semana descobrimos novos fãs e eles nos descobrem, e isto é ótimo, e agradecemos a eles do fundo do nosso coração!

E como você vê o Venom hoje, em comparação com o início da band ? A banda teve uma importância histórica, e apesar das limitações técnicas, acabou chamando a atenção por tentar algo novo, também utilizando-se um bom apelo visual, a conotação "Satânica", que despertou a curiosidade, o título "Black Metal". A banda, por um momento, só pensou em negócios ?

Eu não acho que naquela época eles só pensavam nos negócios, eles só queriam ser diferentes, e é o que eles escolheram a partir de shows no estilo Kiss, até a imagem satânica, meio Sabbath, mas mais Black Widow .. e o título do álbum, "Black Metal", para mantê-los apartados do Heavy Metal . Eles colocaram tudo isso junto e isso foi o Venom ... diferente ... e precisamos do Venom neste mundo, perfeito é legal, mas o feio faz você pensar e se sentir vivo.

Agora? Não há comparação, mas como poderia haver? Muita coisa aconteceu, e olhando pra trás, aquilo era real ... agora, às vezes não é a mesma coisa mais, bem o "Venom" propriamente dito, eu acho, mas isso é só uma opinião minha como um fã do velho material.

Confira a entrevista completa com Tony no link abaixo no sire Road to Metal:

http://goo.gl/pQVr8Z

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Post de 20 de fevereiro de 2015


Sobre Carlos Garcia

Antes de tudo sou um colecionador, que começou a cair de cabeça no Metal e Classic Rock quando o Kiss esteve no Brasil em 1983, a partir daí não parei mais. Criei fanzines, como o Zine Barulho, além de colaborar com outros zines e depois web zines e sites, como os saudosos Metal Attack e All the Bangers. Atualmente sou um dos editores e redator do Road to Metal. O melhor de tudo são as amizades que fazemos, além do contato e até amizade com alguns de nossos heróis.

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