Blind Pigs: entrevista com a banda paulistana de punk rock

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Por Jorge A. Silva Junior, Fonte: Henrike (BLIND PIGS)
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Quando assunto é punk rock no Brasil, o BLIND PIGS tem seu lugar cativo entre os nomes mais importantes do gênero. Com mais de duas décadas de estrada e sete discos lançados, o grupo retomou as atividades em 2013 após um hiato de cinco anos. Recentemente a banda ganhou o prêmio Dynamite na categoria "Melhor Álbum de Punk/Hardcore" com 'Capitânia', que já rendeu quatro videoclipes. Em meio a essa reviravolta e prometendo uma turnê nacional em 2015, o vocalista Henrike bateu um papo com o WHIPLASH.NET e falou sobre o novo disco, a formação atual e os próximos planos da carreira. Confira abaixo.

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WHIPLASH.NET: O BLIND PIGS lançou 'Capitânia' depois de sete anos sem um disco de inéditas. Por que demoraram tanto tempo para voltar ao estúdio e como foi trabalhar com o produtor Átila Ardanuy, que também esteve com vocês em 'Heróis ou Rebeldes' (2006)?

Henrike: Demoramos porque a banda acabou em 2008, dois anos após o lançamento do 'Heróis ou Rebeldes'. Quando o Wlad, do site Zona Punk, se ofereceu para lançar um compacto do BLIND PIGS em 2012, eu me animei porque sou fã de vinil. O aniversário de 20 anos da banda estava chegando e tínhamos propostas para lançar nosso catálogo inteiro em vinil. Enfim, uma coisa levou à outra e o Wlad e eu fechamos uma parceria para lançar um novo trabalho, que acabou virando o álbum 'Capitânia'. Sobre trabalhar com o Átila, isso é fantástico! Além de ter um ótimo ouvido, o cara é muito detalhista, sabe tirar um som furioso, e é um grande brother da banda. Gravar com ele é sempre um prazer. Recomendo.

WHIPLASH.NET: O conceito do novo álbum teve a ver com o fato de seu pai ser um Oficial da Marinha do Brasil? Ele teve influência musical sobre você?

Henrike: Sem dúvida alguma! Meu pai sempre foi e sempre será minha influência mais forte em tudo. Ele que me apresentou ao punk rock quando eu tinha uns 10 anos. Sem dúvida foi uma homenagem minha a ele, mas EU também queria lançar um álbum conceito. Pensei no disco novo como um navio de guerra, um destroier, por isso o nome e a arte. Sempre gostei muito dessa temática marítima e sempre quis usar isso no BLIND PIGS. E funcionou, os fãs gostaram. Tivemos muitos elogios pela arte do álbum e pelas camisetas da turnê de 2013, tudo feito pelo nosso grande amigo Paulo Rocker.

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WHIPLASH.NET: Em um curto espaço de tempo foram lançados quatro clipes para faixas de 'Capitânia': "União", "Sentinela dos Mares", "Cinco Cadeados" e "Antro de Trastes". Como foram as gravações?

Gordo (guitarrista): Cada clipe teve sua emoção e correria. Filmar "União" foi difícil porque tivemos de lidar com o show (a gravação aconteceu no Cine Joia, em 2013) e mais sete câmeras, além de poucos recursos em mãos. Foi bem difícil de montar depois. "Sentinela dos Mares" foi dirigido pelo nosso amigo Alex Miranda, então apenas fomos músicos neste. O clima foi muito bom e nos sentimos entre amigos, toda equipe muito boa. "Cinco Cadeados" foi filmado um dia depois de "Sentinela dos Mares", em Ilha Solteira, fronteira de São Paulo com o Mato Grosso. Tivemos que improvisar algumas cenas e estávamos bem bêbados e cansados porque tocamos por lá na noite anterior. "Antro de Trastes" foi mais tranquilo, tiramos o dia pra filmar apenas a banda, na casa do Arnaldo, onde costumamos ensaiar. Depois de um mês filmamos com o Douglas Pankeragem, o skatista que aparece no clipe, que foi muito corajoso por andar na contra mão da Avenida Paulista e no interior do Mercadão. O comum nos quatro clipes foi o clima entre amigos, seja banda ou equipe, mesmo com alguns problemas.

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WHIPLASH.NET: Como tem sido tocar novamente com o baterista Arnaldo Rogano, que gravou todos os discos de estúdio - exceto 'Blind Pigs' (2002)?

Henrike: Tocar com o Tigrão, como chamamos carinhosamente o Arnaldo, é uma honra e um privilégio. O melhor baterista que conheço! Tem vezes que nem acredito que ele toca no BLIND PIGS. Ele gravou nosso primeiro álbum, 'São Paulo Chaos', como músico contratado. Ele, aliás, salvou aquele disco. A química funcionou muito bem, nos tornamos amigos e o cara tá aí. Mora em Londres, onde ele trabalha, e nas férias vem para o Brasil gravar e/ou tocar conosco. O cara é o alicerce dos Porcos Cegos.

WHIPLASH.NET: A formação atual - que ainda conta com Fabiano (guitarra) e Galindo (baixo) - está junta há quase dois anos. Musicalmente falando, essa pode ser considerada a mais consistente de toda a carreira?

Henrike: Na verdade, sinto muita falta do Mauro, nosso ex-baixista, no quesito composição. Ele adicionava muito nessa área. Mas acredito que o Galindo e o Fabiano em breve chegam lá. Mas a maneira como essa formação compôs e ensaiou para a gravação de 'Capitânia' foi inédita, e rendeu um belo trabalho, além de funcionar muito bem ao vivo.

WHIPLASH.NET: No ano passado o BLIND PIGS fez um show no Cine Joia (SP) para comemorar os 20 anos de carreira - imagens do evento renderam o clipe de "União". Que impacto aquela apresentação teve para o grupo?

Henrike: Pois é, foi o melhor show da minha carreira. Espetacular! Lotamos a casa, foi uma grata surpresa. Fizemos uma apresentação "gringa", digna de duas décadas de estrada. Decidimos fazer o show de 20 anos lá porque fomos banidos do Hangar 110 devido a um desentendimento do nosso fotógrafo na época com o dono da casa. O fotógrafo processou o Hangar por usar uma foto do BLIND PIGS, de autoria dele, sem autorização em um anúncio da casa de show. Ele acabou perdendo no tribunal, mas o dono do Hangar 110, por alguma razão que desconheço, descontou suas dores na banda, banindo a gente de lá em 2009, quando a banda já tinha acabado. Quando fomos decidir onde tocar em São Paulo, já em 2013, recebemos a notícia de que nunca mais tocaríamos por lá. Então, nosso produtor sugeriu o Cine Joia e o resto é história. Mas é bom lembrar que devemos muito ao Hangar 110. Lá foi nossa casa durante muitos anos.

WHIPLASH.NET: Os cinco registros de estúdio grupo - 'São Paulo Chaos' (1997), 'The Punks Are Alright' (2000), 'Blind Pigs' (2002), 'Heróis ou Rebeldes' (2006) e 'Capitânia' (2013) - foram lançados em vinil pelo selo Hearts Bleed Blue. O que você acha dessa tendência mais saudosista do público em buscar os velhos 'bolachões'?

Henrike: Adoro, cara! Sou colecionador de vinil e meu sonho sempre foi ter a discografia do BLIND PIGS em vinil. Graças ao Antônio "Big Boss", dono do selo nacional Hearts Bleed Blue, consegui realizar essa façanha que muita gente, aliás, duvidou. Lançamos os cinco discos em versões de luxo: vinil colorido de 10 polegadas prensado na gringa pela Pirates Press, cada um com uma apenas 250 cópias, ultra limitado, coisa fina! Me orgulho demais desses lançamentos. Para 2015 vamos lançar nossas duas 'demo tapes' remasterizadas - 'Sweet Fury' (1994) e 'Lost Cause' (1995) - no mesmo formato, além do CD/EP 'Porcos Cegos' (2004) para terminar a coleção.

WHIPLASH.NET: Você morou boa parte da infância na Inglaterra e nos Estados Unidos na época do estouro do Punk 77 e do Hardcore americano. Passa pela sua cabeça gravar um álbum autoral ou de regravações totalmente em inglês?

Henrike: Então, gravamos alguns covers de Punk inglês 77 e colocamos como faixas escondidas em algumas prensagens do CD 'Blind Pigs' em 2003. Mas pretendemos lançar algo em vinil com esses sons, talvez um sete polegadas. O Gordo e eu somos fãs incondicionais do HC americano dos anos 80, então talvez a gente faça algo parecido no futuro. Abomino banda cover, mas gravar um cover de vez em quando é divertido.

WHIPLASH.NET: O BLIND PIGS pretende fazer uma turnê pelo Brasil em 2015. Além destas datas, o grupo tem outros planos para o ano que vem?

Henrike: Temos novidades ainda para este ano! Em novembro sai uma caixa comemorativa de 21 anos do BLIND PIGS com 6 CDs no formato digipack: todos os discos de estúdio e mais o ao vivo 'Suor, Cerveja e Sangue' (2003). Paramos de prensar os CDs antigos há uns 10 anos, então a procura por eles atualmente é grande. Essa caixa está linda demais! Vai ser lançada pela Hearts Bleed Blue (HBB) em edição limitada. Estou ansioso para ver o resultado. Em 2015 teremos shows e vamos lançar material inédito que estamos acabando de gravar e que vai sair pela HBB em vinil.

WHIPLASH.NET: Atualmente você apresenta o programa "Semper Adversus" na rádio virtual Antena Zero (www.AntenaZero.com) todas as quintas-feiras às 22h . Fale sobre este trabalho.

Henrike: O "Semper Adversus" começou como um webzine (www.semperadversus.com.br) para eu divulgar o material que as gravadoras gringas me mandavam. Um mês depois de estrear o webzine, eu recebi um convite do meu amigo Kleber Forti para apresentar um programa street punk junto com ele na Antena Zero. A gente gravou um piloto que quando foi ao ar quebrou os recordes de audiência da rádio. Logo na estreia, já com o nome "Semper Adversus", tivemos um pico de 10 mil ouvintes. Foi inacreditável! Todo programa temos uma média de 8 mil ouvintes sintonizados, sendo que 3 mil são do exterior. É um número absurdo! Adoro fazer o programa e agradeço muito o Kleber e a Antena Zero pela oportunidade. Ah, o "Semper Adversus" agora virou um selo em parceria com a Hearts Bleed Blue para lançar bandas nacionais de street punk. O primeiro lançamento, a coletânea em vinil e CD 'Para Incomodar', sai agora no final de novembro.

Informações:
http://www.facebook.com/BLiNDPiGS




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Sobre Jorge A. Silva Junior

Jorge Junior é paulistano, jornalista diplomado e colaborador do Whiplash.Net desde 2009. Tem mais de 400 matérias e notas publicadas, que somam aproximadamente um milhão e meio de acessos. Também realizou a cobertura de shows de grande porte, entre eles Ringo Starr, Eric Clapton, Deep Purple, System Of A Down, Red Hot Chili Peppers e Ozzy Osbourne. O autor pode ser seguido no Twitter: @jorgejunior85.

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