Noturnall: Mais CDs em uma semana do que na carreira com o Shaman

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Por Eliton Tomasi
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Noturnall! Esse é nome do novo supergrupo do metal nacional formado pelos integrantes do Shaman, Thiago Bianchi (vocal), Fernando Quesada (baixo), Léo Mancini (guitarra), Junior Carelli (teclado) além do renomado baterista Aquiles Priester (Hangar, ex-Angra).

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O autointitulado álbum de estréia do Noturnall foi lançado no último mês de Fevereiro e traz como um dos produtores o vocalista do Symphony X, Russell Allen.

A estréia do Noturnall nos palcos vai acontecer no próximo dia 29 de Março com um super show beneficente e gratuito no Carioca Club em São Paulo. Na ocasião, o próprio Russell Allen fará participação especial.

Para saber mais detalhes sobre a formação da banda, os bastidores e polêmicas, fomos conversar com o baixista Fernando Quesada que, entre outras informações bombásticas, declarou: "Vendemos mais CDs em uma semana do que na nossa carreira inteira com o Shaman!"

Fernando, para começar, por favor, nos esclareça como surgiu a idéia de formar o Noturnall, uma vez que a banda tem a mesma formação do Shaman, com exceção do baterista Ricardo Confessori que aqui da lugar à Aquiles Priester.

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Fernando Quesada - A Noturnall foi uma banda que tinha que ser lançada! Desde o começo da nova formação do Shaman, eu, Thiago Bianchi e Léo Mancini encontramos uma química muito grande entre nós que faz termos essa vontade de tocar, fazer clipes, discos e nunca parar. Quando o Junior Carelli assumiu o teclado do Shaman, entrou a peça que faltava para nunca pararmos! O que houve foi um desgaste na relação com o membro fundador do Shaman, Ricardo Confessori, que no momento em que começamos a fazer o novo cd do Shaman ele estava com a cabeça voltada para outros projetos, como, por exemplo, o Angra. Nós então não conseguíamos achar uma harmonia e nem estávamos satisfeitos em deixar o Shaman e nosso trabalho em segundo plano. Estávamos sentindo uma vontade gigantesca de tocar, soltar a música que tinha dentro de nós! Então resolvemos dar um novo passo em nossas carreiras e montar a Noturnall. Para isso conversamos com o Aquiles, que é um baterista que sempre admiramos muito, e após apresentações do projeto, músicas e idéias, percebemos que estávamos com a cabeça no mesmo lugar e decidimos encarar um novo lançamento juntos.

Então com a criação do Noturnall, e o foco que vocês têm dado para essa nova banda, podemos dizer que o Shaman acabou?

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Fernando - O Shaman não acabou! Diria que o Shaman está em 'stand by' no momento. Muita gente pergunta o porquê de não falarmos muito no assunto e de não darmos muitas explicações. O caso é que foi tudo muito natural e nem nós mesmos temos explicações concretas do que aconteceu e porque aconteceu. Sabe aquela situação em que a música tem um caminho próprio e te leva junto? Que a criação domina o criador? Foi mais ou menos isso que aconteceu. Demos seqüência nas nossas vidas e nas nossas músicas, independente da vontade de um integrante, e acabou acontecendo o que aconteceu. O Shaman fica em 'stand by', sem muita conversa e sem muitos planos por enquanto. Mas nunca se sabe.

Mas como, de fato, rolou o convite para que o Aquiles Priester fizesse parte da banda? Vocês já eram amigos antes?

Fernando - Eu já havia trabalhado com o Aquiles antes em eventos relacionados a marcas de instrumentos. Sempre admirei muito o trabalho dele e o profissionalismo e seriedade com que ele leva sua vida musical. O Thiago também já o conhecia bem antes e já tinha gravado com ele outros trabalhos em estúdio.

Fernando - Enquanto ainda fazíamos músicas para o novo disco do Shaman, que depois viraria Noturnall, sempre comentávamos que essas músicas mereciam ser tocadas por alguém como o Aquiles! Um batera que colocasse bastante notas, com a técnica cem por cento, execução impecável e que quisesse complicar ao invés de simplificar. Isso foi um fato que também gerou o desgaste na banda. Queríamos uma bateria diferente e forte pra essas músicas, que também já eram diferentes do que costumávamos fazer.

Fernando - Quando aconteceram as últimas conversas e que decidimos mesmo nos separar, não tinha outra pessoa em mente a não ser o Aquiles. Fomos logo conversar com ele e dar um jeito de caçar o bicho (risos).

Fernando - Ele estava em Hong Kong e nos escreveu dizendo que tinha gostado e que queria conversar sim para podermos armar algo. Chegando no Brasil, no primeiro dia depois de viagem, já sentamos em uma reunião e então a Noturnall estava formada.

E como ficou agora a relação de vocês com o Ricardo Confessori?

Fernando - O Confessori é uma pessoa que sempre admirei muito e aprendi muito com ele. Infelizmente diversos fatos e a convivência nos levou a um desgaste que gerou o início dessa pausa. Mas ainda admiro e torço muito pela carreira dele.

Fernando - Nossa relação claro que ficou diferente, mas ainda desejamos feliz natal e feliz aniversário um ao outro. (risos) É brincadeira... Realmente estamos dando um tempo, sem muito debate e nem ações, para que cada um possa cuidar de suas prioridades para depois pensarmos se vale voltarmos a desenvolver alguma atividade ou não.

Algumas músicas do CD de estréia do Noturnall, como a "Nocturnal Human Side", por exemplo, tinham sido divulgadas anteriormente como sendo do Shaman. Poderíamos dizer então que o disco de estréia do Noturnall foi originalmente concebido para ser o quinto álbum de estúdio do Shaman?

Fernando - Com certeza! Começamos as composições bem antes da decidida pausa na banda. Mas era estranho, pois estávamos compondo, mas não sentíamos que essas músicas eram "Shaman". Por diversas vezes já havíamos pensado em lançar com outro nome e fomos inclusive aconselhados por gravadoras fora do país a fazer isso, pois o som não tinha mais a ver com a atmosfera "shamanística". Criamos uma vida própria em relação ao nome e isso refletiu nas músicas. No jeito de tocar, compor, cantar e encarar um disco.

Fernando - Quando fomos fazer a produção com o Russell Allen, ainda era Shaman, mas durante a produção e muitas conversas, inclusive com o próprio Russell, fomos decidindo um novo rumo. O álbum do Shaman se chamaria "Nocturnal". Então juntamos esse nome a uma expressão "No Turn At All" (sem volta) e criamos o Noturnall.

Ao ouvir o álbum de estréia do Noturnall, podemos notar que a banda explorou bastante o peso e a agressividade, elementos que nunca foram prioridade não só no Shaman, mas nas bandas anteriores de vocês. Em algumas músicas como "No Turn At All", por exemplo, podemos até mesmo ouvir riffs brutais de death metal. De onde surgiu essa inspiração? Esses elementos foram mesmo prioridade durante o processo de composição de todo álbum?

Fernando - Acho que isso reflete um pouco o momento de cada integrante da banda. Sempre deixamos a música tomar vida própria. Não somos uma banda que entra em estúdio compondo pensando no que vende ou toca na rádio. Nós tocamos heavy metal e o estilo tem tanta identidade e força que ele toma vida própria dentro do estúdio.

Fernando - Eu e o Thiago passamos meses pensando em idéias, tocando, ouvindo muita coisa e chegamos juntos nessa concepção do álbum do Noturnall. Depois o Juninho, Léo e Aquiles nos acompanharam bastante para dar essa cara e essa sonoridade ao álbum.

Fernando - Eu pelo menos estou numa fase mais agressiva da minha vida. Sem tanta paciência e sem tanto tempo de reflexão para criar harmonias e melodias sem força, poder e agressividade. O que ouço hoje em casa são bandas mais pesadas com riffs matadores.

Fernando - Com certeza a pausa no Shaman nos trouxe sentimento de "sair da casinha" e colocar tudo pra fora, coisas que estavam guardadas nos últimos sete anos e muitas vezes não pudemos exteriorizar.

O aspecto visual do álbum de estréia também parece refletir essa agressividade da música do Noturnall. A ilustração da capa é deveras caótica! Poderíamos dizer que os dias de Conto de Fadas, como em "Fairy Tale", foram embora?

Fernando - (Risos) Foram definitivamente embora! Essa banda tem sangue nos olhos! A capa reflete o monstro que tem dentro de cada um de nós. Esperamos todo esse tempo para nos juntarmos e soltarmos a fera. O Carlos Fides, nosso designer da ArtSide, conseguiu entender muito bem o que passávamos na época em que montamos essa arte. Um furacão acontecendo em casa, mas mesmo assim soltando todo o poder e respondendo com agressividade e à altura.

Como surgiu a oportunidade de contar com Russell Allen na produção do disco e como foi trabalhar com ele?

Fernando - Nos conhecemos em alguns eventos no Leste Europeu e depois de um tempo nos revemos no fatídico dia do festival no Maranhão. Conversamos no festival um pouco sobre o assunto. Depois de algumas semanas o Thiago entrou em contato com ele e disse que tínhamos feito uma música para ele cantar junto. Ficamos muito felizes em ver a resposta que ele iria cantar e, além disso, iria participar do videoclipe. Não pensamos duas vezes e pegamos as nossas coisas e fomos eu, Thiago, Juninho e Léo gravar o videoclipe ao lado de Russell nos EUA. Durante as gravações acabamos nos dando muito bem e conversamos sobre a idéia de ele produzir o novo material. A partir daí surgiu um bom relacionamento que resultou neste trabalho. Admiramos muito o Russell, tanto como produtor como vocalista. Ele é simplesmente demais!

O relacionamento com Russell Allen parece ter estreitado ainda mais, afinal, no momento ele está em turnê pelo Brasil realizando workshops ao lado do Thiago Bianchi e deve ficar aqui até o próximo dia 29 de Março para participar de um show que dará origem ao primeiro DVD do Noturnall. Estamos falando de amizade verdadeira ou tudo se trata puramente de negócios?

Fernando - Nunca foi só negócios! Não existe preço que pague um relacionamento como esse. Músicos desse nível não colocam preço pela sua voz ou imagem em outras bandas. O que aconteceu foi uma química legal, principalmente quando eu e o Thiago fomos para os EUA gravar as vozes do disco com ele, acabamos desenvolvendo uma amizade até entre nossas famílias. Isso gerou o fato de hoje ele vir pro Brasil e, além de tocarmos, fazermos um churrasco, festas e até dispensar hotéis e burocracias que se teria num relacionamento meramente "business".

Fernando - Na época em que eu e Thiago estávamos nos EUA gravando as vozes, ele estava passando por uma situação parecida com o baterista do Adrenaline Mob, então tínhamos muito em comum para conversarmos (risos).

Falando mais sobre o evento do dia 29, como surgiu a idéia de realizar um evento beneficente em prol da Casa Hope, instituição de apoio a crianças com câncer?

Fernando - Isso é uma coisa muito legal de se falar. O Thiago é uma pessoa muito vitoriosa, pois passou por um câncer muito pesado, onde inclusive foi diagnosticado "caso terminal" há alguns anos atrás. Ele sempre comentou da vontade de poder fazer algo em prol dessa causa, ele tinha esse desejo de fazer um grande evento beneficente.

Fernando - Recentemente eu também tive um problema de câncer na minha família, onde felizmente meu pai hoje está cem por cento curado. Portanto, como o clima está muito bom na banda e as coisas estão cada vez melhores, resolvemos fazer o evento neste momento que consideramos ideal para juntar o poder da música com a felicidade da Vida! Por isso fizemos um esforço para arrecadar a verba entre patrocinadores, e até do próprio bolso, para fazer isso acontecer.

Fernando - A Casa Hope é muito séria e faz um trabalho magnífico pela sociedade. Realmente vale a pena ajudar pessoas que ajudam tanto a transformar o mundo.

No mesmo evento o Noturnall vai registrar seu primeiro DVD. O que você pode adiantar sobre essa produção?

Fernando - Decidimos fazer o DVD depois que o evento estava fechado. Ligamos para o Russell e conversamos. Ele também tem um problema de saúde na família onde a filha dele é autista e ele sempre quer ajudar pessoas e instituições. Falamos da nossa idéia e casou de ser bem na época da tour do workshop com o Thiago, portanto unimos forças novamente para fazer um mega DVD.

Fernando - Depois do sucesso de vendas do CD, já queremos mostrar para as pessoas o som ao vivo, como a banda soa e tal.

Fernando - O DVD conta com a direção do Alex Batista, um dos principais diretores de videoclipes e DVDs da atualidade, com muitos prêmios e grandes artistas em sua carreira, junto com o Junior Carelli e Rudge Campos da Foggy Produções - que já trabalharam com a gente nos clipes da banda e vídeos promocionais.

Fernando - Será uma estrutura com mais de 15 câmeras, 3 gruas, telão de Led em sincronia com o show, luzes absurdas em sincronia também, além de algumas partes teatrais e surpresas! Estamos tentando fazer um DVD digno do heavy metal e seu público.

Fernando - Em um país onde só o sertanejo, funk e coisas do gênero têm acesso a verbas para grandes produções, estamos tentando quebrar regras e fazer uma grande produção. Também contamos com uma forte estratégia do nosso manager, Franz Bedatch, para a realização deste evento.

O álbum de estréia do Noturnall bateu alguns recordes assim que foi lançado. O disco permaneceu por três semanas consecutivas em primeiro lugar entre os títulos mais vendidos da Die Hard Records - uma das principais lojas especializadas do país - além de ter batido o recorde de pré-vendas no mesmo estabelecimento. Na edição deste mês de Março da revista Roadie Crew, o disco aparece na seção "Parade" no segundo lugar ente os mais vendidos, batendo lançamentos de bandas como Epica e Within Temptation. Vocês esperavam tudo isso? Esses números seriam um bom argumento para provar que vocês tomaram a decisão certa em colocar o Shaman em 'stand-by' e priorizar o Noturnall?

Fernando - Realmente não esperávamos! Vendemos mais Cds em uma semana do que na nossa carreira inteira com o Shaman! Foi incrível a aceitação e receptividade do público!

Fernando - Por isso fica o recado a todos: não adianta só reclamar, tem que agir. Estou muito satisfeito com o público que me fez acreditar novamente que compensa gravar um disco, desenvolver uma arte bem trabalhada, uma produção com cuidado. Estou muito contente de poder ter voltado a acreditar na boa música.

Fernando - Todos da banda correram muito para que isso acontecesse e hoje trabalhamos como uma empresa organizada que luta para se manter e poder fazer algo em que acredita. É como o Bruce Dickinson disse em uma entrevista: "toda empresa precisa ter fãs"! Nós vamos ao máximo tentar cativar e fazer as pessoas se sentirem bem com a Noturnall.

Fernando - Hoje vejo que o mercado existe, mas que ele é muito exigente. Então se quer continuar no mercado, faça o seu melhor, não reclame e sempre continue.

Além de todo esse sucesso no Brasil, como está o lançamento do disco no exterior?

Fernando - Também estamos muito felizes com o exterior! Estamos com o manager Holger (mesmo da Doro Pesch, Ugly Kid Joe, etc). O CD será lançado na próxima semana na Europa e Estados Unidos em uma edição digipack especial. Temos ouvido muito bem sobre a banda e que a aceitação está muito boa. Recebemos várias resenhas de países europeus com notas altíssimas! Na América Latina e Japão o CD também será lançado até o fim de abril!

Fernando, para finalizar, o que o Noturnall significa, em apenas uma palavra, nessa nova fase de sua carreira?

Fernando - Animal!

Mais Informações:
http://www.Noturnall.com
http://www.facebook.com/Noturnall
http://www.twitter.com/Noturnall
http://www.youtube.com/Noturnallofficial




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Sobre Eliton Tomasi

Empresário artístico, gestor e produtor cultural, crítico musical. Foi fundador e editor-chefe da revista Valhalla (Rock Hard Brasil) - uma das mais importantes revistas especializadas em rock já existentes no Brasil - através da qual tornou-se um experiente e respeitado jornalista de rock. Há 20 anos atua como produtor de shows e eventos tendo já realizado desde pequenas gigs até produções internacionais de grande porte. Especializou-se na função de empresário e gestor de bandas e artistas nacionais e internacionais, participando da elaboração de diversos projetos culturais na área da música (rock) e realizando turnês freqüentes por todo Brasil e em mais de 15 países da Europa.

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