Skyforger: entrevista com o vocalista e guitarrista Peter

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Por Pierre Cortes, Fonte: Rede Social do Festival
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O Skyforger é um grupo que pratica um Pagan/Folk Metal e já possui um total de 5 álbuns lançados. Formado em Riga, capital da Letônia, o grupo já participou de diversos festivais no exterior. Prestes a desembarcar no Brasil pela primeira vez para tocar no Thorhammerfest, festival que reúne bandas de Pagan/Folk/Viking Metal, aproveitamos para ter uma conversa com Peter, o vocalista/guitarrista do grupo. Conheçam um pouco mais sobre a trajetória da banda e saibam sobre assuntos como a assinatura do contrato com a Metal Blade, o lançamento do novo álbum e a expectativa em tocar no Thorhammerfest. Confiram!

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Entrevista por Pierre Cortes
Tradução por Cecil Berserker

O Skyforger é um grupo formado em 1995 e aborda temas do folclore báltico e da história letã. Como surgiu a ideia da formação do grupo e da abordagem das letras?

Peter: Alguns de nós começamos em 1988-89 com outras bandas, até nos conhecermos e formarmos nosso primeiro projeto em 1990. No início nós fazíamos um tipo de Doom/Death Metal com letras históricas – músicas sobre uma Idade Média sombria, cavaleiros e coisas do tipo. Com o passar dos anos indagamos o porquê de cantar músicas sobre a história europeia se tínhamos aqui nossa própria! Então, depois de ler alguns livros sobre como nossos ancestrais lutaram contra os Cruzados europeus, nós finalmente entendemos que isso era o que precisávamos e queríamos cantar. Começamos assim escutar nossa música folclórica letã e tivemos a ideia de tentar misturá-la com riffs de Metal. Então, em 1995 decidimos mudar completamente o estilo de nossa banda anterior. Fomos assolados pela nova ascensão do Black Metal e pensávamos que isso cairia muito melhor com nossas ideias e letras do que com o Doom/Death que fazíamos antes. Desta forma nasceu o Skyforger.

O grupo opta por cantar em seu idioma original. Por qual motivo decidiram dessa forma?

Peter: No começo tínhamos algumas músicas em inglês no repertório, mas então percebemos que estávamos cantando ao público letão sobre sua história em língua estrangeira. Assim decidimos cantar somente em letão, mesmo porque nossa língua é muito antiga e faz parte de uma cultura báltica que tem hinos folclóricos e usamos de tempos em tempos nas nossas composições. Estas, como são quase intraduzíveis, não seria possível cantar sem alterar a melodia original. Sem dúvida sabemos da importância do idioma inglês e que é muito internacional, tendo muitas bandas usando tal recurso para estrangeiros entenderem o que estão cantando, mas não escolhemos esta forma pelo fato do dinheiro e fama – nós temos nosso propósito, amor e ideias de como queremos fazê-lo. Apesar de tudo isso, nós sempre colocamos a tradução para o inglês em nossos encartes de CD, de modo que ultimamente muitas pessoas se tornaram mais abertas na cena Metal, não tendo mais problemas com diferentes idiomas além do inglês para ser escutado nas canções. Talvez o maior problema ainda seja a performance fora de nosso país, pois fãs não podem cantar junto pelo simples motivo de não saberem a língua, mas como eu havia dito anteriormente, nós não estamos tocando nossas músicas para conquistar grandes plateias e nos tornarmos famosos – nossa missão está em espalhar ao mundo a história e cultura báltica e letã.

Como vocês avaliam a trajetória da banda tanto na sonoridade, criação das letras e apresentações ao vivo, desde o lançamento da demo "Semigalls’ Warchant" até "Kurbads"? Houve muitas mudanças?

Peter: Creio que é a mesma estória de inúmeras outras bandas por aí. Quanto mais tempo você está na música, mais você aprende ao passar dos anos. Com cada álbum lançado se descobre coisas novas e você tenta fazer melhor para um próximo. Lógico que é difícil determinar se o caminho está certo, mas sempre mudamos através dos anos. O mesmo ocorreu com o Skyforger. Começamos jovens e entusiastas, prontos para qualquer coisa. Copiávamos bandas que escutávamos na época, mas a cada álbum tentávamos arduamente buscar nosso estilo próprio. Talvez nós não sejamos mais extremos do que éramos, mas eu acho que acontece naturalmente com todas as bandas. Mas tivemos essa ideia de que seria muito importante para nós, as letras casarem com a música e o conceito geral de um álbum. Este é o motivo de todo álbum do Skyforger ser diferente dos outros. Também não gostamos de nos repetir – uma vez feito tocamos o barco para frente e tentamos novos direcionamentos futuros. Em uma cena macro, talvez não seja tão bom por perder alguns fãs que gostavam somente do mesmo, porém como eu disse não somos comerciais e fazemos as coisas como as vemos e amamos. No final não podemos reclamar – temos sorte de ter fãs suficientes por aí e ter a chance de ver nossa banda crescendo e tocando desde bares underground até grandes festivais. Estar em tours e tocar junto com grandes lendas do Metal como Judas Priest, Venom, Morbid Angel...

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O álbum "Kurbads" recebeu o prêmio de Melhor Álbum de Rock no Latvian Music Award em 2011. Como vocês receberam essa notícia e qual a repercussão do álbum e do grupo a partir disso?

Peter: Foi legal receber tal prêmio, mas fora isso nada muito além. Talvez algum público não Metal escutou algo sobre nós e ficou interessado, mas nada grandioso. Acredite, não é nenhum Grammy, mas apenas uma versão local do prêmio – pessoas votam por seu álbum e se atingir a meta você é premiado e volta para casa feliz. Não há nenhum retorno importante como virar um rock star ou ter possibilidades de estar no rádio ou TV e participar de shows maiores. Possivelmente ser conhecido por um público maior, mas apenas isso.

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"Kurbads", o último trabalho até o momento, foi lançado em 2010. Como se encontra a preparação para o novo álbum e o que o público pode esperar?

Peter: O novo disco já está sendo feito. Entretanto as coisas não se encaminham tão rápido quanto você esperava, mas estamos esperançosos para lançar no próximo ano. O novo trabalho será sobre a velha Prússia, a terceira nação báltica, que foi conquistada por Cruzados europeus no século XIII e posteriormente exterminada. Não há mais antigos prussianos atualmente. É uma importante parte da história báltica que tristemente poucos cidadãos daqui conhecem e este foi o motivo que tive para fazer tal álbum. Quando os alemães dominaram a velha Prússia, pegaram este nome e começaram a se chamar de prussianos e seu estado de Prússia. Eles não são nativos daquela terra, apenas a roubaram dos antigos prussianos. Sei que isso poderá trazer muitos mal-entendidos sobre o álbum e este é mais um ponto que deve ser revelado! Musicalmente será diferente de "Kurbads", talvez mais agressivo e não tão "folkado" – pelo menos vemos assim! Onze faixas, no total, com introduções mais Folk e, como sempre, nós misturamos vários estilos de Metal em nossa música, de forma que será difícil descrever o que teremos no final.

Ainda falando no último álbum, vocês assinaram com a Metal Blade Records, que é uma gravadora americana. Como se deu esse processo e o que isso, de fato, significou na carreira do Skyforger?

Peter: Nós apenas enviamos nossa demo de "Kurbads" e a Metal Blade respondeu com a oferta de produzir o disco. Na verdade não foi nada especial ou grandioso para nós. Eles somente pegaram mais uma banda Pagan/Folk na esperança de ganhar dinheiro com a popularidade da moda atual deste estilo, mas na realidade somos apenas mais um nome na lista de bandas deles. Tirando o fato de que eles lançaram nosso disco, não sentimos nenhum impacto na banda por ter uma Metal Blade por trás. Eles não têm feito nenhuma tour ou shows conosco. Ocorre que as gravadoras estão perdendo poder nos dias atuais com a Internet e pirataria musical. Se você não está constantemente nas notícias, festivais ou excursionando, não se pode vender uma quantidade de CDs suficiente para ser rentável às gravadoras. Infelizmente o Skyforger não é este tipo de banda – não somos músicos profissionais que fazem dinheiro tocando por aí – temos nossos próprios empregos e a música é somente um hobby.

O Skyforger é uma banda oriunda de Riga, capital da Letônia. Como se encontra o movimento da música pesada nessa região?

Peter: Sendo um país pequeno, nossa cena Metal é também pequena, porém temos shows suficientes e algumas vezes sendo ponto de parada para mega bandas internacionais. Há várias bandas por aqui tocando diferentes estilos de Metal – não que todas sejam Pagan/Folk, pois na verdade somos praticamente a única neste estilo. Infelizmente até agora não há tantos grandes nomes na Letônia os quais eu poderia mencionar para você, mas temos muitas boas agindo e a cena Metal está seguindo por aqui. Vale a pena citar: Sanctimony, Preternatural, Sacramental, Threnkill Method, Huskvarn, Frailty, Flaying, Malduguns…

Vocês irão tocar no Thorhammerfest, um importante festival que reúne bandas de Pagan/Folk/Viking Metal e essa é a primeira apresentação de vocês no Brasil. Como está a expectativa para este show?

Peter: Esperamos um grande evento e também fazer alguns novos fãs no Brasil. A primeira vez é sempre estressante e empolgante, não é verdade? Pena ser somente um show – é uma longa jornada até aí e apenas a possibilidade de tocar no Thorhammerfest. Eu entendo os promotores locais, que têm medo de pegar bandas não tão conhecidas e temem perder dinheiro se o público não comparecer como o esperado. Espero que após esta primeira vez, possamos retornar em breve e ter mais apresentações e, assim, as pessoas saberem quem diabos é o Skyforger.

Aproveitando para encerrar nossa conversa, mande um recado aos headbangers brasileiros.

Peter: Vamos tocar algumas músicas de todos nossos álbuns e, possivelmente, alguns temas Folk também. Assim fiquem preparados para o verdadeiro Pagan Metal das costas do Mar Báltico e nos vemos todos em breve no Brasil!

Chequem mais informações em nossos sites:

http://www.skyforger.lv
http://www.facebook.com/skyforgerofficial




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Sobre Pierre Cortes

Pierre Cortes, paulistano, bacharelado em Publicidade e em Cinema, amante da fotografia e escrita, apreciador do Heavy Metal e todas as suas subdivisões desde o início dos anos 80, colaborador do Whiplash.Net desde 2011, Twitter - @pierrecortes.

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