Rhevan: basta as pessoas serem menos preconceituosas

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Por Ben Ami Scopinho
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O Rhevan, oriundo do Mato Grosso do Sul, sempre levou muito a sério cada passo que deu ao longo de sua trajetória. E os esforços fizeram de 2012 um excelente ano para a banda, que lançou seu segundo álbum, “One More Last Attempt”, agora via Shinigami Records; mas que também encontrou o respaldo do selo alemão Metal Del Mundo para ser liberado no exterior. O Whiplash.Net conversou com o pessoal para saber das novidades. Confiram aí!

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Whiplash.Net: O Rhevan se mostrou bastante ativo desde o início de sua trajetória e estão colhendo os merecidos frutos. Que tal começarmos com um histórico desde sua fundação?

Thiago Azevedo: A banda começou em 2007 quando convidei a Dani para tocar covers de Nightwish, Within Temptation, Epica, entre outros. Mas logo começamos a compor e foi aí que escrevemos “Curse Of The Angels” e “Frontline”. Na verdade, em 2005 já tínhamos a ideia de ter uma banda, mas seria apenas uma diversão. Só partir de 2008 é que o Rhevan começou a ser levado mais a sério mesmo. Muitos músicos passaram pela banda, e a formação atual está junta desde 2010.

Whiplash.Net: “One More Last Attempt” é seu primeiro disco prensado industrialmente, onde a Shinigami Records foi de fundamental importância neste processo. Afinal, após sua participação na coletânea “Hellstouch”, como rolou as negociações com o selo?

Aldo Carmine: Sem dúvida a Shinigami é o selo que mais apóia o metal no Brasil. Escrevemos duas músicas exclusivamente para a coletânea “Hellstouch”, e acho que foi um dos fatores que chamou a atenção do selo em relação ao nosso trabalho. E, mesmo não estando entre as bandas mais votadas, nosso segundo álbum foi lançado, o que nos deixou muito felizes e orgulhosos.

Thiago Azevedo: Escrevemos as duas músicas especialmente para a coletânea e enviamos todas as músicas do novo álbum para a Shinigami. Creio que isso chamou a atenção da gravadora, pois viu que tínhamos potencial e muito interesse. Só nos faltava um empurrãozinho mesmo. E outra curiosidade: as duas músicas da coletânea, que eu acho fantásticas, foram compostas em menos de uma semana.

Whiplash.Net: O chamado Metal Sinfônico cresceu tanto que deu origem a muitas bandas descartáveis. Quais os cuidados para que “One More Last Attempt” se sobressaia em meio a essa saturação toda?

Aldo Carmine: Procuramos sempre variar. Evitamos manter uma fórmula para compor. Orquestrações e corais sempre me fascinaram e o que fazemos é usar isso de forma coerente, pois o que prevalece é o peso. Tem muito de metal tradicional no novo álbum e acho que isso nos distingue.


Thiago Azevedo: Discordo um pouco dessa história de saturação que todos falam. Se você analisar bem, nos festivais e shows que acontecem atualmente em todo lugar, mas principalmente no Brasil, você vê muitas bandas de outros estilos e pouquíssimas do chamado ‘Metal Sinfônico’. O Rhevan, nos cinco anos de carreira, nunca dividiu o palco com outra banda do mesmo estilo. Em minha opinião, existem sim muitas bandas, mas de todos os estilos, e todas têm potencial para se destacar, basta as pessoas serem menos preconceituosas.


Whiplash.Net: O Rhevan assume muitas etapas de trabalho: o baixista Aldo Carmine é também produtor, vocês mesmos produzem seus vídeos... Que medidas vocês tomam, com o objetivo de manter a banda sempre unida, focada e interessada no trabalho em grupo?


Aldo Carmine: Cada um sabe e confia no potencial do outro. No meu caso, já tive muitas experiências em estúdio e toquei outros instrumentos em outras bandas. Estou a cargo da produção musical do Rhevan desde o início, mesmo antes de fazer parte da banda e isso gerou total confiança da parte deles para comigo.


Dani: Discutimos bastante o que será feito, fazemos reuniões, conversamos por e-mails e facebook, tudo para chegarmos em um acordo e seguirmos a mesma linha, assim não ocorrem desentendimentos ou confusões. Isso mantém o grupo unido. As tarefas também são divididas, geralmente com as possibilidades de cada um, e no meu caso pude trabalhar no roteiro da “Drunk...”, repassei para o grupo e discutimos sobre como faríamos, o que seria tirado ou acrescentado. Comunicação bem assertiva é o que mantém o grupo focado no mesmo objetivo, além da vontade de virar ‘gente grande’ no cenário musical mundial!

Whiplash.Net: Falando em vídeos, o de “Drunk With The Blood Of Saints” está muito bacana, e há uma história sendo contada. Sendo um trabalho independente, como rolou sua concepção e quais as saídas criativas necessárias para atingirem tal resultado?

Dani Navarro: A história mostra a visão de uma mulher traída, que está grávida de seu ex, e ela adentra o bar à procura dele para lhe contar que será pai. As coisas já não estavam bem com ela, estava muito abalada, e passa pelo bar e vai vendo situações semelhantes à dela, até encontrar o ex com outra mulher. A ideia geral era mostrar uma força que influenciava cada pessoa a fazer o que faziam, ou não, deixamos bem ambígua a que seriam os sussurros no ouvido das pessoas. O clipe começa pelo fim e mais tarde mostra o motivo do suicídio da garota. O legal é que este clipe pode ter várias interpretações diferentes, tudo vai depender da vivência e visão de quem o assiste. Nossos recursos eram poucos e houve muitas modificações no roteiro e até alguns improvisos, mas o resultado final ficou muito bom dentro do que esperávamos.

Gleydson Keyler: A mulher apenas é mais uma vitima do ‘mundo’... Onde temos os ‘whispers’, que representados por fantasmas que influenciam as pessoas a fazer atos nada virtuosos e que já se tornaram banais neste mundo pecaminoso.

Thiago Azevedo: Toda a idéia veio da Dani. Deixamos tudo a cargo dela, só fomos obedecendo, hehe, Mas o apoio de nossos amigos foi essencial na finalização desse clipe, desde os atores até a produção, o bar que usamos e a casa com a banheira. Tudo foi de amigos nossos. A Ana Borges e o Glauber Laender, que produziram o clipe, desde a filmagem até a edição, foram importantíssimos no resultado final, e ano que vem faremos mais uma vez a parceria para um novo vídeo.

Whiplash.Net: Afinal, como é a cena underground aí do Mato Grosso do Sul? Até onde ter esta região como base pode dificultar o avanço do Rhevan?

Aldo Carmine: Como é de se esperar, o que predomina aqui é a música sertaneja. Há, sim, um bom público voltado para o rock/metal, mas o espaço para bandas como o Rhevan é muito escasso.

Thiago Azevedo: Aqui em nossa cidade é difícil conseguir shows se você não canta numa dupla sertaneja ou não toca cover de bandas de rock/metal. Nós mesmos organizamos nossos eventos aqui. A gente até brinca dizendo que se montássemos um Rhevan cover a gente conseguiria mais shows, hehehe.

Whiplash.Net: Vocês encontraram o apoio da gravadora alemã Metal Del Mundo para o lançamento de seus discos em outros países. Como rolou isso tudo e quais as responsabilidades de cada parte envolvida?

Aldo Carmine: Tudo aconteceu graças a dois grandes amigos que fiz através do facebook: Markus e Monika Scherer, que são da cidade de Niederkassel. Ambos são DJs de uma webradio chamada Radio Rock Café, onde sempre rolam nossas músicas. Eles apresentaram a banda à nova gravadora, que em seguida entrou em contato e se interessou pelos nossos dois álbuns. Porém, o “Perpetually” foi gravado há quatro anos e a qualidade não estava à altura de um lançamento em grande escala, por isso regravamos todo o álbum em duas semanas e o resultado foi infinitamente superior ao disponibilizado para download gratuito. Ainda não temos uma data para o lançamento pela Metal Del Mundo, mas será nos primeiros meses de 2013.

Whiplash.Net: Com trabalho duro, vocês atingiram objetivos importantes em 2012. Mas e para 2013, quais os planos?

Aldo Carmine: Sim, 2012 foi um ótimo ano para o Rhevan. Nossa grande meta para 2013 são os shows na Europa, que é um antigo sonho. Agora, com o lançamento dos álbuns por lá, já está bem perto de ser realizado. E lançaremos também dois novos videoclipes.


Whiplash.Net: Para finalizar, que herança vocês acham que os anos 90 deixou para o metal em geral?

Aldo Carmine: Muitas bandas brasileiras surgiram devido à grande influência que o Metal passou a ter aqui no Brasil a partir daquela década. Grandes shows passaram a acontecer aqui no Brasil, eu estive em duas edições de grandes festivais como o Monsters Of Rock. Os anos noventa foram muito especiais pra mim, pois foi quando eu comecei a ouvir Rock´n´Roll e a querer aprender a tocar guitarra para formar uma banda.

Whiplash.Net: Pessoal, o Whiplash.Net agradece pela entrevista e deseja boa sorte a todos. Se quiserem acrescentar algo, a hora é agora, ok?

Aldo Carmine: Obrigado. Agradeço a oportunidade. O público brasileiro e produtores de eventos devem sempre sentir muito orgulho de ter bandas de altíssimo nível em nosso país, e espero que cada vez mais essas bandas recebam o mesmo apoio e atenção que tem sido dado às bandas cover.

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Contato:
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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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